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sábado, outubro 04, 2025

Recomeçar a viver

Edvard Munch


O medo está presente
na essência da existência.
Limita os gestos,
as emoções,
perturba a nossa identidade,
distancia-nos do convívio social.
O medo é como um gigante
que bloqueia o potencial do ser humano
para alcançar a sua realização plena.
O mundo apresenta-se como um desafio
convidando-nos a libertar-nos,
a soltar as correntes que nos prendem
às suas garras.
Existe um universo
que nos chama e espera por nós,
pela nossa empatia,
pelo nosso amor.
Não devemos temer.
Superemos o medo e a apatia,
sentindo-nos livres para recomeçar a viver.

Texto
Emília Simões
04.10.2025


sábado, março 08, 2025

O silêncio do deserto


O silêncio do deserto
convida a contemplação,
a introspeção,
numa busca interior
em que os ruídos
do mundo não interferem.
No deserto não há solidão.
Apenas o desejo de escavar no 
mais profundo do âmago
o que perturba, o que não está bem,
o que cega e retira o brilho
do sentido da vida.
Deserto, terreno propício
à conversão dos atos
e formas de viver.
No deserto há sempre
um espaço favorável
para colher uma flor.

Desejo a todas as Mulheres
Feliz Dia!

Texto e foto
Emília Simões
08.03.2025

sábado, outubro 05, 2024

Passo à tua porta

 
José Malhoa


Passo à tua porta, subo o degrau;

a pedra desfaz-se sob os meus passos.

O tempo pesa sobre o meu corpo

tão distante da leveza dos gestos,

quando te procurava e me enlaçavas

nos teus braços tão fortes

que me faziam sentir muito amada.

O tempo tudo traz e tudo leva,

mas como as folhas  caídas

que atapetam o chão no outono,

na primavera brotam revigoradas

 e volto a sonhar outra vez

com a leveza e ternura dos gestos,

 gravados no meu viver,

Texto
Emília Simões
04.10.2024


sábado, junho 08, 2024

Era pungente o seu viver



Era pungente o seu viver.

Penalizava-se por atos irrefletidos.

Chegava a cravar as unhas nas 

palmas das mãos

para se distrair desses atos

que ainda a combaliam.

Não dava mostras de remorsos,

mas fora dura consigo mesma

e não se perdoava

martirizando-se descalça

sobre espinhos que lhe feriam a alma.

O suor a escorrer sangue,

os lábios cerrados cobertos de sal,

não lhe davam a paz

que o seu coração ansiava.

Na correnteza do rio

muitas lágrimas caídas

misturavam-se com os peixes.

Ainda hoje se julga amarrada

à pedra onde esculpia a sua dor.

Texto
(Ensaio sobre ficção)
Emília Simões
08.06.2024
Imagem Google

domingo, outubro 09, 2011

Despertar diferente


Vou deixar que a vida flua
Como as linhas de água
Que correm serenamente
Deixando
Nas margens
Um suave cheiro
A manhã.
Vou apreciar em cada flor
Os gestos afáveis
De cada ser humano.
Vou aprender a sorrir
Em cada raio de sol
Que ilumina cada dia.
Vou admirar o luar,
As estrelas e o mar.
Vou aceitar com serenidade
Caminhar na vida,
Em cada manhã que desponta.
Vou, enfim, reaprender a viver
Neste despertar diferente.

Ailime
09.10.2011
Imagem da Net