Gustav Klimt
«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, julho 18, 2026
O beijo
Gustav Klimt
sábado, janeiro 10, 2026
As minhas mãos
As minhas mãos estão geladas.
Escalei até ao topo da montanha
e o frio atormentou-me
como lâminas afiadas,
que me rasgaram a pele,
os pensamentos, o olhar, as mãos.
O teclado está-me interdito.
O poema que criei
fica em suspenso, guardado
no fundo da minha alma.
Talvez, amanhã, o sol resplandeça
e com o calor me conforte
e liberte desta inércia.
É que numa longa noite escura,
também há luz.
Emília Simões
10.01.2026
sábado, novembro 15, 2025
Um poema
Um poema nem sempre segue o raciocínio do poeta.
Entra em ziguezague para a direita e para a esquerda
buscando num labirinto de memórias
imagens presentes e passadas
de pessoas, de paisagens, de cidades,
de amores e desamores, de luzes e cores.
Na insatisfação do que escreve, o poeta
continua obstinadamente o seu esforço
num procura infrutífera, que insiste
em negar-lhe a razão de um poema
que o satisfaça.
Não desiste e continua teimosamente.
Mistura palavras com e sem nexo.
Até que cansado, pousa a caneta
sobre o caderno, abre a janela e
deixa o vento entrar!
Talvez daqui a pouco se faça luz
e o pensamento se liberte,
para que, finalmente, o poema germine.
Emília Simões
15.11.2025
sábado, abril 05, 2025
Um poema germina
Dissemino palavras, imprecisas,
sob a magnólia do jardim;
Deixo que o tempo as faça florescer na primavera.
Não sei se as palavras tem odor, como as flores do jasmim
dependuradas do muro, em redor da casa.
Todos os dias espreito da janela
para enxergar alguma palavra, nas folhas
da magnólia, mas o vento, em rodopio,
confunde-me o olhar.
Numa manhã, deparo-me com um broto,
que me parece uma folha a perfurar
uma pétala de magnólia, caída no chão.
O poema inicia o seu ciclo
e, como a primavera, chegou o tempo
de vicejar.
sábado, fevereiro 24, 2024
Palavras adormecidas
Palavras adormecidas
teimam em cingir-me a voz
que rouca, pelo frio do inverno,
se aninha no meu rosto gelado.
No firmamento aves esvoaçam
lado a lado com o vento
e, letras à solta, como folhas,
pousam no meu regaço
que as recolhe sofregamente.
No silêncio da tarde
talvez soletre um poema,
com as penas
que os pássaros deixaram cair
no ruído do seu voo.
Emília Simões
24.02.2024
Imagem Google
sábado, novembro 25, 2023
No meu canto
No meu canto escrevo uma palavra,
depois outra e ainda outra.
Que pretendem meus dedos expressar
quando seguram a caneta e ela desliza
lentamente, como a desenhar um poema
que nem sequer está esboçado?
Deixo que gotas de tinta escorram
e molhem o papel e nesse borrão
eu tenha esculpido algo
que se assemelhe a poesia.
Tal como o pintor, quando na tela
deixa que as tintas se esbatam
e formem a sua inspiração contida.
A tinta secou, olho-a incrédula!
Nada restou e o poema não aconteceu.
Ailime
25.11.2023
Imagem Google
sábado, julho 15, 2023
Sem palavras não há poema
Mas num pequeno galho
a ave constrói o seu ninho
e a poesia nasce.
A natureza está em festa.
Borboletas esvoaçam,
as flores brilham ao sol,
a terra parece sorrir,
tudo se enquadra
numa bela expressão de amor.
O poema não precisa de palavras,
apenas um pouco de silêncio
na contemplação
da natureza,
até confundir-se com ela.
sábado, abril 01, 2023
Metamorfoses
Há um aroma nas pedras que não sei explicar.
Alinham-se à beira-mar,
nos caminhos,
nas estradas cheias de pó
e também sobre os muros;
estas são as que estão mais desalinhadas
dentro do seu alinhamento.
Tal como as palavras
dentro do poema
que nem sempre rimam
com a palavra poesia.
Deixo-as para trás
e procuro uma luz nas sombras
que me ajude a entender
as metamorfoses que não param
de me desassossegar.
Alime
01.04.2023
sábado, fevereiro 04, 2023
O pensamento imerge no silêncio
Mariusz Lewandowski
O pensamento imerge no silêncio,
e o silêncio alimenta-se do pensamento.
Juntos são inevitáveis na construção da vida,
na construção do poema,
quando as palavras se refugiam
no mais recôndito do ser
o silêncio mergulha no escuro;
mas logo o pensamento o desperta
e ambos entram num bailado
de ideias, sem terem a certeza de nada.
Como os pássaros esvoaçam à deriva
aguardando que a primavera
os deslinde nas suas raízes.
04.02.2023
sábado, março 05, 2022
O poema nunca está completo
emoções, que lhe brotam da alma
como a nascente do rio
que desliza suavemente pelos socalcos
da montanha, a perder de vista.
O poema nunca está completo.
Há uma sede de palavras
que não se mitiga em qualquer fonte.
As palavras têm asas que buscam
silêncios, sorrisos, alegrias, amor,
mergulhados no mais profundo do âmago.
O poeta e a poesia estão em constante
conflito de ideias e ideais,
porque o poema nunca está completo.
O poema necessita ser cinzelado,
afagado, como se fora uma escultura,
mas deixa sempre o caminho aberto
para uma nova fonte, uma nova sede,
uma nova emoção.
O poema nunca está completo,
porque o poeta continua a existir
para além das palavras.
Ailime
05.03.2022
terça-feira, outubro 05, 2021
Nem sempre o poema germina
Nem sempre o poema germina
como se fora raiz a brotar do chão árido.
O poema tem de ser esculpido,
entalhado, como se fora uma obra de arte
nas mãos do escultor
que grava a sua arte na pedra,
antes informe e discreta.
O poema na ausência das palavras
deve ser voz
a anunciar os ecos do silêncio
dos desertos profundos.
O poema necessita ser água
límpida e pura
para mitigar a sede dos poetas.
Ailime
05.10.2021
Imagem Google
quinta-feira, março 11, 2021
O poema pode conter silêncios
sorrisos e pores do sol.
Pode ser, simplesmente, uma folha
que esvoaça ao vento levando um beijo
para um amor distante.
Pode conter ecos da alma,
murmúrios do mar,
memórias e saudades.
Pode ser, simplesmente,
uma linha reta ou
uma curva com metáforas
onde crescem flores na primavera.
Um poema pode ser, simplesmente,
um pássaro a voar.
Ailime
11.03.2021
Imagem Google
sexta-feira, novembro 13, 2020
Os meus gestos
ora lentos, ora apressados, ou apenas soletrados por pensamentos
que se entrecruzam com as mãos, que ora se poisam em cima da mesa
ou simplesmente se esgueiram para o poema em embrião.
Por vezes tento acalmá-las, mas escapam-se-me com ligeireza
como se tivessem ânsia de chegar antes de mim.
As minhas mãos e os meus gestos sempre se desencontraram
como se uma certa tensão se aninhasse nas pontas dos dedos
e o poema ficasse enclausurado na teia das palavras.
sexta-feira, setembro 11, 2020
O poema

O poema pode conter palavras sem nexo
reecontros nas entrelinhas
movimentos ascendentes ou descendentes
ruas desertas com ou sem metáforas
terras de quase ninguém.
esboços de gestos abstratos
amores e desamores
alegrias e tristezas
ausências de quem já passou
as agruras e crueldades da vida.
o poema pode conter apenas numa linha
o sentir do poeta
no lusco-fusco da vida
indiferente à ausência dos pássaros.
Texto
Ailime
11.09.2020
Imagem Google
quinta-feira, maio 21, 2020
O verso

Na ausência das palavras
o verso, envergonhado,
esconde-se no reverso
das sílabas.
Não o pronuncio.
Não quero profanar
a sua essência
na cadência do poema.
Texto Ailime
Foto Google
21.05.2020
sexta-feira, junho 24, 2011
Silêncios
Ailime
24.06.2011
Imagem da Net







