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sábado, julho 18, 2026

O beijo

O beijo
Gustav Klimt

O beijo é sagrado
quando sela o amor
que vai esculpindo a vida 
no desbravar de horizontes
fixando os olhares
na mesma direção,

tantas vezes atravessando
desertos áridos
sentindo a areia a escorrer
entre os pés 
e uma sede dorida,
sem oásis à vista.

O beijo é sagrado
quando lê no outro o próprio
pensamento
numa simples chávena de café
esquecida sobre a mesa.

O beijo é sagrado
quando tantas vezes 
é o silêncio que fala.

O beijo é sagrado
 quando desperta o desejo
da construção do poema —

 a aprendizagem da vida,
 o nosso maior poema.

Texto
Emília Simões
18.07.2026

sábado, agosto 16, 2025

Nas margens do meu rio

Vecteezy


Nas margens do meu rio

há uma enorme angústia,

uma sede intensa.

Tudo arde, até o leito do rio

emana labaredas 

que queimam os peixes.

Do teu rosto

soltam-se gotas de suor

e o sal cava-te rugas profundas

nas entranhas,

que choram

o calor da terra, do mundo.

Um deserto aproxima-se.

Perdi a noção do meu espaço.

Tudo se transforma.

Fico imóvel como pedra.

Ao meu redor apenas silêncio

e o chão em brasa.


Texto
Emília Simões
16.08.2025


sábado, junho 21, 2025

Abraçar o verão


Na minha quietude
procuro refúgio entre sombras e flores,
sob o sol que arde fortemente
incendiando-me o olhar e o pensamento.
O meu corpo, lento, arrasta-se
como asa ferida, de ave em sobressalto.
A travessia é difícil; a sede seca-me os lábios.
As palavras emudecidas
não localizam o caminho até à fonte.
O suor  molha-me o rosto, todo o corpo.
O silêncio incita-me a resistir
e a abraçar o verão.


Texto e foto
@Emília Simões
21.06.2025




sábado, abril 26, 2025

Na sede que se fez alvorada

LovePik


Na sede que se fez alvorada

ainda ressoa o canto dos pássaros

que, em grande alvoroço,

sobrevoavam as cidades

clamando por justiça e amor.

Os ecos eram tão vigorosos,

que estradas se rasgaram de lés a lés

e todos avançavam no mesmo sentido,

a espalhar a notícia, que pairava no ar.

Foi um dia único na vida de um país

cinzento, triste, em que a primavera

se celebrava apenas nos campos.

Foi plena a festa que, nesse dia,

fez germinar nas cidades

campos de flores vermelhas.


Texto 
Emília Simões
26.04.2025

sábado, outubro 19, 2024

Ainda será tempo de salvar a Terra?



Ainda será tempo de salvar a Terra

se o Homem não ambicionar tesouros

se o poder não for a sua sede

mas o amor a sua ambição.


Ainda será tempo de salvar a Terra

se os vilões que fomentam a guerra

e fazem alastrar a fome e a morte

semearem campos de trigo

e plantarem sementes de paz.


Ainda será tempo de salvar a Terra

se o egoísmo der lugar ao desapego

e o Homem aprender a viver

com modéstia  e sentido de justiça.


Ainda será tempo de salvar a Terra

se o Homem beber das águas das fontes

e ficar saciado com o ar puro, a beleza e a luz

que emanam deste ainda tão fascinante Planeta.


Ainda será tempo de salvar a Terra?


Texto
Emília Simões
19.10.2024
Imagem Net

segunda-feira, dezembro 18, 2023

É dezembro, quase Natal!


É dezembro, quase Natal!

O frio alastra nas cidades,

vilas e aldeias.....

Azáfama costumeira

onde impera o consumismo

num frenesim desmedido,

torna dezembro ainda mais frio

para os que dormem ao relento,

para os que caem por terra

nos cenários de guerra.

Tanta fome no mundo,

tanta sede de afetos,

tanto choro de crianças nuas

por um destino

que lhes assassinou os pais.

Tanta prepotência e ganância,

que violam todos os direitos humanos.

É urgente  a paz, a fraternidade,

e o calor dos afetos. 

É urgente o Amor!

É urgente o Natal!


Texto
Ailime
Imagem Google
18.12.2023


Desejo a todos santo e feliz Natal!



sábado, julho 22, 2023

Percorria-a o silêncio



O vento esventrava-lhe os sentidos

perdida por entre as dunas do deserto

e a sede assediava-a a cada passo que dava

numa busca latente.

Percorria-a o silêncio

cada vez mais rouco, cada vez mais inaudível.

Apenas o vento e as areias

que lhe feriam os olhos

rasgados de tanto chorar

a impeliam, meio encurvada, no chão ardente.

Não sabia de cor o fim da viagem.

Apenas sabia que o seu destino

tinha um desígnio.


Texto
Ailime
22.07.2023
Imagem Google


sábado, março 11, 2023

Silêncio, sede, deserto.

 



Silêncio, sede, deserto.
Uma angústia perpassa o meu ser.
Horizontes nebulados.
Ecos sombrios envolvem-me
como uma muralha 
que me tolhe os movimentos
e me aprisiona.
O olhar fixo no além
distante das manhãs
que me oferecem a claridade 
presa nas asas dos pássaros
que esvoejam nas dunas.
Uma flor de primavera
brota no silêncio da tarde
mitigando-me a sede
no deserto invisível.


Texto
Ailime
11.03.2023

sábado, fevereiro 25, 2023

Na solidão do deserto


Na solidão do deserto

a sede, a fome, a tentação.

Nada te demove  do silêncio

que se abeirou das pedras

onde te sentas exausto.

A primavera aproxima-se 

e as flores abrir-se-ão

para te renovar a esperança

dos dias em que a noite te envolve.



Texto e foto
Ailime
25.02.2023



sábado, outubro 22, 2022

Sobre o dorso da terra o gemido

 


Sobre o dorso da terra o gemido

e a busca por dentro e por fora 

do precioso líquido

que mitigará a sede do mundo.

Não tardará....

Chegará  de mansinho

e depois como um dilúvio 

lavará todas as penas 

e as manchas

que inundam a terra

e os rios transbordarão.

Uma pausa à espera de resposta

e o arco-íris a espreitar

e a ouvir a minha prece.



Texto
 Ailime
Foto  do meu filho S.S.
22.10.2022


sábado, setembro 17, 2022

Tinhas nos olhos a sede


Anouk Lacasse

Tinhas nos olhos a sede

de quem sofre a solidão

das noites em que os relâmpagos

abrem crateras de fogo

no tumulto das palavras.


Tudo era tão inteiro

quando enchias o peito

com as cores do arco-íris

e as palavras tão breves

no reencontro dos versos.


Nas folhas caídas, lias as primaveras

recitadas na infância

quando o universo te abraçava

numa dança irrequieta

a balouçar nos braços do vento.


Texto
Ailime
11.09.2022

sábado, julho 02, 2022

Na solidão do vento

Erick Alves

Na solidão do vento encontro-me com o amanhã.

Os meus braços abrem-se como ramos de árvores

a baloiçarem-se num ritmo frenético

como se o outono surgisse no meio das folhas

que vão caindo amarelando o chão.


Nos muros já não brilham as glórias da manhã

que, ressequidas, apenas das hastes a lembrança

dos eflúvios que  aromatizavam  o meu ser

que agora preenchem um pacto de silêncio.


Não distingo nas sombras do vento

a claridade dos dias e os sons do alvorecer.

Apenas um pássaro veloz, indiferente à minha sede,

traça no céu as cores da primavera.


Texto
Ailime
01.07.2022

quarta-feira, março 23, 2022

Entre a luz e as sombras.


William Turner


Se queres enfrentar o caminho

percorre-o pedra sobre pedra;

encontrarás muros e declives

e descansarás no chão molhado.

A tua sede será mitigada,

mas não declines o futuro

que aos teus olhos se antevê.

Uma espécie de pacto será

o espanto que te distinguirá

entre a luz e as sombras.


Texto
Ailime
23.03.2022

sábado, março 05, 2022

O poema nunca está completo


Gustav Klimt


O poeta é um caçador insaciável de
emoções, que lhe brotam  da alma
como a nascente do rio
que desliza suavemente pelos socalcos
da montanha, a perder de vista.
O poema nunca está completo.
Há uma sede de palavras
que não se mitiga em qualquer fonte.
As palavras têm asas que buscam
silêncios, sorrisos, alegrias, amor,
mergulhados no mais profundo do âmago.
O poeta e a poesia estão em constante
conflito de ideias e ideais, 
porque o poema nunca está completo.
O poema necessita ser cinzelado,
afagado, como se fora uma escultura,
mas deixa sempre o caminho aberto
para uma nova fonte, uma nova sede,
uma nova emoção.  
O poema nunca está completo,
porque o poeta continua a existir
para além das palavras.


Texto
Ailime
05.03.2022

sexta-feira, dezembro 10, 2021

Um dia a minha sede

 



Um dia a minha sede

será saciada pela fonte do deserto.

As chuvas molhar-me-ão o rosto

e sentirei o orvalho das manhãs

a afagar-me os cabelos.

As tardes serão mais lisas

e falar-me-ão de crepúsculos,

que se escondem atrás das nuvens

onde os pássaros se detêm

nos voos,

a acalentar-me nas noites

longas,

De sonhos improváveis.


Texto
Ailime
10.12.2021
Imagem Google

terça-feira, outubro 05, 2021

Nem sempre o poema germina



Nem sempre o poema germina

como se fora raiz a brotar do chão árido.

O poema tem de ser esculpido,

entalhado, como se fora uma obra de arte

nas mãos do escultor

que grava a sua arte na pedra,

antes informe e discreta.

O poema na ausência das palavras

deve ser voz

a anunciar os ecos do silêncio

dos desertos profundos.

O poema necessita ser água

límpida e pura

para mitigar a sede dos poetas.


Texto 
Ailime
05.10.2021
Imagem Google

terça-feira, julho 27, 2021

O verão é feito de sol



O verão é feito de sol, areia e água salgada.

(por vezes a chuva cai impiedosa)

As ondas beijam as praias e os barcos 

navegam na costa os teus cabelos ao vento.


Na esplanada corpos tisnados pelo sol

brilham como a luz do crepúsculo 

e saboreiam um coquetel gelado

para mitigarem a sede.


No regresso à praia 

envolvem-se na brisa marinha

como nuvens de espuma

a reter as marés.


O verão é também o pôr do sol

quando o céu incendiado

derrama sobre os corpos nus

a luz do entardecer.


Texto e foto
Ailime
27.07.2021

quarta-feira, abril 14, 2021

Com palavras construo o tempo

 



Com palavras construo o tempo

a resvalar por entre os dedos

desvendando memórias

e sobressaltos

presos na alma,

onde concebo o futuro.

Há momentos em que

a minha  voz velada

se prende no deserto

e a sede  fere-me os lábios

e as mãos vazias e gastas

fazem eco de silêncios,

que não guardam as palavras

que se desprendem de mim.

Atravesso o tempo como asas em pleno voo.



Texto
Ailime
14.04.2021
Imagem Google

sexta-feira, outubro 02, 2020

Era outono

 
Tela de José Malhoa


O seu rosto erguia-se no parapeito da janela
para o vizinho que lhe contemplava no olhar
a ternura dos dias perdidos
quando o outono teimava em
rasgar-lhe nas faces a colheita das uvas
douradas como mel a escorrer-lhe
pelos cantos da boca ávida dos beijos
ocultados nas tardes serôdias.
Era o tempo das vindimas
O tempo dos frutos maduros
Dos aromas a mosto e a sede
Era outono.

Texto
 Ailime
02.10.2020


sexta-feira, junho 19, 2020

O amor


O amor é uma fonte silente
que vai regando o teu colo de luz
parede raiada de branco
onde repousas o coração
rasgas o vento
que te sacia a sede,
mitiga a volúpia
te acende os sentidos
que te desnorteia
quando despertas a pele
no abismo das chamas
até ao dilúvio.


Texto
Ailime
19.06.20
Imagem Google