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sábado, janeiro 31, 2026

A natureza também chora


A natureza também chora.

Do seu ventre escorrem
lágrimas de rosas 
quando o vento em delírio,
no seu ímpeto devastador,
arrasta rios, vales, montanhas,
tudo o que habita
o coração do homem.

Impávido, ele vê a sua pequenez
mergulhar no abismo 
de uma noite imensa e escura.

Muitas luzes se acendem.

É tempo de endireitar veredas
e vencer a indiferença.

A terra clama.
A terra chora.

Ninguém ouve.


Texto e foto
Emília Simões
31.01.2026




sábado, fevereiro 08, 2025

A poesia é livre



A poesia é livre e escorre
como um rio que, pela encosta abaixo,
vai serpenteando montes e vales 
até chegar à foz.
Mas, como o rio,
também a poesia
encontra obstáculos,
silêncios, incertezas,
e tantas vezes 
fica presa na garganta.
O poeta sente-se então incapaz
de desbravar a secura das palavras,
que teimam em ficar coladas
no palato do silêncio.
Uma rajada de vento
revolve a natureza.
O poeta estremece;
as palavras soltam-se.

Texto e foto
Emília Simões
08.02.2025

sábado, novembro 02, 2024

Para encontrares o belo

freepik


Para encontrares o belo

terás que calcorrear vales

e montes,

atravessar silêncios

galgando rios

caminhos lamacentos

enfrentar feras

e talvez no fim do caminho

encontres o que procuras;

a luz refletida

em simples flores

no cimo duma montanha. 


Texto 
Emília Simões
02.11.2024

sábado, julho 25, 2020

O medo

Medo: por que sentimos e como superá-lo – Blog Vittude

Quisera que o medo fosse uma névoa
uma simples palavra sem nexo, 
a vaguear por vales profundos e longínquos
onde os pássaros não a alcançassem
nem os relâmpagos a faiscassem
nem os ecos a cativassem
como se fora um buraco negro
a doer-me dentro do peito.
quisera não entender o medo.
refugiar-me num barco verde
numa praia de águas límpidas
onde o sol brilha em cada pedrinha azul
que te devolve as insondáveis horas 
em que te deténs sobre a escarpa alada
dum tempo fora de tempo.
em que as incertezas se tornam certezas
nas tuas mãos vazias de gestos
quando os teus olhos, côncavos,
se retraem no exílio.


Texto
Ailime
25.07.2020
Imagem  Google