Gustav Klimt
«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, julho 18, 2026
O beijo
Gustav Klimt
sábado, agosto 16, 2025
Nas margens do meu rio
Nas margens do meu rio
há uma enorme angústia,
uma sede intensa.
Tudo arde, até o leito do rio
emana labaredas
que queimam os peixes.
Do teu rosto
soltam-se gotas de suor
e o sal cava-te rugas profundas
nas entranhas,
que choram
o calor da terra, do mundo.
Um deserto aproxima-se.
Perdi a noção do meu espaço.
Tudo se transforma.
Fico imóvel como pedra.
Ao meu redor apenas silêncio
e o chão em brasa.
Emília Simões
16.08.2025
sábado, junho 21, 2025
Abraçar o verão
Na minha quietude
procuro refúgio entre sombras e flores,
sob o sol que arde fortemente
incendiando-me o olhar e o pensamento.
O meu corpo, lento, arrasta-se
como asa ferida, de ave em sobressalto.
A travessia é difícil; a sede seca-me os lábios.
As palavras emudecidas
não localizam o caminho até à fonte.
O suor molha-me o rosto, todo o corpo.
O silêncio incita-me a resistir
e a abraçar o verão.
sábado, abril 26, 2025
Na sede que se fez alvorada
Na sede que se fez alvorada
ainda ressoa o canto dos pássaros
que, em grande alvoroço,
sobrevoavam as cidades
clamando por justiça e amor.
Os ecos eram tão vigorosos,
que estradas se rasgaram de lés a lés
e todos avançavam no mesmo sentido,
a espalhar a notícia, que pairava no ar.
Foi um dia único na vida de um país
cinzento, triste, em que a primavera
se celebrava apenas nos campos.
Foi plena a festa que, nesse dia,
fez germinar nas cidades
campos de flores vermelhas.
Emília Simões
26.04.2025
sábado, outubro 19, 2024
Ainda será tempo de salvar a Terra?
Ainda será tempo de salvar a Terra
se o Homem não ambicionar tesouros
se o poder não for a sua sede
mas o amor a sua ambição.
Ainda será tempo de salvar a Terra
se os vilões que fomentam a guerra
e fazem alastrar a fome e a morte
semearem campos de trigo
e plantarem sementes de paz.
Ainda será tempo de salvar a Terra
se o egoísmo der lugar ao desapego
e o Homem aprender a viver
com modéstia e sentido de justiça.
Ainda será tempo de salvar a Terra
se o Homem beber das águas das fontes
e ficar saciado com o ar puro, a beleza e a luz
que emanam deste ainda tão fascinante Planeta.
Ainda será tempo de salvar a Terra?
Emília Simões
Imagem Net
segunda-feira, dezembro 18, 2023
É dezembro, quase Natal!
É dezembro, quase Natal!
O frio alastra nas cidades,
vilas e aldeias.....
Azáfama costumeira
onde impera o consumismo
num frenesim desmedido,
torna dezembro ainda mais frio
para os que dormem ao relento,
para os que caem por terra
nos cenários de guerra.
Tanta fome no mundo,
tanta sede de afetos,
tanto choro de crianças nuas
por um destino
que lhes assassinou os pais.
Tanta prepotência e ganância,
que violam todos os direitos humanos.
É urgente a paz, a fraternidade,
e o calor dos afetos.
É urgente o Amor!
É urgente o Natal!
Ailime
Imagem Google
18.12.2023
Desejo a todos santo e feliz Natal!
sábado, julho 22, 2023
Percorria-a o silêncio
perdida por entre as dunas do deserto
e a sede assediava-a a cada passo que dava
numa busca latente.
Percorria-a o silêncio
cada vez mais rouco, cada vez mais inaudível.
Apenas o vento e as areias
que lhe feriam os olhos
rasgados de tanto chorar
a impeliam, meio encurvada, no chão ardente.
Não sabia de cor o fim da viagem.
Apenas sabia que o seu destino
tinha um desígnio.
Ailime
22.07.2023
Imagem Google
sábado, março 11, 2023
Silêncio, sede, deserto.
sábado, fevereiro 25, 2023
Na solidão do deserto
Na solidão do deserto
a sede, a fome, a tentação.
Nada te demove do silêncio
que se abeirou das pedras
onde te sentas exausto.
A primavera aproxima-se
e as flores abrir-se-ão
para te renovar a esperança
dos dias em que a noite te envolve.
Ailime
25.02.2023
sábado, outubro 22, 2022
Sobre o dorso da terra o gemido
Sobre o dorso da terra o gemido
e a busca por dentro e por fora
do precioso líquido
que mitigará a sede do mundo.
Não tardará....
Chegará de mansinho
e depois como um dilúvio
lavará todas as penas
e as manchas
que inundam a terra
e os rios transbordarão.
Uma pausa à espera de resposta
e o arco-íris a espreitar
e a ouvir a minha prece.
Texto
Ailime
22.10.2022
sábado, setembro 17, 2022
Tinhas nos olhos a sede
Tinhas nos olhos a sede
de quem sofre a solidão
das noites em que os relâmpagos
abrem crateras de fogo
no tumulto das palavras.
Tudo era tão inteiro
quando enchias o peito
com as cores do arco-íris
e as palavras tão breves
no reencontro dos versos.
Nas folhas caídas, lias as primaveras
recitadas na infância
quando o universo te abraçava
numa dança irrequieta
a balouçar nos braços do vento.
Ailime
sábado, julho 02, 2022
Na solidão do vento
Na solidão do vento encontro-me com o amanhã.
Os meus braços abrem-se como ramos de árvores
a baloiçarem-se num ritmo frenético
como se o outono surgisse no meio das folhas
que vão caindo amarelando o chão.
Nos muros já não brilham as glórias da manhã
que, ressequidas, apenas das hastes a lembrança
dos eflúvios que aromatizavam o meu ser
que agora preenchem um pacto de silêncio.
Não distingo nas sombras do vento
a claridade dos dias e os sons do alvorecer.
Apenas um pássaro veloz, indiferente à minha sede,
traça no céu as cores da primavera.
Ailime
01.07.2022
quarta-feira, março 23, 2022
Entre a luz e as sombras.
William Turner
Se queres enfrentar o caminho
percorre-o pedra sobre pedra;
encontrarás muros e declives
e descansarás no chão molhado.
A tua sede será mitigada,
mas não declines o futuro
que aos teus olhos se antevê.
Uma espécie de pacto será
o espanto que te distinguirá
entre a luz e as sombras.
Ailime
23.03.2022
sábado, março 05, 2022
O poema nunca está completo
emoções, que lhe brotam da alma
como a nascente do rio
que desliza suavemente pelos socalcos
da montanha, a perder de vista.
O poema nunca está completo.
Há uma sede de palavras
que não se mitiga em qualquer fonte.
As palavras têm asas que buscam
silêncios, sorrisos, alegrias, amor,
mergulhados no mais profundo do âmago.
O poeta e a poesia estão em constante
conflito de ideias e ideais,
porque o poema nunca está completo.
O poema necessita ser cinzelado,
afagado, como se fora uma escultura,
mas deixa sempre o caminho aberto
para uma nova fonte, uma nova sede,
uma nova emoção.
O poema nunca está completo,
porque o poeta continua a existir
para além das palavras.
Ailime
05.03.2022
sexta-feira, dezembro 10, 2021
Um dia a minha sede
Um dia a minha sede
será saciada pela fonte do deserto.
As chuvas molhar-me-ão o rosto
e sentirei o orvalho das manhãs
a afagar-me os cabelos.
As tardes serão mais lisas
e falar-me-ão de crepúsculos,
que se escondem atrás das nuvens
onde os pássaros se detêm
nos voos,
a acalentar-me nas noites
longas,
De sonhos improváveis.
Ailime
10.12.2021
Imagem Google
terça-feira, outubro 05, 2021
Nem sempre o poema germina
Nem sempre o poema germina
como se fora raiz a brotar do chão árido.
O poema tem de ser esculpido,
entalhado, como se fora uma obra de arte
nas mãos do escultor
que grava a sua arte na pedra,
antes informe e discreta.
O poema na ausência das palavras
deve ser voz
a anunciar os ecos do silêncio
dos desertos profundos.
O poema necessita ser água
límpida e pura
para mitigar a sede dos poetas.
Ailime
05.10.2021
Imagem Google
terça-feira, julho 27, 2021
O verão é feito de sol
O verão é feito de sol, areia e água salgada.
(por vezes a chuva cai impiedosa)
As ondas beijam as praias e os barcos
navegam na costa os teus cabelos ao vento.
Na esplanada corpos tisnados pelo sol
brilham como a luz do crepúsculo
e saboreiam um coquetel gelado
para mitigarem a sede.
No regresso à praia
envolvem-se na brisa marinha
como nuvens de espuma
a reter as marés.
O verão é também o pôr do sol
quando o céu incendiado
derrama sobre os corpos nus
a luz do entardecer.
Ailime
27.07.2021
quarta-feira, abril 14, 2021
Com palavras construo o tempo
a resvalar por entre os dedos
desvendando memórias
e sobressaltos
presos na alma,
onde concebo o futuro.
Há momentos em que
a minha voz velada
se prende no deserto
e a sede fere-me os lábios
e as mãos vazias e gastas
fazem eco de silêncios,
que não guardam as palavras
que se desprendem de mim.
Atravesso o tempo como asas em pleno voo.
Ailime
14.04.2021
sexta-feira, outubro 02, 2020
Era outono
para o vizinho que lhe contemplava no olhar
a ternura dos dias perdidos
quando o outono teimava em
rasgar-lhe nas faces a colheita das uvas
douradas como mel a escorrer-lhe
pelos cantos da boca ávida dos beijos
ocultados nas tardes serôdias.
Era o tempo das vindimas
O tempo dos frutos maduros
Dos aromas a mosto e a sede
Era outono.
sexta-feira, junho 19, 2020
O amor
O amor é uma fonte silente
que vai regando o teu colo de luz
parede raiada de branco
onde repousas o coração
rasgas o vento
que te sacia a sede,
mitiga a volúpia
te acende os sentidos
que te desnorteia
quando despertas a pele
no abismo das chamas
até ao dilúvio.
Texto
Ailime
19.06.20
Imagem Google

.png)









