domingo, janeiro 15, 2017

Procuro nas palavras


Procuro nas palavras
A vertigem dos dias
E apenas a nudez das árvores
Me fala de luz.

O inverno abarca-me
Na chuva que goteja
O murmúrio do vento
No esvoaçar dos pássaros.

No infinito uma nuvem
Arrasta para longe
A sombra das asas
Num voo raso de espanto.


Texto e foto
Ailime
18.02.2014
(Reposição)



sexta-feira, dezembro 30, 2016

Viro mais uma página


Viro mais uma página
amarelecida
do livro incompleto
que me rasga o tempo
num breve sopro,
como folha a esvoaçar
nas asas do ocaso.

Deixo apenas que o sonho
me conduza em silêncio
pela rota das palavras.



Texto e foto
Ailime
30.12.2016









Desejo-vos  um bom 2017!

terça-feira, dezembro 20, 2016

Quase Natal


Há silêncios que me confundem
e  palavras que como espadas
me trespassam os sentidos
como se o meu corpo
já não me pertencesse,
de tão gelado que está.
É inverno... e quase Natal.
Onde está o aconchego e o Menino Jesus?
Tantas luzes, tantos presentes,
tanta euforia, tanta mesa farta
e até a guerra, a terrível guerra injusta e cruel
não desiste de matar.
Cidades destruídas, crianças ao relento,
fome e desespero.
Tantos nus a rastejar pelas cidades
estendendo as mãos que ninguém  vê,
que ninguém ouve, que ninguém sente.
Que faço eu aqui, impotente, 
perante estes factos que perturbam o meu sentir?
É tempo de Natal...
Sim, em Belém de Judá,
nascerá de novo o pobre Deus Menino
numa manjedoura deitado
e envolto em frágeis panos,
aquecido pelo bafo dos animais do estábulo.
D’Ele emanará a luz
que se revelará a mais brilhante,
que aquecerá e libertará
e ouvir-se-ão cânticos de louvor
entoados por toda a Terra.
Eu clamo ao Deus Menino: salva o teu povo
e renasce no coração de cada Homem.
É tempo de celebrar o teu Natal.

Texto
Ailime
20.12.2016



Desejo-vos um santo e feliz Natal.
Abraços.


quarta-feira, novembro 30, 2016

Dualismo

 

Há um dualismo nos teus olhos
e no esboçar do teu sorriso
que jamais alcançarei.
Como névoa fria retrais-te
num raio de sol libertas-te
numa sombra escondes-te
como se houvesse muros
a impedir-te os movimentos,
a razão, o olhar, o querer.
O silêncio é o teu cúmplice
no torpor instintivo
que te impede a claridade.



Texto
Ailime
Imagem Google
30.11.2016


domingo, novembro 20, 2016

Na ausência das folhas


Na ausência das folhas
os ventos sopram os dias
das primaveras serôdias
suspensas de densas escarpas

Os musgos escoam nas asas
alvoraçadas dos pássaros
sombras de nuvens azuis
na obscuridade dos muros

Nas veredas estreitas
de labirintos insondáveis
a luz detém no horizonte
a plenitude do olhar



Texto e foto
Ailime
(Reposição)

segunda-feira, outubro 31, 2016

O rio, sempre o rio...

Salvador dali

O rio, sempre o rio...
que deixa a descoberto
as margens longínquas do tempo
que te cerceiam os gestos
e onde o teu olhar repousa
como se não houvesse amanhã.

Os dias claros percorrem-te o olhar
desfazendo as névoas da incerteza,
que em silêncio resgatas à luz.

O rio, sempre o rio...

A sulcar na lonjura das marés
a clarividência do teu sorrir.


Ailime
31.10.2016



quinta-feira, outubro 20, 2016

Torna-se necessário rescrever a canção

Torna-se necessário rescrever a canção
Mesmo que as mãos, em chamas,
Recusem o gesto, vacilante, da melodia.

Como os pássaros, que de asas feridas
Cruzam os céus em voos arrojados,
É urgente que os barcos ergam as velas
Na melopeia cadente da maré cheia.



Ailime
29.03.2015
Imagem Google
(Reposição)

sábado, outubro 01, 2016

Retenho as palavras


Retenho as palavras com o olhar
e desfio-as como finos fios de seda
a resvalar dos casulos
protegidos pelas teias
do orvalho da noite.
Resguardo-as em silêncio
como se não me pertencessem.
Não quero que os rumores sombrios
as maculem na transparência da luz.

 2016-10-01
 Ailime
Imagem Google

terça-feira, setembro 13, 2016

Nos olhos da noite também há luz



Nos olhos da noite
sentia-te o silêncio mudo
que te escavava no rosto
a angústia, que te dilacerava
no peito a ausência da luz.

Dias tortuosos, sombras
que te trespassavam o olhar
pálido como paredes brancas
onde o luar se queda
em noite de quarto crescente.

Mas nem sempre o inverno
obscurece os mares que navegas.
Timidamente uma vigia abriu-se
e de rompante dissiparam-se as trevas.
A luz reacendeu-te no olhar, a vida
que na praia te aguardava a sorrir.

É que nos olhos da noite também há luz.



Texto e foto
Ailime
13.09.2016

terça-feira, agosto 30, 2016

Aprisiono a luz


Na singularidade da existência
movo-me por entre muros
que me tolhem os passos
em apertadas veredas,
num rumar vacilante.
Descubro sóis para além das ameias
dos muros que me cerceiam
e aprisiono a luz filtrada pelas sombras
e deixo que a claridade me cinja
num prenúncio de transformação. 



Texto (revisto) e foto
Ailime
18.04.2012
Reposição