terça-feira, julho 02, 2019

Rasgo o tempo com os sentidos


Rasgo o tempo com os sentidos
e caminho suavemente sobre as marés
como se as águas me impelissem
a abraçar-te
enquanto os búzios entoam 
a canção do mar
que nos recorda
que as medusas vêm à tona
sempre que dançamos
sobre a proa do barco
enquanto um pássaro
desenha no firmamento
um bailado só para nós.


Texto
Ailime
02.07.2019
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quarta-feira, junho 19, 2019

A vida não é reta nem plana


A vida não é reta nem plana 
tantas vezes curva e oblíqua 
aos ziguezagues 
que me gravam na pele 
as sombras agrestes 
e desalinhadas 
pelos ventos vulneráveis 
de densa escuridão

Nas águas brandas do rio 
uma linha de fogo 
asperge de esperança 
a alma inquieta e sedenta

No meu olhar, sustenho a claridade. 


Texto 
 Ailime 
19.06.2019 
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sábado, junho 01, 2019

Levanto-me e desprendo-me da noite


Levanto-me e desprendo-me da noite 
mas não sei se já é madrugada 
Atrás de mim a inocência 
dos passos que dou devagar 
O meu olhar abre a janela 
A lua, quarto minguante, sorri 
Por vezes tropeço nas estrelas 
e estendo-lhes as mãos 
os braços ...
O vazio no meu colo. 
Uma estrela cadente 
sopra-me no olhar 
uma ténue claridade. 



Texto
Ailime
01.06.2019
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terça-feira, maio 21, 2019

Vão longos os dias



Vão longos os dias e o pôr do sol alarga-se 
naquele horizonte matizado de púrpura 
em que fitamos o olhar nublado de silêncio 
com os pássaros a esvoaçarem, testemunhas 
de um tempo que nos desconcerta. 

Passeamos sós de mãos dadas 
como se hoje fosse ontem no teu olhar 
as manhãs são mais claras, mais límpidas 
quando pisamos chãos improváveis 
mesmo que as sombras nos tinjam a noite. 

Talvez que, furtivamente, ainda enxerguemos o mundo 
embriagados pela luz que emana do inverno. 


 Texto
Ailime
21.05.2019 
Imagem Google




quarta-feira, maio 08, 2019

Nos degraus da casa


Nos degraus da casa 
em escombros 
ouço-te em cada passo 
como se o passado 
se detivesse nas paredes 
caiadas de cinza
onde as andorinhas 
ainda fazem os ninhos. 

À noite os pirilampos 
cintilavam como estrelas 
a bordejar os caminhos 
desfazendo as trevas 
os fantasmas 
as sombras  
que te sobrevoavam  
na escuridão  
que preenchia o silêncio 
ainda mais espesso que a noite. 

Na fugacidade do tempo 
ainda hoje não sei distinguir a luz 
da escuridão. 


Ailime
08.05.2019
Imagem Google