sábado, abril 25, 2015

Sonhei-te


Sonhei-te como pólen no chão adormecido
E abriguei-te no meu peito aberto ao vento
Qual noite a emergir na madrugada
Do silêncio a luz se fez espanto.

Como um véu abriste-te em amor
E deste-te em abraços e harmonias
Num só voo ainda entoamos
Alvorada em flor até ser dia.


Texto
Ailime
25.04.2015
Imagem Google

quarta-feira, abril 15, 2015

Ainda hoje não sei

Tela de Heinrich Vogeler
Ainda hoje não sei
o que te perturbava
quando repousavas
nos ombros
a solidão do mundo.

Um rio escorria-te nas faces
as margens
que o teu olhar ausente
absorvia em silêncio.

Ainda hoje não sei,
porque continuam estáticas
aquelas nuvens azuis
como pássaros sem asas
a pairar sobre os teus ombros.



Texto
Ailime
14.04.2015



quarta-feira, abril 01, 2015

Nas manhãs alvas

Tela de Hans Gude

Nas manhãs alvas
dos dias azuis
ténues os vestígios
das redes
que estendidas
sob os barcos
navegam fundo
os olhos do rio.
Nas margens
águas ondulantes
aprisionam o vento  
que afugenta os limos.
..............
Desejo a todos uma
FELIZ PÁSCOA!
Texto
Ailime
Imagem Google
01.04.2015

sábado, março 21, 2015

Quereria ser poeta


Quereria ser poeta
E entender a musicalidade
Das palavras interditas
Num livro por inventar

Quereria ser poeta
E projectar no horizonte
Asas flamejantes de pássaros
Abraçando o teu olhar

Quereria ser poeta
E sentir as sílabas soltas
Como as velas dum navio
Voejando em alto mar.

Quereria ser poeta
Para albergar no poema
Desnudado de preconceitos
A lucidez do amor.

21.03.2015
Ailime
Imagem Google

quinta-feira, março 19, 2015

O teu nome


Enquanto as horas vazias
Do dia por acontecer
Me recordam as sombras
Seminuas das marés
O sol alastra no horizonte
A seara ondulante e cálida
Onde outrora o entardecer
Vazava no chão ardente
O teu nome em sal esculpido
Como cinzas a germinar.


Texto e foto
Ailime
19.03.2015

sexta-feira, março 13, 2015

«Entre mim e o mar»


Entre mim e o mar
ainda me causa espanto a madrugada.
Sempre diferente. Sempre idêntica.
Tons de mel, de romã,
de diamante, de milho seco.
Sopro de sal, de sangue, de limos.
E, por detrás das dunas, 
a respiração dos amantes
sobressaltando as aves.

Poema de
Graça Pires
In Espaço livre com barcos

Imagem Google

sábado, março 07, 2015

Amanhecer tardio



Mar encrespado
velas tombadas
e o sorriso da lua
a sobrevoar as marés
e a devolver-lhe a esperança.
Dobrado o cabo das tormentas
na praia deserta as ondas entoam
o que resta do naufrágio.
………
Uma brisa suave acorda-a
e a seu lado uma flor esquecida
ilumina-lhe o rosto
num amanhecer tardio.

Texto 
Ailime
07.03.2015
Imagem Google

O meu abraço a todos os homens e mulheres que sabem amar.


sexta-feira, fevereiro 27, 2015

Por vezes ouço um galo a cantar

Tela de Guillo Pérez
Por vezes ouço um galo a cantar.
Poderão achar estranho mas não é.
O campo entrou na cidade
pelas frinchas da varanda
da vizinha do sexto andar.
E ficarão a pensar:
mas que coisa sem sentido,
sem nada ter de poético.
No entanto para a vizinha
o galo no seu cantar
protege-a da solidão
num jardim onde há muito
as andorinhas rasgaram as asas 
e jazem feridas no chão.


Texto
Ailime
27.02.2015
Imagem Google

sábado, fevereiro 14, 2015

Na vertigem da nuvem

Sinto-te como se uma névoa
me desenhasse no corpo
a chama que crepita na alma
o tempo que demora
na vertigem da nuvem
que um dia originou
a fonte trazida do deserto
onde o oásis eras tu.
………………………………
As dunas ainda hoje
dançam ao som do vento
a música da chuva.

14.02.2014
Ailime
Imagem Google

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Desertos, silêncio


Desertos, silêncio e a ausência das sílabas
Nas palavras alcandoradas nas folhas
Secas pelo vento, na escassez das tardes
Abrigadas no sol-posto apressado das horas.

Por entre penumbras e escarpas agrestes
Apenas o chão exorta o alvorecer.


Texto e foto
Ailime
05.02.2015