«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, maio 02, 2026
O silêncio...
sábado, novembro 15, 2025
Um poema
Um poema nem sempre segue o raciocínio do poeta.
Entra em ziguezague para a direita e para a esquerda
buscando num labirinto de memórias
imagens presentes e passadas
de pessoas, de paisagens, de cidades,
de amores e desamores, de luzes e cores.
Na insatisfação do que escreve, o poeta
continua obstinadamente o seu esforço
num procura infrutífera, que insiste
em negar-lhe a razão de um poema
que o satisfaça.
Não desiste e continua teimosamente.
Mistura palavras com e sem nexo.
Até que cansado, pousa a caneta
sobre o caderno, abre a janela e
deixa o vento entrar!
Talvez daqui a pouco se faça luz
e o pensamento se liberte,
para que, finalmente, o poema germine.
Emília Simões
15.11.2025
sábado, fevereiro 08, 2025
A poesia é livre
como um rio que, pela encosta abaixo,
vai serpenteando montes e vales
até chegar à foz.
Mas, como o rio,
também a poesia
encontra obstáculos,
silêncios, incertezas,
e tantas vezes
fica presa na garganta.
O poeta sente-se então incapaz
de desbravar a secura das palavras,
que teimam em ficar coladas
no palato do silêncio.
Uma rajada de vento
revolve a natureza.
O poeta estremece;
as palavras soltam-se.
Emília Simões
08.02.2025
sábado, abril 06, 2024
Quem escreve, lê e ouve os poemas?
Quem escreve, lê e ouve os poemas?
O mundo anda muito distraído.
Os ruídos são ensurdecedores.
Mas o mar esboça na areia com a sua maresia
rendilhados de espuma branca.
As gaivotas leem nas migalhas, ao final da tarde,
o sabor do seu sustento.
Nas escarpas homens e mulheres sós
com o sal a escorrer pelas faces
estão atentos aos sons do mar,
sob o efeito das marés.
Talvez um poeta que tenha passado por ali
tentasse passar a sua mensagem
no purpúreo entardecer.
__Mas, ninguém o escutou__
Emília Simões
Imagem Google
sábado, março 05, 2022
O poema nunca está completo
emoções, que lhe brotam da alma
como a nascente do rio
que desliza suavemente pelos socalcos
da montanha, a perder de vista.
O poema nunca está completo.
Há uma sede de palavras
que não se mitiga em qualquer fonte.
As palavras têm asas que buscam
silêncios, sorrisos, alegrias, amor,
mergulhados no mais profundo do âmago.
O poeta e a poesia estão em constante
conflito de ideias e ideais,
porque o poema nunca está completo.
O poema necessita ser cinzelado,
afagado, como se fora uma escultura,
mas deixa sempre o caminho aberto
para uma nova fonte, uma nova sede,
uma nova emoção.
O poema nunca está completo,
porque o poeta continua a existir
para além das palavras.
Ailime
05.03.2022
quinta-feira, agosto 23, 2012
Rimas imperfeitas
(modificado)

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