terça-feira, agosto 28, 2012

E o mundo ainda tão longe



Na geada da minha infância
No teu colo sentada,
O mundo ainda tão longe...

Sentia-me aconchegada
No calor do teu peito,
Ouvindo o crepitar do fogo
Da lareira onde agora
Repousam apenas as cinzas,
Do braseiro que ateavas.

E o mundo ainda tão longe...


Ailime
30.01.2010
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quinta-feira, agosto 23, 2012

Rimas imperfeitas


As palavras que concebo

São rimas imperfeitas

De silêncios consumidos

Resgatados à maresia

Oriunda de oceanos remotos.

Na areia fria da praia

Por entre a espuma das vagas

Aguardam que o poeta

As aprisione e transforme

Em sublime canto de amor.


Ailime
Junho/2011
(modificado)
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terça-feira, agosto 14, 2012

Diviso por entre as ramagens



Diviso por entre as ramagens

Camufladas por neblinas

Ventos que não sopram

A favor da bonomia.

E incautas tempestades

De aridez insana e profunda

Aniquilam a esperança

De almas angustiadas,

Na travessia dos desertos

Que alastram e esmagam

A dignidade humana.


Ailime
14.08.2012
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sexta-feira, agosto 10, 2012

Aromas silvestres




Recordo os campos em flor
Por onde viajava contigo
E as bermas dos caminhos
Onde o cheiro das estevas e do pinho
Num inconfundível universo
De aromas silvestres
Me incutiam a alegria
Da tua presença constante.

Nas memórias do tempo
Evoco-te; e experimento ainda
Em júbilo transbordante
O bálsamo incomparável
Que se desprende de ti.


Nov/2011
Ailime
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sábado, agosto 04, 2012

Nas searas douradas



Nas searas douradas
De planícies fecundas
Matizadas pelo suor
Que te aspergia a alma
Doaste-te em amor
E do teu sangue
A semente se fez fruto.

02.08.2012
Ailime
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terça-feira, julho 24, 2012

Um olhar



Hoje abraço no tempo
Este tempo que é nosso
E se renova a cada instante
Sempre que no teu olhar
Encontro a minha alma.

24 de Julho
Ailime
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sábado, julho 21, 2012

Liberto a minha alma


Liberto a minha alma
No som do silêncio
Que me envolve
E percorro o tempo
Serenamente
Sondando a infinidade
Na imperceptível espera
Da auscultação
Da sílaba
Ocultada nas palavras.


Ailime/ Abril 2010
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sábado, julho 14, 2012

Fios de luz



Inalo o bálsamo do universo
No pólen das estrelas
Que aromatizam os dias
Dos trilhos que percorro
Ao amanhecer.

E dos picos das montanhas
Escorrem fios de luz
Como ecos esbatidos
Que me pressagiam
O entardecer.

 Ailime
Julho/2012
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domingo, julho 08, 2012

Deixa-me contar-te histórias




Deixa-me contar-te histórias
Sobre as aves mais belas do universo
E correr de novo pelas praias
Nos dias em que amanhecemos
A contemplar a beleza do mar.

Deixa-me sentir de novo
Os sorrisos e as gargalhadas
Puros como finos cristais
Oferecidos como fascínio
De inocência incólume.

Vamos folgar livremente
Pelos campos ainda bravios
Onde as flores de mil cores
Nos aguardam nos aromas
Impregnados de saudade.

Ailime
20.05.2011
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domingo, julho 01, 2012

Da terra seca e árida



Da terra seca e árida
Onde outrora o trigo foi pão
Há-de  jorrar uma fonte
De águas cristalinas. 

Sementes trazidas pelo vento
Irão morrer na terra
E novas flores de trigo
Virão adornar o meu chão.

(Reposição) 
Ailime
15.08.2010
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