sábado, janeiro 31, 2026

A natureza também chora


A natureza também chora.

Do seu ventre escorrem
lágrimas de rosas 
quando o vento em delírio,
no seu ímpeto devastador,
arrasta rios, vales, montanhas,
tudo o que habita
o coração do homem.

Impávido, ele vê a sua pequenez
mergulhar no abismo 
de uma noite imensa e escura.

Muitas luzes se acendem.

É tempo de endireitar veredas
e vencer a indiferença.

A terra clama.
A terra chora.

Ninguém ouve.


Texto e foto
Emília Simões
31.01.2026




8 comentários:

  1. Do seu ventre escorrem
    lágrimas de rosas

    Amiga Emília, boa tarde de sábado!
    Ainda bem que as flores amenizam a tristeza da natureza que brota com majetade.
    Tenha um final de semana abençoado!
    Beijinjos fraternos

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  2. Linda poesia! E, na certa a natureza anda muito triste com tantoi desrespeito e e por isso, se rebela! Mesmo assim ainda mostra belas flores! beijos, ótimo domingo! chica

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  3. Sergio2/01/2026

    Um poema de alerta ao crimes que cometemos contra a nossa casa terra e como ela responde. Vivemos nesta casa porque ela permitiu que a vida aqui se criasse e prosperasse. Uma das condições da vida, a que esta se adaptou, foi uma certa estabilidade climática, com ciclos mais ou menos previsíveis. O que assistimos a um ritmo alarmante é uma quebra desses ciclos e a ocorrência de anomalias climáticas cada vez mais frequente. O dilema é: voltar atrás? Como? E é suficiente para corrigir erros? Não sabemos. Somos bons a reagir a perigos iminentes, mas péssimos a preparar o futuro. Não sabemos endireitar veredas porque isso implica mudar a mentalidade materialista e capitalista com que quem manda decidiu adormecer o povo (a falsa premissa de que é na aquisição de coisas e no dinheiro, no consumo desenfreado e na morte do planeta que vamos encontrar segurança e felicidade). Que a chuva leve tudo, que os ventos espalhem notas e arranquem todas essas seguranças falsas. A grande questão, o grande dilema dos dias de hoje é: qual o sentido das nossas vidas, num mundo tão vazio de tudo o que deixou de ser essencial - o amor, a amizade, a partilha, a religiosidade, o trabalho para o bem comum? Por isso, não há volta atrás. Deixem que a natureza nos ensine o que temos e tardamos em aprender (e ainda irei preso por escrever coisas destas). Beijinhos

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  4. A Natureza tem muitas faces, mas quase todos não veem, ou não querem ver, nenhuma delas.
    Excelente poema, gostei muito das suas palavras poéticas.
    Boa semana.
    Beijinhos.

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  5. Uma bela composição poética que clama o cuidado necessário do ser humano com a natureza. Bom dia de fevereiro que desponta. Norma Bjsss


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  6. Boa tarde Amiga Emília
    Um poema de forte carga simbólica, onde a natureza surge espelhada na consciência humana.
    As imagens são intensas e o tom contido reforça o apelo ético do texto, conduzindo-nos, com sobriedade, da devastação à urgência de escuta e responsabilidade.
    Um grito silencioso que ecoa.
    Gostei da imagem que ficou muito bem para o poema.
    Boa semana com saúde e paz.
    Deixo um beijo
    :)

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  7. Mais um bonito poema.
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  8. Um poema lindo e expressivo focando a beleza do planeta e o descaso que sofre por parte dos humanos...

    Um mês de Fecereiro aconchegante, apesar das tempestades.
    Estou a publicar no meu blogue de poesia...
    https://refugiodospoetass.blogspot.com/
    Beijinhos
    ~~~

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«Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar».C.L.