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| Desconheço o autor |
Sob o céu dos dias longínquos
nas margens do nosso rio
ouço no marulhar das águas
o som da tua voz,
que me reprendia em silêncio
das traquinices de criança.
Eras sereno, compreensivo.
Tinhas um coração tão grande.
Hoje tudo mudou; como gostaria
de prolongar as conversas de anos mais tarde,
em que trocávamos ideias sobre o mundo,
sobre as gentes e o modo de pensar.
O que pensarias sobre o dia de amanhã?
Viveste o antes e o depois.
Sei que o teu coração e o meu
convergiam; tu me ensinaste história.
História hoje maltratada, rasgada,
incompreendida e esquecida.
Que fizeram ao nosso rio?
Sinto o desconforto das margens,
onde navegam barcos à deriva.
Emília Simões
17.01.2026

Quando perdemos alguém de quem gostávamos, temos a sensação de que não prestámos toda a atenção possível para usufruir de todo o enorme conteúdo espiritual ou intelectual dessa pessoa.
ResponderEliminarUm abraço.
Que poema tão bonito!!
ResponderEliminar.
O S O N H O... .
Beijo e Bom fim de semana
Dá mesmo pena de ver o que fizeram com nossos rios! Por vezes sobra apenas o marulhar dos rios...Lindo poema! beijos, chica
ResponderEliminarPoema maravilhoso, cheio de sentimentos,
ResponderEliminarquerida Emília! Li e reli, de tão cativante!
Um feliz fim de semana!
beijinho.
Amiga Emília, boa noite de paz!
ResponderEliminarAssim como com os rios, muita coisa é deixada ao relento e se vai...
O dia de amanhã a Deus pertence.
Você encanta com sua sensibilidade.
Tenha um final de semana abençoado!
Beijinhos fraternos
As memórias que amamos são relíquias guardadas quer não se apagam da mente nem do coração e elas são como as ondas, vão e vem e quando elas vem, as saudades ainda doem! Saudações! Alegre domingo!
ResponderEliminarQue belíssimo poema, de facto a memória colectiva desaparece com o desaparecimento daqueles que viveram o antes (e o depois). Hoje não se lê nem se estuda o passado. Vive-se uma ânsia capitalista e individualista sem precedentes. E nessa cegueira entrega-se o leme a loucos que prometem soluções que soam ao antes. Ventos doentes que fazem os barcos andarem à deriva. O certo é que muitos erros foram feitos no depois. E é neste pêndulo, do antes e do depois, que andamos. Talvez se tivéssemos um avô que nos guiasse, ou procurássemos estudar a verdade do mundo, ou mesmo nos importássemos com o bem coletivo - começa tudo aí - encontraremos soluções para as nossas ansias e medos. Beijinhos
ResponderEliminarMais um bonito poema!
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda
Me gusto mucho tu poema. Te mando un beso.
ResponderEliminarHá memórias que nos acompanham e, por vezes, damos connosco a pensar o que achariam das mudanças entretanto verificadas.
ResponderEliminarExcelente poema, os meus aplausos.
Boa semana.
Um beijo.
Lmbranças que doem e confortam a um só tempo, não é, Emília? É sempre assim, quando lembramos dos seres amados que se foram. Que lindo poema! Meu abraço, boa semana.
ResponderEliminarA imagem tranquila evoca a sensação de saudade; de um doce tempo que se foi. E essa sensação se intensifica, amiga, com a leitura do teu lindo poema! Excelente post! boa semana, meu abraço.
ResponderEliminarO olhar é inspirador!
ResponderEliminarBelo poema Emília 😘👏
Olá amiga Emília
ResponderEliminarO poema menciona que essa figura "viveu o antes e o depois". Isso coloca o homenageado como uma ponte entre dois mundos (talvez o período pré e pós-independência, ou simplesmente a mudança de uma era de valores sólidos para uma era de incertezas). A pergunta "O que pensarias sobre o dia de amanhã?" revela a falta que esse conselho faz ao eu lírico para navegar no presente confuso.
O poema é belíssimo minha querida
Beijinhos
Boa noite Emília.
ResponderEliminarBelo e sentido poema que muito gostei.
Deixo os votos de um bom fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Um belo poema sobre saudade... (de uma ser muito querido...)
ResponderEliminarDescrito numa bela envolvente campestre, com interessantes recursos estilísticos.
Agradeço os bons momentos de leitura.
O inverno não está nada de romântico...
Beijinhos, Amiga.
~~~
A passar por cá para desejar bom fim de semana!
ResponderEliminarIsabel Sá
Brilhos da Moda
Boa noite Amiga Emília.
ResponderEliminarEste poema é um exercício de memória afectiva onde a infância, a aprendizagem e o tempo se entrelaçam.
A figura evocada surge como presença serena e formadora, cuja voz permanece no marulhar do rio e na consciência de quem recorda.
O texto evolui da intimidade pessoal para uma reflexão mais ampla sobre a História e o presente, usando o rio como metáfora de um mundo em desconforto, com margens feridas e rumos incertos.
Um poema delicado, mas firme, onde lembrar é também questionar
Deixo um beijo
:)