«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
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sexta-feira, julho 19, 2019
O teu sorriso
Gosto do teu sorriso
quando o barco te aporta
ao início da madrugada
na praia incendiada por pássaros
no rebentar das marés.
Pé ante pé persigo a luz
que desponta suave,
quase inocente
nos gestos das águas
que te aspergem o dia.
Um rasto de corais
move-se contra o vento
que sopra a manhã
que te abraça
com faíscas imperceptíveis.
Texto
Ailime
19.07.2019
Imagem Google
quarta-feira, junho 19, 2019
A vida não é reta nem plana
tantas vezes curva e oblíqua
aos ziguezagues
que me gravam na pele
as sombras agrestes
e desalinhadas
pelos ventos vulneráveis
de densa escuridão
Nas águas brandas do rio
uma linha de fogo
asperge de esperança
a alma inquieta e sedenta
No meu olhar, sustenho a claridade.
a alma inquieta e sedenta
No meu olhar, sustenho a claridade.
Texto
Ailime
19.06.2019
Imagem Google
sábado, janeiro 13, 2018
O meu rio, quase inerte
Lá em baixo, o meu rio passa
numa agonia que lacera
conspurcado pela ignomínia
dos homens que sem piedade
o assassinam a olho nu.
Nas margens os barcos ancorados
vazios de sustento, carpem
a impiedade que avassala o rio
numa destruição pungente.
Tudo em redor são cinzas,
porque as guelras há muito
deixaram de respirar
na transparência das águas
a claridade da vida.
O meu rio, corre lá em baixo
quase inerte, quase irreconhecível
numa agonia que lacera.
Texto
Ailime
13.01.2017
Imagem Google
Etiquetas:
agonia,
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barcos,
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sábado, outubro 28, 2017
Há no silêncio das águas
Há no silêncio das águas
um outro planeta
a carpir o chão queimado.
E na ausência das marés
a terra implora
que as gaivotas regressem
para libertar os barcos
esquecidos nos portos.
No meu olhar ressequido
há muito que as cinzas
não me deixam ver claro.
Ailime
28.10.2017
Imagem Google
Etiquetas:
águas,
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silêncio
sábado, novembro 10, 2012
Viajo no tempo
Agora apenas viajo no tempo
Das memórias que me
moldaram
Na descoberta dum mundo, ilusório,
Que ainda não alcanço.
E resvalo por entre espirais
De águas insípidas
Em mares revoltos
Por tempestades
Açoitadas pelo vento.
Num espaço que não me pertence
Tento consolidar o meu sentir
Nessas evocações
Como apelo à edificação
Do futuro que é hoje.
10.11.2012
Ailime
Imagem da Net
terça-feira, setembro 04, 2012
Nos declives
Nos declives das
montanhas
Escorrem águas
poluídas
Pelo sal amargo dos
dias
Que alastram
cinzentos
Nas manhãs de
primavera.
E nos trilhos que percorro
Resvalo por entre
sombras
Que me cingem e vaticinam
Nascentes de água límpida
No anoitecer de ti.
Imagem da Net
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