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sábado, julho 25, 2026

O silêncio é ...

O silêncio é uma flor que desabrochou ao sol.
O silêncio é um pássaro que voa
ao entardecer sobre o mar.

O silêncio é uma criança a brincar.

O silêncio é um abraço apertado de um amigo.
O silêncio é a chuva a molhar-te ao relento.
O silêncio é o sol a entrar pela tua janela.

O silêncio é a aragem fresca da madrugada.
O silêncio é o teu olhar nos olhos do outro.
O silêncio é o espanto na alegria da surpresa.

O silêncio é gritar o amor sem dizer nada.

O silêncio é amar-te, assim, sem medida.


Texto e foto (Sol IA)
Emília Simões
25.07.2026




sábado, maio 09, 2026

O tempo


Photohobo


O tempo é implacável!

Não se deixa dominar.

Esgueira-se

por entre os dedos das mãos

como grãos de areia na praia.

Quase sufoca

pela rapidez com que

nos ultrapassa.

Nada o detém.

Oprime o pensamento

e as névoas retiram

brilho ao olhar.

Os caminhos têm mais escolhos

e reaprende-se a caminhar.

Há que dar tempo ao tempo

e fingir alguma indiferença

perante a sua voracidade.

Deixar que a criança que nos habita,

se sobreponha ao tempo

e nos ensine a olhá-lo

com alguma complacência,

com alguma dignidade.

Texto
Emília Simões
09.05.2026


sábado, janeiro 03, 2026

Nos teus olhos

Pixabay


Nos teus olhos quietos não se vislumbrava alegria.
Por vezes choravas e eu perguntava-te - porquê?
Não me respondias e, triste, não pensava em nada.
Fazia-se silêncio entre nós.
Era ainda muito criança,
para entender as dores dos adultos.

A tristeza morava em ti, silenciosa.
Olhavas o mundo sem tocá-lo;
calavas as feridas que te rasgavam por dentro,
presas naquele olhar profundo,
onde a angústia se escondia.

Dos teus olhos brotavam lágrimas,
como pérolas, a rolar pelo teu rosto belo.
Algumas caíam-me sobre as mãos,
que inocentemente te estendia.

Raramente sorrias.
O teu mundo fechava-se em ti,
apertava-te o peito,
e eu sentia, sem compreender,
que algo te consumia por dentro.

Ali, em silêncio, frente a frente,
ficávamos a olhar-nos
sem palavras, sem respostas.
Talvez o tempo, um dia,
me ensinasse aquilo que o teu olhar
guardava.

Texto
Emília Simões
03.01.2026



sábado, junho 24, 2023

Não sabia os caminhos de cor

Luiz Mendes


Traçou com uma lufada de vento

o caminho que perseguia

e nem as flores nem as árvores

lhe disseram qual o destino

que havia de percorrer.


Sentia-se perdida, ao abandono,

como criança inocente

que, por momentos, larga a mão de seu pai

e cai desamparada no chão.


Não sabia os caminhos de cor

tão longa a distância a alcançar

movia-a apenas o sentido do sol

a acender-lhe no peito

a chama brilhante do dia

até confundir-se com ele.



Texto
Ailime
24.06.2023


quarta-feira, março 03, 2021

Não fora a amendoeira florida




Dias sombrios penetram
o meu olhar, o meu sentir.
Não fora a amendoeira florida
no fundo do quintal 
e o alegre esvoaçar dos pássaros
com seus cantos atrevidos,
o inverno seria mais longo
e os dias menos claros.

No horizonte uma nuvem azul
brilha ao sol da manhã.
A natureza em alvoroço
acorda como uma criança
a brincar no jardim.

Debruçada na minha janela
o meu olhar, timidamente  sorri.


Texto e foto
Ailime
03.03.2021