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sábado, maio 30, 2026

Livre de amarras

Vecteezy


Livre de amarras, contemplo

a natureza que me oferece beleza e harmonia

no canto dos pássaros, no colorido das flores,

nos ramos frondosos das árvores.


Encontro-me e os meus pensamentos libertos

fazem-me flutuar pela relva verde e fresca,

que atapeta o chão onde me deito a olhar o céu,

onde as nuvens brancas parecem flocos de neve .


Ao lado uma lagoa reflete a luz do sol

debruçada nos ramos das árvores;

o  brilho, por instantes, cega-me

como se um espelho refletisse 

a sensação de liberdade

que só a natureza me oferece.


Esvoaço livre, leve, agradecida.


O meu pensamento livre

divaga ao sabor da brisa da tarde. 


Por instantes vem-me à ideia os 

que vivem aprisionados e sós

enclausurados em cantos sem luz e amor,

cumprindo dolorosas penas... Alguns inocentes.


E enquanto o vento percorre os campos

e os pássaros se perdem no azul,

guardo no peito a certeza

de que a liberdade

é o mais belo rosto da vida.

Texto
30.05.2026
Emília Simões




sábado, maio 02, 2026

O silêncio...

Pixabay





Há silêncio quando o sol se põe.
Há silêncio com o espanto
do brotar de uma flor.

Há silêncio na floresta quando as
árvores falam entre si.
Há silêncio quando as aves fazem o ninho.

Há silêncio na frescura das manhãs,
quando a aurora desponta.

Há silêncio quando a terra absorve
a chuva e faz brotar a primavera.

Há silêncio na água que escorre,
plácida, no regato.

Há silêncio nos jardins
quando as flores 
parecem dançar 
na brisa suave do vento.

Há silêncio quando o poeta
não tem inspiração
e percorre o pensamento
sem encontrar a palavra certa.

Há silêncio quando os rios
tocados pelo azul das nuvens
refletem afetos gravados
nas margens submersas.

Há silêncio
se estivermos atentos,
quando o sol brilha
e ilumina a vida.

Texto
Emília Simões
02.05.2026

sábado, março 28, 2026

Perscruto o horizonte

Pixabay



Perscruto o horizonte.

Nas nuvens, ainda ardem
fragmentos do passado.

Cores dispersas
tingem de azul e verde
o mundo à minha volta.

Uma brisa suave, quase muda,
desassossega-me.

O corpo cede,
pesado de memórias.

Embriago-me no aroma das flores
que já me foram casa,
enquanto os insetos
insistem no néctar do instante.

E tu,
oferecias-me o mel,
em silêncio,
a adoçar o que em mim doía.


Texto 
Emília Simões
28.03.2026

sábado, março 21, 2026

Olho o céu

Freepik

Olho o céu e observo-te para lá das nuvens.

Uma luz suave infunde em mim a saudade.

Não ouço a tua voz, mas leio as palavras que deixaste,
plenas de amor e humanidade,
que me deixaram profundamente comovida.

Tento respirar e sentir-te na primavera
que não chegaste a completar.

Um travo amargo percorre o meu pensamento,
porque um amigo que se perde é um pedaço de vida
que se esvai, mas cuja memória fica guardada
para sempre, no mais recôndito do ser.

Há uma presença discreta que persiste,
como um eco que o tempo não apaga.

Por vezes detenho-me
em memórias,
breves,
não apenas no céu que observo,
mas naquilo que, sem ruído,
permanece.

Texto 
Emília Simões
21.03.2026

sábado, janeiro 24, 2026

A chuva

(desconheço o autor)

A chuva é poesia a cair das nuvens

envolvendo-me em paz e silêncio

quando a observo através da janela,

como se fosse um momento

de introspeção sobre a vida.


A chuva é esperança a inundar-me o regaço, 

como pássaros

que anteveem a primavera

nos seus voos molhados,

suspensos sob os beirais.


A chuva é uma melodia

que me embala e traz consolo,

quando o vazio se instala em mim

e o frio me trespassa, deixando

o meu corpo exausto.

 

A chuva tem um cheiro singular.

Rega a terra e prepara-a

para que a vida renasça na primavera,

aqueça os corpos no calor do verão

e nos ofereça a beleza de outono.


Não tardará e será outra vez inverno.

A chuva voltará a cair

e dentro de mim

os pássaros molhados

voltarão de novo a cantar.


Texto:
Emília Simões
24.01.2026
Imagem (Net) desconheço
o autor


sábado, outubro 11, 2025

Debruçada na manhã

Irismar Oliveira


Outono, tempo de frutos maduros
com sabor a mel, brilhantes
como os teus olhos,
que fitavam o mundo
misterioso e belo,
que te sorria ao amanhecer,
quando abrias a janela
num gesto sempre igual.
No horizonte raiavam
as cores ténues da aurora,
que acolhias no teu regaço
como se um novo universo
se revelasse a teus pés.
Debruçada na manhã
desviavas o olhar 
para o rio azul que, 
serenamente, te entoava
uma canção de embalar,
melodia que, ainda hoje, 
guardas como um barco a balouçar,
no silêncio das nuvens
que navegam no mais profundo
do teu ser.

Texto
Emília Simões
11.10.2025


sábado, março 29, 2025

Nas montanhas aprendi o rumo


Nas montanhas aprendi o rumo
por caminhos oblíquos.
Rasguei a fome com mel
e flores silvestres.
Caminhei só, ao sol, à chuva,
suspensa em ramos de árvores
que me serviam de abrigo.
Subi a pulso um monte e outro.
O meu corpo transpirava sangue,
a noite entranhava-se-me na pele.
O silêncio fazia-me companhia.
Dormi com as aves e acordei
suspensa nos ninhos.
Chove sobre os meus olhos.
As nuvens parecem fontes
que se transformam em rios.
...
Agora o sol beijou-me o rosto.
Nas sombras encontrei a luz
e nas palavras renasci.

Texto e foto
Emília Simões
29.03.2025 

sábado, setembro 28, 2024

No fundo dos meus olhos

 


No fundo dos meus olhos leio os teus.

Misturam-se num terno olhar que

os eleva num doce e húmido sentir.


Quando os olhos se encontram

tudo paira para além dos sentidos,

mergulhando-os ternamente,

como nenúfares, num lago azul,

onde o céu reflete a claridade das nuvens.


O sol brilha e entoa

numa suave e refrescante aragem,

uma breve e anunciada sonata de outono.


Texto e foto
Emília Simões
11.09.2024

segunda-feira, janeiro 29, 2024

Abro a porta ao silêncio

 


Abro a porta ao silêncio
e refugio-me nas memórias
que tenho albergadas em mim.

São memórias longínquas,
que se vão desvanecendo
como as nuvens que se desfazem
impelidas pelo vento, deixando uma
estrada no céu.

Procuro uma luz para as proteger
para que fiquem intactas, sempre
que me recordar dos dias em que tudo
era claro e as aves esvoaçavam
em alegres bandos dentro de mim.

Distancio-me e indiferente
procuro outro lugar para
guardar as memórias,
que parecem vaguear entre sombras
e solidões que, de instante a instante,
se revelam à minha passagem.


Texto
Emília Simões
29.01.2024
Imagem Google



sábado, novembro 11, 2023

No clarear das manhãs


No clarear das manhãs

a terra cheira a musgo

e a  pedras escorregadias

pelas intempéries 

que agitam as árvores

em aguaceiros intermitentes,

deixando sobre o chão

folhas irreconhecíveis,

que vou recolhendo em silêncio.

No vórtice do tempo

aves atravessam as nuvens

resguardando-se de tempestades  

numa nesga de luz,

antes que o vento as resgate. 


Texto
Ailime
11.11.2023
Imagem Google



sábado, outubro 28, 2023

No silêncio da tarde



No silêncio da tarde
as nuvens passam apressadas.
O dia escurece.
Um aguaceiro forte
e uma rajada de vento
fustigam as janelas
e os pobres andrajosos,
que à mingua, na rua,
estendem as mãos vazias,
erguem ao céu, os olhos molhados,
e nada veem, nada sentem.
Apenas a escassez os alumia.
Sacudo os salpicos de chuva
e  ofereço-lhes uma flor,
uma simples flor
que, curvada, também chora
as iniquidades da vida.

Texto e foto
Ailime
28.10.2023


 

sábado, outubro 29, 2022

No silêncio das folhas

 

Leonid Afremov



No silêncio das folhas

o eco da chuva que, irrefreável,

nos espanta e das nuvens

vai tombando,

como cascatas de pérolas

a brilhar nas calçadas.


Estendo-lhe os braços, as mãos

e acolha-a, como bem precioso,

tão próxima de mim

a desviar-me a atenção

das guerras, dos mal-entendidos,

das frustrações, das impiedades.


No jardim, as folhas acolhem os pássaros

que perderam o norte

e repousam o outono nas tardes dos dias. 



Texto
Ailime
29.10.2022



sábado, agosto 20, 2022

Queria abraçar o tempo


Queria abraçar o tempo como quem

navega à deriva

e rasgar as nuvens com os olhos

como se fossem pássaros,

a poisarem-lhe nas mãos esguias 

as tempestades do mar.


Um barco pousou-lhe no rosto

a ondulação dos mares

e dos seus olhos escorreu

a maresia, que ainda a prendia

à escarpa do silêncio

que trazia  presa no peito.


Encontrava-se perdida

nas sombras ocultas das névoas.

Apenas o silêncio

lhe devolvia os vestígios

do tempo, que alcançara

sem sequer o vislumbrar.


Texto
Ailime
20.08.2022
Imagem Google





sábado, junho 25, 2022

O tempo

 Jacob Brostrup

Por entre nuvens e céus claros

o tempo corre veloz como pássaros;

nem as trovoadas o detêm 

na sua correria louca, intempestiva

como foguetes em dias de festa

a provocarem surdez

quando os foguetes se apagam.

O tempo não esvaece, alastra-se

como fogo impelido pelo vento

e nem as águas o estancam.

O tempo na sua voraz pressa

nem sequer tem tempo

para observar  o mundo

onde frenético, voa em liberdade.


Texto
Ailime
25.06.22
Imagem Google


segunda-feira, maio 23, 2022

Na escassez das palavras


Maria Caldeira


Na escassez das palavras

a sede no deserto 

como um rasgão na pele

miragem e silêncio

nas poeiras das dunas

a toldar o pensamento

que clama pelo voo das aves

para dissipar as névoas

Há vazios e grãos de poeira

a marejar os olhos

nos silêncios da tarde

que, em vão, suplicam

que o oásis floresça.



Texto
Ailime
23.05.2022


quinta-feira, abril 28, 2022

Percorro os campos em flor



Percorro os campos em flor
que me falam de primaveras
mas também de madrugadas
de tempos muito longínquos
que trago cingidos ao peito.

Inebriada por sentimentos e afetos,
nuvens brancas em céus azuis
debruavam o meu olhar
por entre as margens do rio
que sussurravam o meu sentir
no rumorejo das águas.

Hoje, apenas ecos, reproduzem
os sons de outrora, quando os pássaros
em voos alegres e maviosos
vêm pousar nas minhas mãos
o restolho da saudade.


Texto e foto
Ailime
27.04.2022

terça-feira, novembro 02, 2021

O tempo nunca é o mesmo




O tempo nunca é o mesmo.
Ontem a chuva  regou os meus sonhos,
hoje colho uma flor.
O dia e a noite contemplam-se, 
assim como o sol e a lua
se abraçam num golpe de vento
que vagueia por entre galáxias.
Claridade e sombras.
Um pássaro nunca está só;
poisa sobre uma estrela 
e  esvoaça no universo
por entre galhos de nuvens. 
Gravo os meus sonhos
nas folhas caídas de outono.


Texto e foto
Ailime
02.11.2021



terça-feira, outubro 12, 2021

Tão longe as manhãs

 
Juan Francisco Gonzalez


Tão longe as manhãs na casa onde às vezes regresso.

Tudo parece estar no mesmo sítio.

O rio corre sereno lá em baixo,

mas não me deixa ver as margens

onde outrora os seixos brilhavam ao sol

e eu saltitava em redor do moinho.

Tudo tinha maior amplitude.

A lezíria era  uma sinfonia de cores,

as águas eram mais verdes e as nuvens mais azuis.

Os pássaros cantavam mais alto.

Os teus pés pisavam o chão com leveza.

No resplendor da manhã, cada vez mais longe,

debruço o meu olhar e cismo.


Texto
Ailime
12.10.2021



terça-feira, julho 27, 2021

O verão é feito de sol



O verão é feito de sol, areia e água salgada.

(por vezes a chuva cai impiedosa)

As ondas beijam as praias e os barcos 

navegam na costa os teus cabelos ao vento.


Na esplanada corpos tisnados pelo sol

brilham como a luz do crepúsculo 

e saboreiam um coquetel gelado

para mitigarem a sede.


No regresso à praia 

envolvem-se na brisa marinha

como nuvens de espuma

a reter as marés.


O verão é também o pôr do sol

quando o céu incendiado

derrama sobre os corpos nus

a luz do entardecer.


Texto e foto
Ailime
27.07.2021

terça-feira, julho 13, 2021

À medida que correm os dias




À medida que correm os dias

tento agarrá-los com o dedos,

guardá-los como luzeiros

mas o vento desvia-os pela vastidão do espaço;

fico sem norte,  de  mãos vazias

e a noite chega mais cedo.

A madrugada surge como fogo

a mostrar-me o esplendor dos dias

na nudez das planícies

que me cingem os olhos.

Nuvens esvoaçam como andorinhas.

O rio repousa nas margens

a correnteza do tempo.



Texto
Ailime
13.07.2021
Imagem Google