«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, junho 14, 2025
Na solidão dos dias
sábado, julho 23, 2022
Havia um oceano dentro dela
Havia um oceano dentro dela
de águas calmas, sem ondulação,
que mergulhava no silêncio das madrugadas
e na paz do entardecer.
Os barcos navegavam à tona
rodeados de corais verdes e azuis
que a cerceavam nas noites
em que as marés fitavam a Lua
e o luar a cingia meio tímido.
Nestes momentos a presença de Deus
tomava-lhe as emoções e o silêncio
era apenas brisa refrescante
numa praia invisível.
Ailime
terça-feira, novembro 02, 2021
O tempo nunca é o mesmo
Ontem a chuva regou os meus sonhos,
hoje colho uma flor.
O dia e a noite contemplam-se,
assim como o sol e a lua
se abraçam num golpe de vento
que vagueia por entre galáxias.
Claridade e sombras.
Um pássaro nunca está só;
poisa sobre uma estrela
e esvoaça no universo
por entre galhos de nuvens.
Gravo os meus sonhos
nas folhas caídas de outono.
Ailime
02.11.2021
terça-feira, agosto 03, 2021
Abro os meus gestos ao universo
Abro os meus gestos ao universo
e segredo-te um mundo de cores;
as estrelas brilham como sóis,
a lua é um mar de prata
que te cinge como um barco
a deslizar sobre as águas
e um farol ali tão perto
rasga as sombras trazidas pelo vento,
clareando as marés.
Em silêncio repousamos o olhar
no sossego da noite.
Ailime
03.08.2021
sexta-feira, março 19, 2021
A cidade está coberta de sombras
Subo as escadas e no pátio
apenas um gato espreita
uma nesga de sol
e quebra o silêncio, que
me atordoa e desalenta.
Não me reconheço
nestes dias solitários
de recuos e fugas
onde tudo me parece
desconhecido.
Até o rio já não tem a mesma cor.
Corre pálido num sussurro
sem barcos nem marés.
A cidade emudeceu.
O silêncio invadiu-a e
não ouço o adejar dos pássaros
nem o chiar dos elétricos.
É uma cidade de bancos vazios,
de janelas fechadas
e telhados suspensos.
O crepúsculo apressa-se
e a noite dependura-se na lua.
Apenas o amanhã me poderá
devolver a liquidez dos dias.
Ailime
19.03.2021
terça-feira, fevereiro 16, 2021
Não queria tecer palavras amargas
nem sonhos irrealizáveis
nos dias em que as marés encrespadas
toldam o horizonte.
As aves aninham-se em sobressalto
e imóveis aguardam o sol-posto.
Em movimentos agitados
as ondas revoltas tocam as escarpas
e apenas o rumor do mar
quebra o silêncio da noite.
Há um vazio, uma nostalgia na praia
onde jazem apenas a solidão e a Lua.
Pela manhã o sol brilha,
a espuma do mar beija o areal.
Finalmente o mundo despertou.
segunda-feira, agosto 06, 2018
A insónia
E tão incompreensível a insónia
quando o mar sussurra na noite
um cântico límpido e melódico
como a maré baixa ao cair da tarde
a ondular no areal a volúpia das espumas.
Num vaivém, como barco a baloiçar
a vigília irrompe insidiosa
e estremece amedrontada sob a lua
a espreitar o dia que, entretanto,
já clareia o horizonte.
Texto e foto
Ailime
Julho 20118





