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sábado, outubro 24, 2026

Pedra disforme



É uma pedra disforme
que inspira poesia.

Sobre ela cai uma folha,
desamparada,
impelida pelo vento,
dando-lhe um brilho raro,
que a embeleza
e se mistura, com leveza,
nas cores do chão de outono.

Talvez um pintor
tivesse passado por ali,
descobrindo a beleza
daquele cenário
e fixando na tela
a transformação
do que antes parecia
não ter forma.

Agora brilha na sua tela,
revelando aos olhares
a beleza escondida
que a natureza criou.


Texto e foto
Emília Simões
24/10/2026






sábado, setembro 20, 2025

Verão, quase outono

Pixabay


Verão, quase outono.
Tempo em brasa,
dias curtos
que ensombram a vida.
Nos olhos a solidão
das folhas que, aqui e ali,
pintam o chão de amarelo.
A minha alma veste-se 
de melancolia.
O tempo, implacável,
continua desafiando
a contemplação,
a serenidade,
na esperança
do retorno aos dias,
em que as horas se prolongam na luz.
É quase outono.
Uma folha amarelecida,
trémula, ressequida,
desprende-se de mim
.

Texto 
Emília Simões
20.09.2025

sábado, outubro 12, 2024

As palavras

 


Hoje as palavras estão escondidas num ninho.

Levanto voo para alcançá-las, mas

a gravidade deita-me ao chão.

Ergo-me e tento trepar.

O tronco, escorregadio,

faz-me resvalar e cada vez mais

as palavras se afastam.

Chove e os pássaros, taciturnos,

não abandonam as crias.

As palavras estão cada vez mais longe.

Tento voar numa folha ao vento

para as agarrar mas, teimosas,

ignoram-me.

Esqueço-me, por instantes,

que ainda não é o tempo

propício das colheitas.


Texto e foto
Emília Simões
12.10.2024

sábado, março 30, 2024

O pasmo diante da candura das pétalas


O pasmo, diante da candura das pétalas.

O inseto suga-te o néctar.
Debaixo das asas, o chão
que os meus pés pisam
vagarosamente.

Naquela folha o desdém 
de quem não entende
o respirar dos pássaros
na construção dos ninhos.

Subo a escarpa e observo o horizonte.

Uma nuvem esconde o sol
e o dilúvio, de novo,
tomba sobre as folhas.

A luz reacende o entardecer
com a rapidez dum relâmpago.


Texto e foto
Emília Simões
30.03.2024

Desejo a todos os meus amigos e famílias uma santa e Feliz Pascoa!

quinta-feira, março 11, 2021

O poema pode conter silêncios



O poema pode conter silêncios,
sorrisos e pores do sol.
Pode ser, simplesmente, uma folha
que esvoaça ao vento levando um beijo
para um amor distante.
Pode conter ecos da alma,
murmúrios do mar,
memórias e saudades.
Pode ser, simplesmente,
uma linha reta ou 
uma curva com metáforas
onde crescem flores na primavera.
Um poema pode ser, simplesmente,
um pássaro a voar.


Texto
Ailime
11.03.2021
Imagem Google

terça-feira, novembro 03, 2020

Folha ao vento



Uma folha ao vento
pode não ser apenas uma folha;
é raiz, é tronco,  é seiva;
é flor, é fruto; 
pedaço de céu, nuvem,
raio de sol,  luar.

O que importa é o tempo
que por ela passa e a transforma
qual instante em que os ramos
se fundem nas teias sombrias
que agora repousam
no abismo do silêncio.

Da profundeza da ravina
uma árvore brota em flor.


Texto
Ailime
Imagem Google


 

domingo, outubro 14, 2018

Trago nos lábios a palavra outono

Foto de Manuel Luís Simões

Trago nos lábios a palavra outono 
como folha alagada pela chuva 
que como pétalas cai com placidez 
a envolver-nos docemente o corpo 
que alastra em voos improváveis 
sobre o chão alado que pisamos. 

Nessas horas tardias 
prendemos o pôr do sol com a voz 
e rasgamos o horizonte com o olhar 
que nos incendeia os dedos 
a deslizar como riachos     
no silêncio do nosso outono.




Texto 
Ailime
14.10.2018