sábado, janeiro 17, 2026

Sob o céu dos dias longínquos

Desconheço o autor


Sob o céu dos dias longínquos

nas margens do nosso rio

ouço no marulhar das águas

o som da tua voz,

que me reprendia em silêncio

das traquinices de criança.

Eras sereno, compreensivo.

Tinhas um coração tão grande.

Hoje tudo mudou; como gostaria

de prolongar as conversas de anos mais tarde,

em que trocávamos ideias sobre o mundo,

sobre as gentes e o modo de pensar.

O que pensarias sobre o dia de amanhã?

Viveste o antes e o depois.

Sei que o teu coração e o meu

convergiam; tu me ensinaste história.

História hoje maltratada, rasgada,

incompreendida e esquecida.

Que fizeram ao nosso rio?

Sinto o desconforto das margens,

onde navegam barcos à deriva.


Texto
Emília Simões
17.01.2026



18 comentários:

  1. Quando perdemos alguém de quem gostávamos, temos a sensação de que não prestámos toda a atenção possível para usufruir de todo o enorme conteúdo espiritual ou intelectual dessa pessoa.
    Um abraço.

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  2. Que poema tão bonito!!
    .
    O S O N H O... .

    Beijo e Bom fim de semana

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  3. Dá mesmo pena de ver o que fizeram com nossos rios! Por vezes sobra apenas o marulhar dos rios...Lindo poema! beijos, chica

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  4. Poema maravilhoso, cheio de sentimentos,
    querida Emília! Li e reli, de tão cativante!
    Um feliz fim de semana!
    beijinho.

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  5. Amiga Emília, boa noite de paz!
    Assim como com os rios, muita coisa é deixada ao relento e se vai...
    O dia de amanhã a Deus pertence.
    Você encanta com sua sensibilidade.
    Tenha um final de semana abençoado!
    Beijinhos fraternos

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  6. As memórias que amamos são relíquias guardadas quer não se apagam da mente nem do coração e elas são como as ondas, vão e vem e quando elas vem, as saudades ainda doem! Saudações! Alegre domingo!

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  7. Sergio1/18/2026

    Que belíssimo poema, de facto a memória colectiva desaparece com o desaparecimento daqueles que viveram o antes (e o depois). Hoje não se lê nem se estuda o passado. Vive-se uma ânsia capitalista e individualista sem precedentes. E nessa cegueira entrega-se o leme a loucos que prometem soluções que soam ao antes. Ventos doentes que fazem os barcos andarem à deriva. O certo é que muitos erros foram feitos no depois. E é neste pêndulo, do antes e do depois, que andamos. Talvez se tivéssemos um avô que nos guiasse, ou procurássemos estudar a verdade do mundo, ou mesmo nos importássemos com o bem coletivo - começa tudo aí - encontraremos soluções para as nossas ansias e medos. Beijinhos

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  8. Mais um bonito poema!
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  9. Me gusto mucho tu poema. Te mando un beso.

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  10. Há memórias que nos acompanham e, por vezes, damos connosco a pensar o que achariam das mudanças entretanto verificadas.
    Excelente poema, os meus aplausos.
    Boa semana.
    Um beijo.

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  11. Lmbranças que doem e confortam a um só tempo, não é, Emília? É sempre assim, quando lembramos dos seres amados que se foram. Que lindo poema! Meu abraço, boa semana.

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  12. A imagem tranquila evoca a sensação de saudade; de um doce tempo que se foi. E essa sensação se intensifica, amiga, com a leitura do teu lindo poema! Excelente post! boa semana, meu abraço.

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  13. O olhar é inspirador!
    Belo poema Emília 😘👏

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  14. Olá amiga Emília
    O poema menciona que essa figura "viveu o antes e o depois". Isso coloca o homenageado como uma ponte entre dois mundos (talvez o período pré e pós-independência, ou simplesmente a mudança de uma era de valores sólidos para uma era de incertezas). A pergunta "O que pensarias sobre o dia de amanhã?" revela a falta que esse conselho faz ao eu lírico para navegar no presente confuso.
    O poema é belíssimo minha querida
    Beijinhos

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  15. Boa noite Emília.
    Belo e sentido poema que muito gostei.
    Deixo os votos de um bom fim de semana, com tudo de bom.

    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  16. Um belo poema sobre saudade... (de uma ser muito querido...)
    Descrito numa bela envolvente campestre, com interessantes recursos estilísticos.
    Agradeço os bons momentos de leitura.
    O inverno não está nada de romântico...
    Beijinhos, Amiga.
    ~~~

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  17. A passar por cá para desejar bom fim de semana!
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  18. Boa noite Amiga Emília.
    Este poema é um exercício de memória afectiva onde a infância, a aprendizagem e o tempo se entrelaçam.
    A figura evocada surge como presença serena e formadora, cuja voz permanece no marulhar do rio e na consciência de quem recorda.
    O texto evolui da intimidade pessoal para uma reflexão mais ampla sobre a História e o presente, usando o rio como metáfora de um mundo em desconforto, com margens feridas e rumos incertos.
    Um poema delicado, mas firme, onde lembrar é também questionar
    Deixo um beijo
    :)

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«Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar».C.L.