segunda-feira, maio 07, 2018

Rasgo o tempo


Rasgo o tempo com o olhar
e aprisiono as palavras
nos ponteiros do relógio,
que no silêncio da noite
marcam o compasso das horas.
Lentamente a insónia
apodera-se dos minutos, dos segundos,
e os meus pensamentos
em turbilhão
a perderem-se na imensidão da noite
a tolherem-me os movimentos
na cegueira que me envolve.
Acordo em sobressalto.
Um sonho, um pesadelo?
Apenas um novo dia,
um novo olhar,
uma nova esperança
na claridade da manhã
a resplandecer  no horizonte.

Texto: Ailime
Imagem Google
17.08.2016
(Reedição)

quarta-feira, abril 25, 2018

Em Abril


Em Abril sonhei-te como pólen no chão adormecido
E abriguei-te no meu peito aberto ao vento
Qual noite a emergir na madrugada
Do silêncio a luz se fez espanto.

Como um véu abriste-te em amor
E deste-te em abraços e harmonias
Num só voo ainda entoo
Alvorada em flor até ser dia.




Texto  (reedição revista)
Ailime
25.04.2015
Imagens Google

terça-feira, abril 10, 2018

Liberdade dos gestos


Há na liberdade dos gestos
o brilho da alvorada
que ilumina os olhares
e incendeia o horizonte
como relâmpagos
a cintilar no firmamento
o voo arrojado dos pássaros
que sobrevoam as marés
na amplitude dos gestos
despojados de silêncios.

Texto
Ailime
10.04.2018
Foto: Google

terça-feira, março 27, 2018

É ainda inverno





É ainda inverno nas árvores desnudas
que os temporais têm açoitado
como se fossem barcos à deriva
em mares agitados por ventos enfurecidos.
E o meu corpo tremente de frio
como se a neve, a escorrer da montanha,
o envolvesse em brancura gélida
procura avidamente o calor do sol
(ainda tímido em manhãs precoces)
para o envolver em suave enlace
como amantes ávidos de desejos.


Texto e foto
Ailime
27.03.2018

sábado, março 17, 2018

Contemplação


O espanto trespassa-me o olhar
quando o sol incendeia  o horizonte
e alastra sobre  o universo
o  silêncio  da tarde.

Como num espelho,
o  firmamento afaga as brumas
que povoam o meu sentir
e deixo que o paraíso
me envolva como águas,
         cristalinas,
a brotar da nascente.

Quedo-me num mutismo
contemplativo
que  me confunde e desconcerta.

Apenas uma brisa suave
me reconcilia na alma
o sentido das palavras.


Texto (Reedição)
Ailime
(29.06.2016)
Foto de Neca retirada do Blogue
Céus e Palavras de Chica

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

Não fora a chuva

Foto de  Alexandre  Mansur



Não fora a chuva
que livremente beija o solo
os meus olhos estariam secos
como as estepes ou as planícies
onde o orvalho não cabe.
Uma sede intensa
percorre-me os lábios
e adentra-se na alma
como se buscasse
um poço de águas profundas
livres e transparentes
como as gotas da chuva.


Texto 
Ailime
Imagem Google
28.02.2018


terça-feira, fevereiro 20, 2018

Não quis rasgar o tempo


Não quis rasgar o tempo
nem contornar os rios
que me saíam do ventre.
Deixei apenas que dos meus lábios
as palavras se desatassem
como aves em pleno voo
no silêncio das manhãs.


(Reedição)

Texto
Ailime
Imagem Google
29.01.2017

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Hoje apenas o vento

Pintura de Zoltan Szabo

Hoje apenas o vento
vertiginoso
te sussurra ao ouvido
no silêncio cortante do frio
a canção do inverno.
O ar gélido açoita-te
e de rompante rasga-te a pele
como se fora uma bússola
perdida em alto mar
a navegar nas marés
os barcos tombados
pelos glaciares.
A noite aproxima-se
na praia invisível
o teu corpo gelado.


Texto
Ailime
06.02.2018
Imagem Google

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Retenho as palavras


Retenho as palavras com o olhar
e desfio-as como finos fios de seda
a resvalar dos casulos
protegidos pelas teias
do orvalho da noite.
Resguardo-as em silêncio
como se não me pertencessem.
Não quero que os rumores sombrios
as maculem na transparência da luz.

 2016-10-01
 Ailime
Imagem Google

(reposição)

sábado, janeiro 13, 2018

O meu rio, quase inerte


Lá em baixo, o meu rio passa
numa agonia que lacera
conspurcado pela ignomínia
dos homens que sem piedade
o assassinam a olho nu.
Nas margens os barcos ancorados
vazios de sustento, carpem
a impiedade que avassala o rio
numa destruição pungente.
Tudo em redor são cinzas,
porque as guelras há muito
deixaram de respirar
na transparência das águas
a claridade da vida.

O meu rio, corre lá em baixo
quase inerte, quase irreconhecível
numa agonia que lacera.


Texto
Ailime
13.01.2017
Imagem Google