sábado, maio 25, 2013

O mar


O mar envolve em amplexos de espuma
Os barcos de mastros infinitos
Como auguro de um futuro álacre
Dos astros que mareiam oscilantes

Se eu pudesse capturar uma anémona
Verde como o mar que me cativa
Elegeria entre todas a mais luzente
Por entre vagas de marés em rodopio

Arrastaria para a praia de areal azul
Um batel de corais e búzios de marfim
Onde gaivotas brancas como anjos
Entoariam uma ária só para ti.


Ailime
25.05.2013
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sábado, maio 18, 2013

Nas horas dos dias


Nas horas dos dias
Ouço o contar do tempo
Que voa inexorável
Nas asas transparentes
Dos ponteiros velozes
Do relógio de pêndulo
Que na parede branca
Entoa a canção
Que me embala
No instante
E me segreda
Na distância...o infinito.


Ailime
18.05.2013
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domingo, maio 12, 2013

Há maresia nos sorrisos



Há maresia nos sorrisos
Névoas nos olhares
E uma enorme apatia
Aprisiona-te num espaço
Que te cerceia os movimentos

A tua voz rouca
Já não se faz ouvir
Os teus sentidos diluem-se
Nas manhãs amorfas
De um tempo que não deténs

La fora um rumor... O vento?
Ou o murmúrio do mar?
Irrompe numa melopeia
Que num amplexo de luz
Renova em ti o alento.

Ailime
12.05.2013
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quarta-feira, maio 01, 2013

São como pássaros feridos



São como pássaros feridos
Que procuram em horizontes remotos
Novos trilhos novos voos
Que lhes devolvam a dignidade

São fugas precoces
Nas asas doídas dos sonhos
Em noites de desassossego
Num chão que lhes é negado

E abarcam num sorriso
(ténue mas confiante)
A alegria do retorno
Num amanhã…talvez.

Ailime
01.05.2013 
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quarta-feira, abril 24, 2013

As palavras quedaram-se



As palavras quedaram-se
Num soturno silêncio
Que envolve os astros
E atordoam o mar
Na manhã que tarda

As marés ondulam
Ao sabor dos ventos
E salpicam o horizonte
Na ausência da praia

Na escarpa íngreme
Apenas o sol reflete a bonança.

Ailime
24.04.2013
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segunda-feira, abril 15, 2013

Na cinzenta madrugada


Na cinzenta madrugada
Perpassa a luz
Que há-de inundar as ruas  
E fazer crescer as flores
Nas pedras que arrancaste.

Os corpos nus
Vestir-se-ão de linho
E nos olhos cavados
Dos rostos desbotados
Pela inércia
Da cegueira insalubre,
Há-de renascer o dia.

As sombras serão esmagadas
Com a pujança da luz
Que te acalentará
Num chão de primavera.

Ailime
15.04.2013
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sábado, abril 06, 2013

Nos confins do universo



Nos confins do universo
Vagueiam nuvens
Repletas de granizo
Que como pérolas
Brilham no firmamento
Dos oceanos
E transformam as marés
Em cristais de amor.
Agora podes olhar o horizonte
E abrir as janelas da alma
Para aspirar a brisa
Que te afaga e cinge
Como um bálsamo
Que te purifica e exorta.

Ailime
06.04.2013
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(desconheço o autor)

sábado, março 30, 2013

As paredes brancas



As paredes brancas reflectiam
O rosto profundo e circunspecto
Que se transmutava
Nos vidros baços da janela
Que te cingiam a cintura

Lá fora os pássaros
Cantavam madrugadas
De sonhos azuis
Nos céus jamais imaginados

A luz das sombras
Soltou um rastro e projectou
Numa primavera distante
O sol que te adormecera
No colo.

Ailime
30.03.2013
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(Desconheço o autor)

domingo, março 24, 2013

Crepúsculo



Percorri a cidade
Repleta de sonhos
E revi-me
Na luz
Que por entre as árvores
Repletas de cachos dourados
Deixava antever
No brilho
A primavera
Que se fez madrugada.

Agora apenas os sóis
Repousam no crepúsculo
Sofrido e gasto
Pela luz minguante
Gravada e inerte
Nas pedras nuas da calçada.

Ailime
Março/2013
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segunda-feira, março 18, 2013

Pudesse eu



Pudesse eu percorrer-te, rio,
Nas tuas límpidas águas de outrora
Renasceria como uma manhã
Qual sol purpúreo a eclodir
No despontar das tuas margens.

Ailime
18.03.2013
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