«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, maio 02, 2026
O silêncio...
sábado, janeiro 31, 2026
A natureza também chora
A natureza também chora.
lágrimas de rosas
quando o vento em delírio,
no seu ímpeto devastador,
arrasta rios, vales, montanhas,
tudo o que habita
o coração do homem.
mergulhar no abismo
de uma noite imensa e escura.
Muitas luzes se acendem.
e vencer a indiferença.
A terra chora.
Ninguém ouve.
Emília Simões
31.01.2026
sábado, julho 19, 2025
Sentada sobre o passado
sábado, março 29, 2025
Nas montanhas aprendi o rumo
por caminhos oblíquos.
Rasguei a fome com mel
e flores silvestres.
Caminhei só, ao sol, à chuva,
suspensa em ramos de árvores
que me serviam de abrigo.
Subi a pulso um monte e outro.
O meu corpo transpirava sangue,
a noite entranhava-se-me na pele.
O silêncio fazia-me companhia.
Dormi com as aves e acordei
suspensa nos ninhos.
Chove sobre os meus olhos.
As nuvens parecem fontes
que se transformam em rios.
Agora o sol beijou-me o rosto.
Nas sombras encontrei a luz
e nas palavras renasci.
sábado, novembro 02, 2024
Para encontrares o belo
Para encontrares o belo
terás que calcorrear vales
e montes,
atravessar silêncios
galgando rios
caminhos lamacentos
enfrentar feras
e talvez no fim do caminho
encontres o que procuras;
a luz refletida
em simples flores
no cimo duma montanha.
Emília Simões
02.11.2024
sábado, outubro 22, 2022
Sobre o dorso da terra o gemido
Sobre o dorso da terra o gemido
e a busca por dentro e por fora
do precioso líquido
que mitigará a sede do mundo.
Não tardará....
Chegará de mansinho
e depois como um dilúvio
lavará todas as penas
e as manchas
que inundam a terra
e os rios transbordarão.
Uma pausa à espera de resposta
e o arco-íris a espreitar
e a ouvir a minha prece.
Texto
Ailime
22.10.2022
sábado, julho 30, 2022
Na solidão do lodo
Conhecia de perto todos os mistérios do rio.
De pedra em pedra percorria-lhe as margens
e desvendava o sabor das auroras quando as neblinas
o afagavam ainda antes do refulgir do sol.
E estendia-lhe as redes.
Era um rio límpido, sem mácula, azul de tanto céu,
que brilhava no silêncio da lezíria
como se fora outro lugar onde o trigo ondeava.
Nada era tão puro como a transparência dos barcos,
onde saltitavam os pássaros para captar as presas
que quase afundavam o barco.
A faina era tão leve e a colheita tão farta...
.........
Hoje, apenas um velho barco carcomido,
na solidão do lodo.
Ailime
30.07.2022
Imagem Google
segunda-feira, fevereiro 28, 2022
Nem tudo nos dias é claro
mas há dias mais iguais que outros
quando os silêncios percorrem a noite
e os pássaros voam mais alto.
e nem sequer as lembranças
trazem à tona os rios nelas imergentes.
mas há dias mais iguais que outros
quando o mar agitado empurra a nau
que se desmorona na escarpa.
porque apenas os lobrigamos
nas ferozes tenazes da guerra.
Ailime
28.02.2022
terça-feira, novembro 09, 2021
O mundo ainda pode ter cor
terça-feira, outubro 26, 2021
No interior das pedras
que à tua passagem te queimam os pés,
te sacodem, como se o vento alastrasse
e se detivesse no teu andar vagaroso e
pesado, como as folhas que
se arrastam impelidas por aragens
ensurdecidas de tanto silêncio.
À margem dos dias as florestas
gritam por socorro
no leito seco dos rios.
Ailime
26.10.2021
sábado, abril 04, 2020
Nas escarpas dos dias

como se desventrasse os silêncios
que me movem
no imprevisível deserto do ocaso
que se desnuda em oceanos
opacos e turbulentos
na incongruência
dos ponteiros do relógio
consumidos por águas movediças
que resistem à estranheza
das margens dos rios
corrompidos pelas marés.
Enquanto isso, os pássaros,
imperturbáveis,
continuam os voos.
Texto
Ailime
03.04.2020
Imagem Google
segunda-feira, fevereiro 10, 2020
No deserto e silêncio das palavras

há sentimentos que, nas sombras, ignoras
há flores a brotar no chão que pisas
há rios e fontes a irromper na madrugada
há pássaros a esvoaçar em céus de fogo
As palavras serão vãs se não frutificarem
como romãs a vergarem o frágil ramo
mitigando a tua sede pela manhã
quando o sol te afaga no olhar
a saciedade plena de quem espera.
Texto
Ailime
10.02.2020
Imagem Google

