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sábado, janeiro 10, 2026

As minhas mãos


As minhas mãos estão geladas.

Escalei até ao topo da montanha

e o frio atormentou-me

como lâminas afiadas,

que me rasgaram a pele, 

os pensamentos, o olhar, as mãos.

O teclado está-me interdito.

O poema que criei

fica em suspenso, guardado

no fundo da minha alma.

Talvez, amanhã, o sol resplandeça

e com o calor me conforte

e liberte desta inércia.

É que numa longa noite escura,

também há luz.


Texto e foto
Emília Simões
10.01.2026



sábado, novembro 02, 2024

Para encontrares o belo

freepik


Para encontrares o belo

terás que calcorrear vales

e montes,

atravessar silêncios

galgando rios

caminhos lamacentos

enfrentar feras

e talvez no fim do caminho

encontres o que procuras;

a luz refletida

em simples flores

no cimo duma montanha. 


Texto 
Emília Simões
02.11.2024

quarta-feira, maio 19, 2021

Na celeridade do tempo



Na celeridade do tempo esculpimos as horas

como se os ponteiros do relógio nos cingissem

ao que gostaríamos de pensar e sentir.

 

A montanha já não é verde

Os peixes já não sabem de cor o rio

Nos olhos as margens secaram-se.

 

Para lá da tarde que cruzámos,

o silêncio e a solidão

abreviam o pôr do sol.

Pergunto-te o nome do porvir.

 

Texto
Ailime
19.05.2021