segunda-feira, junho 29, 2020

O silêncio

O silêncio raramente escuta o que tenho para lhe dizer
If I Die Young • Não importa onde estivermos nosso amor sempre ...tomba-me na face qual lágrima de cristal
a inundar a margem das sombras invisíveis
como barco encalhado  nas marés cheias de pássaros
e a luz a querer perpetrar um sol faiscante
qual oásis num deserto sedento e solitário.
Enquanto isso os ecos continuam imperturbáveis.




Texto
Ailime
29.06.2020
Imgem Google

sexta-feira, junho 19, 2020

O amor


O amor é uma fonte silente
que vai regando o teu colo de luz
parede raiada de branco
onde repousas o coração
rasgas o vento
que te sacia a sede,
mitiga a volúpia
te acende os sentidos
que te desnorteia
quando despertas a pele
no abismo das chamas
até ao dilúvio.


Texto
Ailime
19.06.20
Imagem Google

quinta-feira, junho 11, 2020

Num abraço de folhas.


TEXTOS, CONTEXTOS E REFLEXÕES: MEMÓRIAS PERDIDAS


Na solidão do tempo
encontrei palavras ao vento
que me falaram de sombras
e do sentido do luar
de vida e de silêncio
do velho relógio esquecido
de relâmpagos e de rios
de margens e pássaros verdes
de caminhos e de chão
de claridades e marés
de alegria, luz e flores
num abraço de folhas.


Texto 
Ailime
09.06.2020
Imagem Google

sexta-feira, junho 05, 2020

Jardim sem bancos

Trajeto de floresta da mola com sunbeams da manhã imagem de stock

Há um jardim sem bancos,
nem flores, nem pássaros.
Sento-me sobre uma pedra
e inalo a primavera
numa nesga de sol,
que se adentra em mim
por entre lastros verdes de céu.
Alguns insetos
atordoam-me os sentidos
libertos, na manhã clara,
que me enlaça como um
sopro de vento macio.
Os pássaros, ausentes,
ainda não cantam.
As folhas agitam-se.




Texto 
Ailime
03.06.2020
Imagem Google

sábado, maio 30, 2020

A terra seca

O Semeador de Vida: Você é uma terra Seca.


Ao pé da laranjeira
encontrei o caminho
onde outrora te encontrava
desbravando as silvas
a terra seca, árida
a fonte longínqua
onde quebrantei a sede
tantas vezes
na lonjura dos dias
subindo encostas,
de costas
amparando a queda
a saltar à corda
como se o mundo
tivesse ali o seu princípio.


Texto
Ailime
30.05.2020
Imagem Google

quinta-feira, maio 21, 2020

O verso

A vida é um sopro – Caminhante Aprendiz


Na ausência das palavras
o verso, envergonhado,
esconde-se no reverso
das sílabas.
Não o pronuncio.
Não quero profanar
a sua essência
na cadência do poema.


Texto Ailime
Foto Google
21.05.2020

quinta-feira, maio 14, 2020

Poema de Graça Pires



Foto Ailime

Secaram as roseiras bravas
cultivadas no atalho da paisagem.
Uma mulher canta roucamente
e o seu canto é um brado
em desavença com a mudez
enraizada na garganta.
Vagarosamente, enrodilha na anca
as vestes de pano cerzido
e afaga seu corpo com as mãos ásperas
como as roseiras bravas.
Tão precário, o perfume das rosas!

Do seu novo Livro

A solidão é como o vento (pág. 48)

_ Graça Pires_


quinta-feira, maio 07, 2020

Uma rua



No rio que corre em mim
há agora uma rua
com pedras nuas
desprovidas de margens
e pássaros
uma rua reinventada
por medos e sombras
onde os ecos me falam
não de flores e primaveras
mas de inverno e solidão
uma rua fria, sem pirilampos
sem estrelas, sem luar
uma rua sem abraços,
nem barcos a velejar
uma rua que me fala
simplesmente, de ti.

Texto e foto
Ailime
07.05.2020

sexta-feira, maio 01, 2020

Desprendo-me da noite

CANTO-MEU: Desprendo-me da noite

Levanto-me e desprendo-me da noite 
mas não sei se já é madrugada 
Atrás de mim a inocência 
dos passos que dou devagar 
O meu olhar abre a janela 
A lua, quarto minguante, sorri 
Por vezes tropeço nas estrelas 
e estendo-lhes as mãos 
os braços ...
O vazio no meu colo. 
Uma estrela cadente 
sopra-me no olhar 
uma ténue claridade. 




Texto (reedição)
Ailime
01.06.2019
Imagem Google

quarta-feira, abril 22, 2020

Nas calçadas ainda há vestígios



Nas calçadas ainda há vestígios
das flores rubras da manhã
que bebi como um néctar
quando a madrugada se soltou 

Pássaros esvoaçavam de galho em galho
e alertei-os da chegada da primavera.
Sorriram e voaram mais alto
a perpetrarem a canção
que as vozes ainda sustinham

Em bandos, todos os outros pássaros
entoavam já a melopeia
a incendiar a manhã
que eu percorria com pasmo



Texto
Ailime
20.04.2020
Imagem Pinterest