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sábado, maio 17, 2025

A casa parece-me tão longe...

Pixabay


A casa parece-me tão longe...
Partiste e deixaste-a vazia.
As andorinhas ainda fazem o ninho no beirado
e as rosas do quintal ainda lá estão perfumadas.

O meu silêncio fala-me de ti
e da casa cheia, com os risos das crianças,
e das festas que improvisavam só
para te ver sorrir.

Tudo está diferente e até o tempo
anda caótico, em alternâncias constantes,
num Planeta já tão pouco azul.

Os peixes do rio também
já não são os mesmos. A poluição matou-os.
Agora já nem lhes sei os nomes.

Quero apenas recordar o tempo
do nosso tempo, tão claro, tão transparente,
com o sol nascente e poente
a incendiar-nos os dias.


Texto:
@Emília Simões
17.05.2025

sábado, maio 11, 2024

No silêncio do quarto


No silêncio do quarto, ouço a manhã a cantar

nos pássaros a esvoaçar em redor dos ninhos,

nas flores a desabrochar e nas crianças a brincar

no pátio da antiga escola, onde joguei à cabra-cega.

O tempo adejou com o vento, deixando apenas rastos,

que hoje fazem a minha história parecer tão remota.

Nada está como dantes, muitas metamorfoses...

Até o rio corre aos soluços por entre os seixos

esculpindo nas margens ecos passados, de tão copioso.

Os campos devastados pelos incêndios não são os mesmos.

As casas são mais brancas, mas permanecem vazias.

Olho para trás e falta alma à minha aldeia.

A vida de outrora apagou-se e o sol já não tem brilho.


Texto e foto
Emília Simões
11.05.2024

segunda-feira, dezembro 18, 2023

É dezembro, quase Natal!


É dezembro, quase Natal!

O frio alastra nas cidades,

vilas e aldeias.....

Azáfama costumeira

onde impera o consumismo

num frenesim desmedido,

torna dezembro ainda mais frio

para os que dormem ao relento,

para os que caem por terra

nos cenários de guerra.

Tanta fome no mundo,

tanta sede de afetos,

tanto choro de crianças nuas

por um destino

que lhes assassinou os pais.

Tanta prepotência e ganância,

que violam todos os direitos humanos.

É urgente  a paz, a fraternidade,

e o calor dos afetos. 

É urgente o Amor!

É urgente o Natal!


Texto
Ailime
Imagem Google
18.12.2023


Desejo a todos santo e feliz Natal!



quinta-feira, março 17, 2022

Falta-me o chão

 


Falta-me o chão, esta não é a minha rua.

Subo e desço calçadas e escondo-me 

num vão de escadas.

Não sei como cheguei até aqui

Corri mais veloz que o vento

Tenho os sentidos adormecidos

Repouso o meu corpo cansado

O barulho é ensurdecedor

Ouço gritos, vozes roucas desesperadas

Parece-me ouvir um estrondo

Decerto estou a sonhar

Será um pesadelo?

Espreito a porta, quero acordar

Multidões fogem estarrecidas

Crianças ao colo, outras pela mão a chorar

Tenho fogo nos pés e voo

Não quero fugir, quero ficar aqui

Defenderei o meu chão

com cinzas na boca.

Mesmo com a alma mutilada

deixarei o meu corpo gravado

nesta terra que é minha.

 

Texto
Ailime
16.03.2022
Imagem
Google

terça-feira, novembro 30, 2021

Ainda te lembras?


                                                                      Anouk Lacasse


O vento sopra  nos meus dedos que, enregelados,
procuram os teus e
entrelaçamos as mãos.
Esqueçamos o  inverno e deambulemos
como duas crianças que brincam ao sol
num prado verde de ternas lembranças.
Os pássaros esvoaçam e sinto a primavera
que me sopra aos ouvidos
melodias de amor já muito antigas,
que costumávamos ouvir em silêncio
quando o sol se escondia no horizonte 
e nos incendiava os corpos
numa dança flamejante de amor. 
Ainda te lembras?

Texto
Ailime
24.11.2021

terça-feira, dezembro 20, 2016

Quase Natal



Há silêncios que me confundem
e  palavras que como espadas
me trespassam os sentidos
como se o meu corpo
já não me pertencesse,
de tão gelado que está.
É inverno... e quase Natal.
Onde está o aconchego e o Menino Jesus?
Tantas luzes, tantos presentes,
tanta euforia, tanta mesa farta
e até a guerra, a terrível guerra injusta e cruel
não desiste de matar.
Cidades destruídas, crianças ao relento,
fome e desespero.
Tantos nus a rastejar pelas cidades
estendendo as mãos que ninguém  vê,
que ninguém ouve, que ninguém sente.
Que faço eu aqui, impotente, 
perante estes factos que perturbam o meu sentir?
É tempo de Natal...
Sim, em Belém de Judá,
nascerá de novo o pobre Deus Menino
numa manjedoura deitado
e envolto em frágeis panos,
aquecido pelo bafo dos animais do estábulo.
D’Ele emanará a luz
que se revelará a mais brilhante,
que aquecerá e libertará
e ouvir-se-ão cânticos de louvor
entoados por toda a Terra.
Eu clamo ao Deus Menino: salva o teu povo
e renasce no coração de cada Homem.
É tempo de celebrar o teu Natal.

Texto
Ailime
20.12.2016



Desejo-vos um santo e feliz Natal.
Abraços.