Lá fora olhares e faces encovadas
deixam escorrer gotas de orvalho
geladas pela indiferença de quem passa.
As luzes, o alarido, a festa das compras
(de última hora, num corre-corre desenfreado).
A noite calada, fria, impiedosa
dos corações solitários, aproxima-se.
Uma mão estendida num olhar côncavo
(onde cabe toda uma vida apática de rastos)
perde-se sob a arcada recôndita e sórdida do cais.
Na fogueira que me arde no peito
um aperto sangra-me a razão.
É hora de acordar e abraçar o meu irmão.
Ao longe, uma luz brilha!
Na gruta fria, envolto em trapos
eclode o Amor,
que abarca (abraça) todos.
Feliz Natal e um próspero Ano Novo.
Grata pelas vossas visitas ao longo do ano.
Texto
Emília Simões
20.12.2015
(Reedição)
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