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sábado, junho 08, 2024

Era pungente o seu viver



Era pungente o seu viver.

Penalizava-se por atos irrefletidos.

Chegava a cravar as unhas nas 

palmas das mãos

para se distrair desses atos

que ainda a combaliam.

Não dava mostras de remorsos,

mas fora dura consigo mesma

e não se perdoava

martirizando-se descalça

sobre espinhos que lhe feriam a alma.

O suor a escorrer sangue,

os lábios cerrados cobertos de sal,

não lhe davam a paz

que o seu coração ansiava.

Na correnteza do rio

muitas lágrimas caídas

misturavam-se com os peixes.

Ainda hoje se julga amarrada

à pedra onde esculpia a sua dor.

Texto
(Ensaio sobre ficção)
Emília Simões
08.06.2024
Imagem Google

sábado, julho 09, 2022

Não sabia defender-se dos imprevistos


(Desconheço o autor)


Não sabia defender-se dos imprevistos.

Seus lábios calavam a dor do desconhecido.

O seu coração continha as emoções

que tentava segurar entre os dentes

e, as suas mãos, trémulas, prendiam a esperança

que teimava em arredar-se de si.

O sorriso tinha adormecido no seu rosto cansado.

Assim acordou a madrugada

com a notícia que tardava.

Os pássaros voltaram a voar

e a fazer ninho no seu peito.


Texto
Ailime
09.07.2022
Imagem Google

segunda-feira, maio 09, 2022

Escorria-lhe da boca o silêncio

 Di Farias

Escorria-lhe da boca o silêncio

que lhe ardia no peito.

Não soletrava as palavras

e os olhos côncavos

imersos num mar em chamas

ateavam nas suas mãos

barcos à deriva

baloiçando ao vento,

sulcando-lhe no rosto

a dor do pranto contido.

Nem o voo dos pássaros

em cantos alegres e claros

lhe soltaram dos lábios

o sabor amargo do silêncio.


Texto
Ailime
09.05.2022

quarta-feira, abril 14, 2021

Com palavras construo o tempo

 



Com palavras construo o tempo

a resvalar por entre os dedos

desvendando memórias

e sobressaltos

presos na alma,

onde concebo o futuro.

Há momentos em que

a minha  voz velada

se prende no deserto

e a sede  fere-me os lábios

e as mãos vazias e gastas

fazem eco de silêncios,

que não guardam as palavras

que se desprendem de mim.

Atravesso o tempo como asas em pleno voo.



Texto
Ailime
14.04.2021
Imagem Google

sábado, julho 18, 2020

A palavra tarda

Olhando horizonte Fotografias de Banco de Imagens, Imagens Livres ...

A palavra tarda.

Ardem-te os lábios
gretados pela dureza do sal
as tuas mãos contorcem-se
em gestos invisíveis
o teu olhar perscruta o infinito
em súplica ardente.

A palavra tarda.

O amor percorre o fio
que te separa do voo 
dos pássaros.


Texto e foto
Ailime
17.07.2020

segunda-feira, março 16, 2020

Quisera


Quisera que meus olhos
não vissem a escuridão dos
dias
que meus lábios
não bebessem o fel das sombras
interditas
que minhas mãos não
tocassem o invisível
Quisera, enfim, que a luz
incendiasse os gestos do mundo.



Texto e foto
Ailime
16.03.20
Imagem Google

domingo, outubro 14, 2018

Trago nos lábios a palavra outono

Foto de Manuel Luís Simões

Trago nos lábios a palavra outono 
como folha alagada pela chuva 
que como pétalas cai com placidez 
a envolver-nos docemente o corpo 
que alastra em voos improváveis 
sobre o chão alado que pisamos. 

Nessas horas tardias 
prendemos o pôr do sol com a voz 
rasgamos o horizonte com o olhar 
que nos incendeia os dedos 
deslizar como riachos     
no silêncio dnosso outono.




Texto 
Ailime
14.10.2018