Mostrar mensagens com a etiqueta incógnita. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta incógnita. Mostrar todas as mensagens

sábado, agosto 22, 2026

Porque choravas, mãe?

 

DreamsTime

De degrau em degrau,
pedra sobre pedra
percorremos
os nossos caminhos.
Nem sempre lado a lado,
nem sempre na mesma direção.
Eu era irrequieta, dizias.
Porque seria?
Eu não entendia nada
do mundo, que apesar de tudo,
me deslumbrava a cada instante.
O mundo das pessoas crescidas
era uma incógnita para mim.
Muitas vezes choravas e
nunca me disseste porquê.
Na natureza cresci,
rebolando nas ervas macias,
a ouvir o canto dos pássaros
nas minhas brincadeiras de maria rapaz,
que me devolviam a alegria,
como dizias.
Eram formas de expressão que encontravas
para as minhas traquinices.
Dessas memórias
ainda guardo do teu belo rosto,
as lágrimas que deslizavam
pelas tuas faces, em silêncio
e que tanto me confundiam.

Ainda hoje não sei: 
porque choravas, mãe?

Texto
Emília Simões
22.08.2026


segunda-feira, abril 13, 2020

Na tibiez dos dias

Shadows of people walking street in morning light.


Na tibiez dos dias
somos como esfinges
vagueando na rua, deserta,
sem pisar o chão
olhando de través
a celeridade das sombras,
submersas em abismos
na incógnita das horas
e dos números.

Por breves instantes
os relógios silenciam-se
na luz do crepúsculo,
sem deixar rasto.


Texto 
Ailime
13.04.2020
Imagem
Google