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terça-feira, outubro 29, 2019

A claridade dos dias


Nas horas baças em que o vácuo me cinge os sentidos
procuro-te como se ainda não tivesses aqui estado,
como se uma névoa nos interditasse os olhares
que povoam os nossos sentires corroídos pela ilusão
de quem ainda procura no horizonte um sinal de porvir.

Se nas sombras do outono, as folhas tombam frágeis 
e amarelecidas, para ressurgirem plenas de viço na primavera
também na escureza do inverno irromperá a claridade dos dias.




Texto
Ailime
29.10.2019
Imagem
Google

quarta-feira, outubro 16, 2019

No silêncio do outono


No silêncio do outono emergem sentidos
como se a minha voz se calasse
por imposição das sombras
O vento arrasta as folhas
que gravitam como sóis
em rotações desgovernadas
no asfalto dos dias,
que esculpe nas horas
vestígios do entardecer.

Texto e foto
Ailime
16.10.2019

quarta-feira, junho 19, 2019

A vida não é reta nem plana


A vida não é reta nem plana 
tantas vezes curva e oblíqua 
aos ziguezagues 
que me gravam na pele 
as sombras agrestes 
e desalinhadas 
pelos ventos vulneráveis 
de densa escuridão

Nas águas brandas do rio 
uma linha de fogo 
asperge de esperança 
a alma inquieta e sedenta

No meu olhar, sustenho a claridade. 


Texto 
 Ailime 
19.06.2019 
Imagem Google

terça-feira, maio 21, 2019

Vão longos os dias



Vão longos os dias e o pôr do sol alarga-se 
naquele horizonte matizado de púrpura 
em que fitamos o olhar nublado de silêncio 
com os pássaros a esvoaçarem, testemunhas 
de um tempo que nos desconcerta. 

Passeamos sós de mãos dadas 
como se hoje fosse ontem no teu olhar 
as manhãs são mais claras, mais límpidas 
quando pisamos chãos improváveis 
mesmo que as sombras nos tinjam a noite. 

Talvez que, furtivamente, ainda enxerguemos o mundo 
embriagados pela luz que emana do inverno. 


 Texto
Ailime
21.05.2019 
Imagem Google




quarta-feira, maio 08, 2019

Nos degraus da casa


Nos degraus da casa 
em escombros 
ouço-te em cada passo 
como se o passado 
se detivesse nas paredes 
caiadas de cinza
onde as andorinhas 
ainda fazem os ninhos. 

À noite os pirilampos 
cintilavam como estrelas 
a bordejar os caminhos 
desfazendo as trevas 
os fantasmas 
as sombras  
que te sobrevoavam  
na escuridão  
que preenchia o silêncio 
ainda mais espesso que a noite. 

Na fugacidade do tempo 
ainda hoje não sei distinguir a luz 
da escuridão. 


Ailime
08.05.2019
Imagem Google

  

segunda-feira, abril 22, 2019

Naquela madrugada


Naquela madrugada 
a cidade acordou antes do tempo. 
Pássaros em alvoroço 
sobrevoavam barcos 
marés cheias 
escarpas e silêncios. 

O rio, lá em baixo, a espreitar, 
azul de tanto céu. 
Estalavam foguetes 
Rostos mudos de espanto 
Clarões 
Olhares incrédulos. 

Onde estavam as sombras? 
Multidão em êxtase 
sorrisos e abraços. 
A longa noite expirara. 

Uma flor ergueu-se 
rubra como sol nascente  
no cano duma espingarda 
iluminou Abril. 


Texto
Ailime
22.04.2019
Imagem Google