domingo, novembro 18, 2018

Poema de Graça Pires

Do seu novo Livro:
Uma Vara de Medir o Sol

Albin Veselka

Os rituais da infância não nos deixam esquecer:
Era verde a sombra das árvores no pátio da escola.
Eram verdes os trigais pejados de papoilas.
Era verdes os pássaros que traziam um prado
colado ao voo rasante, nas tardes de verão.
E os rios tão verdes. Tão verdes as águas.
Tão verdes os peixes. Tão verdes os barcos invisíveis.
Tão verdes as mãos com que agarrávamos o tempo.


GRAÇA PIRES



Nota:
Imagem Google
escolhida por mim.
18.11.2018

quinta-feira, novembro 08, 2018

Na lucidez dos dias


Na lucidez dos dias  
escorre-me dos gestos 
o sabor das romãs 
e o aroma dos lírios  
que perfumavam a terra 
do chão que pisavas. 
 
Os escombros dos muros 
cobertos de musgo 
murmuram baixinho 
o silêncio dos pássaros 
a latejar as asas 
na terra fértil. 
 
Uma nuvem chora. 
 No chão molhado 
pegadas de solidão 
anunciam como é frio 
o inverno da alma.




Texto e foto
Ailime
08.11.2018

sábado, outubro 27, 2018

Num rasgo de vento


 Num rasgo de vento 
o outono revela-se 
nas folhas esmaecidas 
que atapetam o chão, 
desnudando os ramos 
que rasgam as nuvens 
num rodopio de asas. 

Que vento é este   
que ruge como o mar 
em dia de tempestade 
e arrasta as folhas 
como barcos a naufragar? 

Uma simples aragem? 
Um relâmpago? 
Uma vertigem? 
É apenas o outono 
a faiscar nas folhas 
a luz quebrantada 
na linha do horizonte. 




Texto Ailime
27.10.2018
Imagem Google

sábado, outubro 20, 2018

Deixa que o outono

José Malhoa

Deixa que o outono te esculpa na alma 
a luz plácida dos dias 
quando os pássaros esvoaçam as folhas 
e as dispersam pelo teu chão. 

No burburinho das manhãs 
e no silêncio das tardes 
não antecipes a noite 
sorri e alegra-te com o sol-posto. 

Ouve a melodia dos pássaros 
num concerto só para ti 
deixa que a poesia flua 
no teu regaço, em silêncio. 




Texto
Ailime
Imagem Google
20.10.2018

domingo, outubro 14, 2018

Trago nos lábios a palavra outono

Foto de Manuel Luís Simões

Trago nos lábios a palavra outono 
como folha alagada pela chuva 
que como pétalas cai com placidez 
a envolver-nos docemente o corpo 
que alastra em voos improváveis 
sobre o chão alado que pisamos. 

Nessas horas tardias 
prendemos o pôr do sol com a voz 
rasgamos o horizonte com o olhar 
que nos incendeia os dedos 
deslizar como riachos     
no silêncio dnosso outono.




Texto 
Ailime
14.10.2018