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sábado, agosto 22, 2026

Porque choravas, mãe?

 

DreamsTime

De degrau em degrau,
pedra sobre pedra
percorremos
os nossos caminhos.
Nem sempre lado a lado,
nem sempre na mesma direção.
Eu era irrequieta, dizias.
Porque seria?
Eu não entendia nada
do mundo, que apesar de tudo,
me deslumbrava a cada instante.
O mundo das pessoas crescidas
era uma incógnita para mim.
Muitas vezes choravas e
nunca me disseste porquê.
Na natureza cresci,
rebolando nas ervas macias,
a ouvir o canto dos pássaros
nas minhas brincadeiras de maria rapaz,
que me devolviam a alegria,
como dizias.
Eram formas de expressão que encontravas
para as minhas traquinices.
Dessas memórias
ainda guardo do teu belo rosto,
as lágrimas que deslizavam
pelas tuas faces, em silêncio
e que tanto me confundiam.

Ainda hoje não sei: 
porque choravas, mãe?

Texto
Emília Simões
22.08.2026


sábado, maio 16, 2026

Olho em redor


Foto: Pixabay


Olho em redor;

o mundo transpira guerras,

ódios, violências.

Famílias desavindas,

crianças com fome,

destruição, prantos, doenças,

rumos sem nexo.

Lágrimas rasgam sulcos

nos rostos envelhecidos

de quem sofre.

Impiedosamente

o poder, a ganância e a loucura

empurram para o abismo

milhões de seres indefesos.

O que espera os vindouros

neste planeta em ebulição?

Será que a paz é viável?

Será que a esperança não é palavra vã?

Será que o Homem é recetivo à Luz?

Ou estará o mundo a

mergulhar na escuridão?


Texto
Emília Simões
16.05.2026



sábado, janeiro 03, 2026

Nos teus olhos

Pixabay


Nos teus olhos quietos não se vislumbrava alegria.
Por vezes choravas e eu perguntava-te - porquê?
Não me respondias e, triste, não pensava em nada.
Fazia-se silêncio entre nós.
Era ainda muito criança,
para entender as dores dos adultos.

A tristeza morava em ti, silenciosa.
Olhavas o mundo sem tocá-lo;
calavas as feridas que te rasgavam por dentro,
presas naquele olhar profundo,
onde a angústia se escondia.

Dos teus olhos brotavam lágrimas,
como pérolas, a rolar pelo teu rosto belo.
Algumas caíam-me sobre as mãos,
que inocentemente te estendia.

Raramente sorrias.
O teu mundo fechava-se em ti,
apertava-te o peito,
e eu sentia, sem compreender,
que algo te consumia por dentro.

Ali, em silêncio, frente a frente,
ficávamos a olhar-nos
sem palavras, sem respostas.
Talvez o tempo, um dia,
me ensinasse aquilo que o teu olhar
guardava.

Texto
Emília Simões
03.01.2026



sábado, junho 08, 2024

Era pungente o seu viver



Era pungente o seu viver.

Penalizava-se por atos irrefletidos.

Chegava a cravar as unhas nas 

palmas das mãos

para se distrair desses atos

que ainda a combaliam.

Não dava mostras de remorsos,

mas fora dura consigo mesma

e não se perdoava

martirizando-se descalça

sobre espinhos que lhe feriam a alma.

O suor a escorrer sangue,

os lábios cerrados cobertos de sal,

não lhe davam a paz

que o seu coração ansiava.

Na correnteza do rio

muitas lágrimas caídas

misturavam-se com os peixes.

Ainda hoje se julga amarrada

à pedra onde esculpia a sua dor.

Texto
(Ensaio sobre ficção)
Emília Simões
08.06.2024
Imagem Google

sábado, outubro 14, 2023

Ouve a voz da razão


Quando o teu coração sangrar

ouve a voz da razão e atravessa a ponte.

Haverá sempre algo de novo do outro lado

que te fará sorrir  e te apontará novos caminhos.

O sol brilhará sempre, mesmo que dos teus olhos

se soltem lágrimas amargas.

O teu rosto será o espelho da esperança,

o renascer em cada esquina da vida.

Não temas, porque nada é em vão.

Debruça-te nos silêncios da noite

e ouve a voz da razão.

Na tua quietude sentirás paz.


Texto
Ailime
14.10.2023
Imagem Google

quarta-feira, setembro 12, 2012

Observo-te


Observo-te nas paredes nuas e frias
Do quarto
Onde nem sequer a luz
Te abraça a solidão.

A tua alma sangra a dor
Pela vida espinhosa
De suor e lágrimas
Que ninguém aliviou.

E no teu rosto sulcado pelo sal
(Por mil prantos que já esqueceste)
Enxergo um sorriso ténue
Envolvido em amor
Que te ilumina o semblante
E me aponta o caminho.

Ailime
12.09.2012
Imagem da Net


sábado, julho 24, 2010

Procura



De esperança teço os meus dias
Na ânsia de afastar todos os prantos
Que me assolam e perturbam
E caminharei sem me deter até ao infinito
Para encontrar na transparência do universo
As sombras luminosas das manhãs

 Ailime
24.07.2010
Imagem cedida gentilmente pela Net