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sábado, novembro 16, 2024

Partiste minha Mãe



Partiste minha Mãe

e não dissemos adeus.

Uma folha ao vento

levou-te para lá das nuvens

e o céu abriu-se para te receber.


O rio, lá em baixo, guarda

os ecos do meu sentir.

Dos meus olhos escorre o orvalho

que vai engrossando o caudal,

desse rio, que corre placidamente.


Da última vez que te vi, inerte,

parecias sorrir e, essa imagem, 

quero guardá-la em mim,

para sempre.


Já não te vou ver mais, Mãe.

Já não podemos trocar um beijo,

um abraço...

Mãe, partiste e deixaste

um vazio na minha vida.


Com as tuas memórias

reaprenderei a viver

na saudade da tua ausência.

Descansa em paz!

In Memoriam
minha Mãe
1931-2024

Texto e foto
Emília Simões
15.11.2024

sábado, agosto 12, 2023

Tinha na pele o cheiro das flores


Tela Daniel Ridgway

Tinha na pele o cheiro das flores

e rasgava as searas com os sentidos

na alvura da manhã bebia o orvalho

antes que o sol lhe queimasse o corpo.


Inebriados pelo frescor do amanhecer

os pássaros voejavam de mansinho

entoando cantos maviosos da aurora.


Ao lado, o rio, sabia-lhe de cor o nome

e sorria-lhe, cúmplice, na maré cheia

nos acordes da vida a renascer.


Era o espanto que a revigorava

nas primeiras horas do dia

trazidas pela lezíria

como barcos a respirar.


Texto 
Ailime
12.08.2023

domingo, dezembro 18, 2022

O sol tarda, mas já se anuncia.



Percorro os caminhos de outrora

cobertos de geada.

Nos escombros dos muros o musgo,

onde escorre a fria madrugada

que acolhe os pássaros feridos 

de mais uma noite ao relento.

Sobre o rio, neblinas

vertem o orvalho da manhã,

que cava no teu rosto

as cicatrizes da noite,

que te embalam no silêncio

onde mergulhas a voz.

O sol tarda, mas já se anuncia

na cor purpúrea do amanhecer.


Texto 
Ailime
10.12.2022
Imagem Google



sábado, outubro 08, 2022

O tempo, sempre o tempo

 

Ailime

O tempo, sempre o tempo, na voz,

como um rio que percorre as palavras

que teimam em libertar-se nas manhãs,

em que o orvalho lhe cinge o olhar

ainda meio adormecido.

Como uma fonte soletra nas águas

os sentidos, em movimentos ascendentes,

no esplendor da manhã a cativar-lhe

as palavras, que se soltam como flores

a desabrochar num chão de primavera.

Retoma o caminho

liberto de sombras e silêncios

e regressa ao tempo, nas palavras,

refletidas no rio.


Texto e foto
Ailime
08.10.2022

sexta-feira, dezembro 10, 2021

Um dia a minha sede

 



Um dia a minha sede

será saciada pela fonte do deserto.

As chuvas molhar-me-ão o rosto

e sentirei o orvalho das manhãs

a afagar-me os cabelos.

As tardes serão mais lisas

e falar-me-ão de crepúsculos,

que se escondem atrás das nuvens

onde os pássaros se detêm

nos voos,

a acalentar-me nas noites

longas,

De sonhos improváveis.


Texto
Ailime
10.12.2021
Imagem Google

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

Não fora a chuva

Foto de  Alexandre  Mansur



Não fora a chuva
que livremente beija o solo
os meus olhos estariam secos
como as estepes ou as planícies
onde o orvalho não cabe.
Uma sede intensa
percorre-me os lábios
e adentra-se na alma
como se buscasse
um poço de águas profundas
livres e transparentes
como as gotas da chuva.


Texto 
Ailime
Imagem Google
28.02.2018


segunda-feira, novembro 20, 2017

Abro a minha alma


Abro a minha alma ao teu clamor
Como se fosses uma criança
A implorar a Lua.
Mas é tão difícil alcançá-la…
E as estrelas
Que nos observam atónitas
Tão longe dos nossos olhos
Tão longe das nossas mãos
Que se entrelaçam enregeladas
Como se o inverno nos rasgasse a pele  
Com os musgos e as geadas da manhã
Ainda antes do sol nascer.
Um silêncio gélido entorpece-me.
Na ausência de movimentos
A minha voz emudece
Nas gotas de orvalho
Que me escorrem pela garganta.



Texto
Ailime
20.11.2017
Imagem Google


sexta-feira, dezembro 28, 2012

Folhas ressequidas



Percorro-te nas ruas do desassossego
e apenas sombras me cercam
na vertigem da cidade
que nunca me pertenceu.

E as árvores gotejam
no orvalho das manhãs
as folhas ressequidas
que o vento espalhou.

Um galho agita-se
e espreita o horizonte
na busca incessante da luz
que o renovará.


Para todos desejo um bom Ano de 2013 com muita saúde, amor e paz !

Ailime
28.12.2012

quarta-feira, novembro 14, 2012

Ouço-te



Ouço-te no orvalho das manhãs
 E inspiro o aroma do alecrim
 No sabor das amoras silvestres
Que perpetuaram em mim
Todos os aromas da terra.

E nos sulcos do teu rosto
Tisnado pelo sol escaldante
Escorriam lágrimas de sal
Que na tua humildade
Transformaste em pérolas de amor.


Ailime
14.11.2012
Imagem da Net


segunda-feira, outubro 08, 2012

Pergunto ao mar



Pergunto ao mar, 
Porque salpica os rostos
Com orvalhos de lonjura
Na escassez do tempo,
Que se arrasta
Nas lembranças
Marcadas na história
Dos ventos,
Que cedem ao tempo
E corrompem os sentidos
De vivências cristalinas.

…E o mar
Responde-me
Que  apenas afaga
A solidão e o vazio
Instalados nos olhares
Envoltos nas sombras
Desconexas da existência.

Ailime
07.10.2012
Imagem da Net