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sábado, abril 05, 2025

Um poema germina


Um poema germina como uma árvore.
Dissemino palavras, imprecisas,
sob a magnólia do jardim;
Deixo que o tempo as faça florescer na primavera.
Não sei se as palavras tem odor, como as flores do jasmim
dependuradas do muro, em redor da casa.
Todos os dias espreito da janela
para enxergar alguma palavra, nas folhas
da magnólia, mas o vento, em rodopio,
confunde-me o olhar.
Numa manhã, deparo-me com um broto,
que me parece uma folha a perfurar
uma pétala de magnólia, caída no chão.
O poema inicia o seu ciclo
e, como a primavera, chegou o tempo
de vicejar.

Texto e foto
Emília Simões
05.04.2025

sábado, dezembro 02, 2023

O recomeço



Percorri estradas

desbravei caminhos 

atravessei socalcos

feri os pés

golpeei as mãos;

a minha boca

está amarga

pelo sal que me escorre

dos olhos

o sentido do meu viver.

Quis mudar de trajeto;             

tombei, ergui-me

e tropecei nas pedras,

mas reergui-me

O meu corpo,

os meus braços

doridos

ficaram entrelaçados

para sempre nas grades

dum muro

que me rasga o pés

e me trava o recomeço.


Texto e foto
Ailime
02.12.2023



quinta-feira, novembro 08, 2018

Na lucidez dos dias


Na lucidez dos dias  
escorre-me dos gestos 
o sabor das romãs 
e o aroma dos lírios  
que perfumavam a terra 
do chão que pisavas. 
 
Os escombros dos muros 
cobertos de musgo 
murmuram baixinho 
o silêncio dos pássaros 
a latejar as asas 
na terra fértil. 
 
Uma nuvem chora. 
 No chão molhado 
pegadas de solidão 
anunciam como é frio 
o inverno da alma.




Texto e foto
Ailime
08.11.2018