Nas palavras, nem sempre o vento escreve o que quer.
À deriva, procura nos lugares recônditos, a luz
que parece obscurecida pelas sombras das florestas,
onde outrora surgiam mananciais e hoje o fogo alastra.
Não há forma de escolher entre as chamas e o vento
o lugar das palavras que parecem afogadas nas cinzas.
Não há hora para ouvir a voz calma do vento e a placidez
das chamas, dissimuladas pela ironia do vento.
Não chegou ainda o tempo de o Homem despertar
para a imagem que cada vez mais vai dizimando
as palavras que o vento espalha
sobre o chão da terra desolada.
Ailime
16.07.2022
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