O silêncio é uma criança a brincar.
O silêncio é gritar o amor sem dizer nada.
O silêncio é amar-te, assim, sem medida.
«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
O silêncio é uma criança a brincar.
O silêncio é gritar o amor sem dizer nada.
O silêncio é amar-te, assim, sem medida.
A chuva é poesia a cair das nuvens
envolvendo-me em paz e silêncio
quando a observo através da janela,
como se fosse um momento
de introspeção sobre a vida.
A chuva é esperança a inundar-me o regaço,
como pássaros
que anteveem a primavera
nos seus voos molhados,
suspensos sob os beirais.
A chuva é uma melodia
que me embala e traz consolo,
quando o vazio se instala em mim
e o frio me trespassa, deixando
o meu corpo exausto.
A chuva tem um cheiro singular.
Rega a terra e prepara-a
para que a vida renasça na primavera,
aqueça os corpos no calor do verão
e nos ofereça a beleza de outono.
Não tardará e será outra vez inverno.
A chuva voltará a cair
e dentro de mim
os pássaros molhados
voltarão de novo a cantar.
Chovia e a tarde era apenas o som da chuva;
de vez em quando um trovão ressoava-lhe nas mãos,
que rapidamente tentava esconder
para que não se vissem as chagas
que lhe distorciam os dedos.
Era sempre assim quando o ruído
se entranhava dentro de si, sem voz,
e apenas a chuva lhe enchia o peito
do grito que, abafado, soltava.
Recusara sempre ser apenas um sopro
desfeito pelas gotas da chuva,
a quem o tempo roubara o pensamento.
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| Foto de Alexandre Mansur |
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| Leonid Afremov |