quarta-feira, março 25, 2020

No silêncio do deserto


No silêncio do deserto
por detrás dos vidros embaciados
por pólens de incerteza 
quero ir ao teu encontro
mas algo me impede de ver
a clareza do teu olhar
na beleza das tuas cores,
na alegria dos movimentos
com que o vento te beija 
no cantar dos pássaros.
Hoje, cerceada pela sede,
os meus desejos são meros delírios
que vou abrigando
na dubiez com que antecipo
o esplendor dos dias sim.


Texto e foto
Ailime
25.03.20



segunda-feira, março 16, 2020

Quisera


Quisera que meus olhos
não vissem a escuridão dos
dias
que meus lábios
não bebessem o fel das sombras
interditas
que minhas mãos não
tocassem o invisível
Quisera, enfim, que a luz
incendiasse os gestos do mundo.



Texto e foto
Ailime
16.03.20
Imagem Google

terça-feira, março 10, 2020

In memoria

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Hoje era o dia do teu aniversário.
Como sempre, nesta data, a primavera anunciava-se
com um belo céu azul e um sol radiante.
Sorrias feliz, porque te rodeávamos,
para festejar a vida, a tua vida.
Tu gostavas deste dia, em especial,
e sorrias muito.
Ainda estou a ver-te ...
O teu olhar, azul de tanto céu,
também sorria e irradiava uma luz muito terna,
porque sabias o quanto te amávamos.
E todos nos sentíamos felizes,
porque tu eras feliz.

Hoje o rio que tanto amavas 
corre pálido, sem o brilho dos dias
em que o percorrias nas margens dos afetos.

Apenas uma ave o esvoaça, em ziguezagues,
sentindo, talvez, a tua ausência.
Descansa, em paz, pai.




Texto
 Ailime
10.03.2020
In memoria
de meu pai
(F 25.12.2017)
Imagem Google



quarta-feira, fevereiro 26, 2020

Rescrever a canção



Torna-se necessário rescrever a canção
mesmo que as mãos, em chamas,
recusem o gesto, vacilante, da melodia.

Como os pássaros, que de asas feridas
cruzam os céus em voos arrojados,
é urgente que os barcos ergam as velas
na melopeia cadente da maré cheia.



Ailime
29.03.2015
Imagem Google
(Reedição revista)

segunda-feira, fevereiro 10, 2020

No deserto e silêncio das palavras

Resultado de imagem para deserto e silencio das palavras


No deserto e silêncio das palavras 
há sentimentos que, nas sombras, ignoras
há flores a brotar no chão que pisas
há rios e fontes a irromper na madrugada
há pássaros a esvoaçar em céus de fogo

As palavras serão vãs se não frutificarem
como romãs a vergarem o frágil ramo 
mitigando a tua sede pela manhã    
quando o sol te afaga no olhar
a saciedade plena de quem espera.



Texto
Ailime
10.02.2020
Imagem Google








quinta-feira, janeiro 30, 2020

Os lírios

 


Nas tardes de chuva os lírios têm mais brilho
e exibem as suas vestes orvalhadas
num silêncio desconcertante que me enternece.

Sobre a terra molhada aproximo-me descalça
para não macular a placidez do momento
que se eterniza em singela contemplação.

Os lírios sobre os muros iluminam caminhos
que nem o vestígio das névoas esmorece.



Texto e foto
Ailime
30.01.2020



quinta-feira, janeiro 23, 2020

Diante do mar o assombro



Diante do mar o assombro 
Aves errantes em sobressalto 
As marés que murmuram baixinho 
O teu nome 
No princípio da tua voz 
O silêncio a embargar os sentidos 

No cimo da arriba 
O farol antecipa a noite 
Quando a claridade do mar 
Se tinge de púrpura 
A terra adormece tímida. 


Reedição 
Ailime 
14.03.2019 
Imagem
 Google

quinta-feira, janeiro 09, 2020

Na busca incessante das manhãs.

Jetty, Sunset, Lake, Sky, Clouds, Reflection

À noite quando as sombras pairam sobre escombros
e dentro de ti o vazio te cala na voz o silêncio
ouve-se ao longe o som do mar em burburinho
como se fora um cântico que os deuses cogitam
para amainar as tempestades das asas dos anjos.

Relâmpagos de marés alumiam-te na escuridão
perpetrando um concerto de vozes maviosas
a bailar sobre nuvens em voos desordenados
na busca incessante das manhãs.


Texto
Ailime
09.01.2020
Imagem Google

sexta-feira, janeiro 03, 2020

O mundo ainda tão longe


Na geada da minha infância
no teu colo sentada,
o mundo ainda tão longe

Sentia-me aconchegada
no calor do teu colo,
ouvindo o crepitar do fogo
da lareira onde agora
repousam apenas as cinzas,
do braseiro que ateavas
como se não houvesse futuro.

E o mundo ainda tão longe


Texto (revisto)
Ailime
30.01.2010
Imagem Google

sábado, dezembro 21, 2019

É Natal



Lá fora olhares e  faces encovadas
deixam escorrer gotas de orvalho
geladas pela indiferença de quem passa.

As luzes, o alarido, a festa das compras
(de última hora num corre-corre desenfreado).
A noite  calada, fria, impiedosa
dos corações solitários aproxima-se.

Uma mão estendida num olhar côncavo
(onde cabe toda uma vida apática de rastos)
perde-se sob a arcada recôndita e sórdida do cais.

Na fogueira que me arde no peito
um aperto sangra-me a razão.
É hora de acordar e abraçar o meu irmão.


Ao longe, uma luz brilha.
Na gruta fria, envolto em trapos
eclode o Amor,
que abarca (abraça)  todos.
Imagem relacionada
Feliz Natal e um bom Ano Novo.
Abraços,
Ailime


Texto
Ailime
20.12.2015
Imagens Google