quarta-feira, julho 23, 2014

Que te resta nestes dias


Que te resta nestes dias
Quando o sol percorre o teu corpo
E te desenha na alma
A chama que te acalenta

Que te resta nestes dias
Em que as horas esvoaçam
Como pássaros em debandada
Num corrupio quase trôpego

Que te resta nestes dias
Quando alvorece o sol-pôr
E o teu olhar se ensombrece
Oculto por uma nuvem furtiva

Que te resta nestes dias
Em que as palavras se ausentam
E deixas que um véu as desnude
Num mar de espuma agitado

Que te resta nestes dias…


Foto e texto
Ailime

23.07.14

sábado, julho 12, 2014

O murmúrio do mar


Nem o areal pressente
O murmúrio do mar
Quando as vagas repousam a espuma
Na transparência das tardes.

Apenas a luz capta o silêncio
Na profundeza das águas
E alastra no horizonte
O segredo das marés!




Texto e foto
Ailime
12.07.2014 

terça-feira, julho 01, 2014

Crepúsculo


Na celeridade dos dias
Em segundos apenas
Se estreitam as horas

O alvorecer desperta
Submerso no abismo
E o mar inunda a cidade

Por instantes os relógios
Silenciam o tempo
Na luz do crepúsculo
Que abraça o infinito


Texto e foto
Ailime
01.07.2014

terça-feira, junho 24, 2014

Voos


O mar, a luz e o entardecer
Nas folhas que navegam as águas
Como pequenos barcos à deriva
Nas marés banhadas de luar.

Os pássaros voam em debandada
E no areal cravado de sal
Uma pena repousa solitária
A incerteza do voo abrasado.

A alvorada reluz no horizonte
Dispersando as névoas para longe;
Timidamente um pássaro aproxima-se
Num voo rasante, quase mudo.


Ailime
24.06.2014
Imagem Google

quarta-feira, junho 18, 2014

A festa foi breve



A festa foi breve,
Porque os olhares se fixaram no efémero;
O que brilha não são os homens
Mas as estrelas que em noite escura
Incendeiam o firmamento com clarões
Esfuziantes de cor!
  
É urgente aprisionar a luz,
É urgente elevar os olhos ao essencial!
É urgente abrir o coração ao amor!

O efémero é apenas uma aragem,
Que num ápice se desfaz no horizonte.

É urgente ouvir a madrugada
A irromper num céu irradiado de mar!


Ailime
18.06.2014
Imagem Google




quarta-feira, junho 11, 2014

Nada é transversal


Nada é transversal ao que ideamos,
Porque os muros se desmoronam
E anulam a claridade dos mitos
Que nem chegaram a ter flama.

Os dias declinam e a noite
Jaz mergulhada no mar
Que extemporaneamente
Naufraga nas ondas o sal.

As asas batem em retirada
No luar pálido das águas
Como clarões à distância
A raiar o naufrágio das aves.

11.06.2014

Ailime
Imagem Google

sexta-feira, junho 06, 2014

"Tanta gente"...

“Tanta gente…tanta gente… e ninguém…”!....

Não completou a frase soletrada num choro interior, que me fez saltar as lágrimas,  segurando com alguma dificuldade um pequeno prato de plástico, que serve de base aos vasos de flores, no qual esperaria que alguém depositasse algumas moedas.

O prato estava vazio.


Eu tinha acabado de almoçar quando me cruzei com ele. Voltei atrás e olhei o seu rosto cavado por profundas rugas  e não vi qualquer sinal de animosidade.

No arrastar do seu corpo curvo apenas notei o cansaço, sim um enorme cansaço num homem desgastado pela idade, muita idade, com muito sofrimento, com muitas desilusões certamente, mas a quem apenas ouvi a frase, que passadas algumas horas, ainda ecoa no meu coração:

“Tanta gente… tanta gente... e ninguém…”!


Ailime
Hoje, Lisboa (11.01.2011)
(Reposição)
Imagem Google

quarta-feira, maio 28, 2014

Voos


Os pássaros voam rasantes
Rompendo as marés
No silêncio desnudo
Das águas revoltas.

As asas desfazem-se
Como sonhos irreais
Dependurados nas naus
Ancoradas nas falésias.

No ocaso, o sol mergulha
Em penas marejadas de sal
Soltando lampejos de espanto
Na solidão estéril da praia.



Ailime
28.05.2014
Imagem Google

sexta-feira, maio 16, 2014

Há na ternura das folhas


Há na ternura das folhas
A leveza dos pássaros
Que na limpidez das estrelas
Percorrem o infinito
Em voos matizados de luz.

Na transparência das asas
Movem o viço da seiva
Na maresia das nuvens
Entre aragens e orvalhos
No céu acolchoado de mar.



Texto
Ailime
Imagem Google
16.05.2014



sexta-feira, maio 09, 2014

Entardeces


Entardeces no pranto contido
Que desliza docemente
Na lágrima que escorre
E te humedece o sorriso
Do teu olhar cavado.

Observo-te a inquietude
E como uma folha estremeces
Como quando o vento em corrupio
A desmembra do caule
Arrastando-a pelo infinito.

Há folhas que não deviam esmaecer,
Porque extinguem a beleza das flores
Que um dia juncaram de pétalas
Chãos repletos de amor.

Texto e foto
Ailime
08.05.2014