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sábado, maio 25, 2024

Desassossegos



No meio dos canaviais avista-se o mar 
ali mesmo à beira da estrada.
Já lhe doem os pés, qual peregrino,
de tanto caminhar
e os olhos embaciam-se com a neblina. 
Por instantes deixa de enxergar.

Ouve as gaivotas que grasnam assustadas
prenunciando tempestade
naquele fim de tarde.

Fica em desassossego e 
e num reflexo rápido esfrega os olhos
e pode observar relâmpagos
que faíscam à sua frente.

Num casebre próximo recolhe-se
até a tempestade passar.
O cansaço é mais forte e adormece.
Quando acorda já é manhã.
No horizonte, nuvens brancas, sorriem-lhe
e retoma o seu destino.


Texto e foto
Emília Simões
25.05.2024




sábado, janeiro 21, 2023

O mar

                                                
            


Observo o mar sempre com espanto;

quando escuto o seu rugido

nas noites de tempestade 

ou quando suavemente beija

as areias douradas duma praia qualquer,

logo ao nascer do sol.


O mar é irrequieto e  imprevisível

e tanto arrasta ondas brancas como neve

como cascos de navios afundados.


O mar é alegria e brisa

é força e leveza

que me envolve como um véu

quando fito todo o seu esplendor

nos inaudíveis silêncios.


Texto e foto
Ailime
21.01.2023



quarta-feira, abril 20, 2022

Roubo à noite a Lua Cheia



Roubo à noite a Lua Cheia
guardo-a num quarto pintado de azul
e dependuro-a no teto qual
candelabro a iluminar as sombras
suspensas do telhado da casa.

Outrora o luar, liberto,  acendia
todos os recantos por mais escuros
e sombrios
como faróis no mar alto
em noite de tempestade.

Talvez a escuridão seja passageira
e as sombras se dissipem
em sonhos inacabados
transformados em teias de luz
a escorrerem-me  pelos dedos das mãos.


Texto e foto
Ailime
19.04.2022

sexta-feira, abril 15, 2022

No meu silêncio


No meu silêncio ensimesmei-me.
Angústias me trespassaram
como relâmpagos a faiscarem
que me atravessaram o corpo
em tempestade convulsiva
e chorei.
A tua ausência,
a tua traição.
Subi ao cume do monte.
Como ladrão fui esconjurado,
maltratado
e açoitado.
Crucificado.
O templo rasgou-se ao meio,
o sol eclipsou-se
e expirei.
Tudo foi consumado.

Santa e abençoada Pascoa.

Texto
Ailime
Imagem Google
13.04.2022

sábado, outubro 27, 2018

Num rasgo de vento


 Num rasgo de vento 
o outono revela-se 
nas folhas esmaecidas 
que atapetam o chão, 
desnudando os ramos 
que rasgam as nuvens 
num rodopio de asas. 

Que vento é este   
que ruge como o mar 
em dia de tempestade 
e arrasta as folhas 
como barcos a naufragar? 

Uma simples aragem? 
Um relâmpago? 
Uma vertigem? 
É apenas o outono 
a faiscar nas folhas 
a luz quebrantada 
na linha do horizonte. 




Texto Ailime
27.10.2018
Imagem Google