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sábado, agosto 19, 2023

Há que redescobrir silêncios



As tarefas rotineiras são cansativas,

como são cansativos os dias sem luz.

Por vezes as palavras colam-se à língua

e não desatam os versos que

que habitam o silêncio

no mais recôndito de nós.

Torna-se necessário novas primaveras

que nos devolvam os pássaros

com seus cantos maviosos

que nos ensinem outras canções.

Há que redescobrir silêncios

que nos ajudem a atravessar

novos caminhos, novas pontes,

novos jardins, com flores sem nome.

Há que soltar as palavras

nos rodopios do vento;

há que reiventar as canções

nas escarpas do amor.


Texto
Ailime
Imagem Google

sábado, novembro 05, 2022

Por vezes as palavras hibernam

Angela Betta Casale


Por vezes as palavras hibernam

e ficam retidas em silêncio

no mais recôndito do meu ser.

Nem o vento,

nem o voo dos pássaros

as fazem despertar.


Como num sonho

corro atrás delas, tentando libertá-las.

Elas persistem num mutismo secreto,

que me prende a língua

e tolhe os sentidos ausentes

da realidade, que me atordoa.


No esplendor da manhã

abro a janela e deixo que o sol

desperte, no silêncio das palavras,

o rio que habita em mim.



Texto
Ailime
05.11.2022
Imagem Google

terça-feira, janeiro 15, 2019

As palavras


A língua prende-se na voz
e  tolhe as parcas palavras
que, silenciosas, se recolhem
como búzios em maré vaza.

As sílabas que tento soletrar
estão reféns como barcos,
que encalhados nos cais,
há muito perderam os mastros.

Um pássaro em pleno voo
resgata-me desta indolência.

Colada às suas asas
vagueio pelo firmamento
até que um sopro de vento
me liberte e devolva as palavras.



Texto
Ailime
15.01.2019
Imagem Google