quinta-feira, dezembro 21, 2017

... quase Natal



Há silêncios que me confundem
e  palavras que como espadas
me trespassam os sentidos
como se o meu corpo
já não me pertencesse,
de tão gelado que está.
É inverno... e quase Natal.
Onde está o aconchego e o Menino Jesus?
Tantas luzes, tantos presentes,
tanta euforia, tanta mesa farta
e até a guerra, a terrível guerra injusta e cruel
não desiste de matar.
Cidades destruídas, crianças ao relento,
fome e desespero.
Tantos nus a rastejar pelas cidades
estendendo as mãos que ninguém  vê,
que ninguém ouve, que ninguém sente.
Que faço eu aqui, impotente, 
perante estes factos que perturbam o meu sentir?
É tempo de Natal...
Sim, em Belém de Judá,
nascerá de novo o pobre Deus Menino
numa manjedoura deitado
e envolto em frágeis panos,
aquecido pelo bafo dos animais do estábulo.
D’Ele emanará a luz
que se revelará a mais brilhante,
que aquecerá e libertará
e ouvir-se-ão cânticos de louvor
entoados por toda a Terra.
Eu clamo ao Deus Menino: salva o teu povo
e renasce no coração de cada Homem.
É tempo de celebrar o teu Natal.

Texto
Ailime
20.12.2016
(reposição)


Desejo-vos um santo e feliz Natal.
Próspero Ano Novo!
Abraços. Ailime



sábado, dezembro 09, 2017

O rio, sempre o rio...

Salvador dali

O rio, sempre o rio...
que deixa a descoberto
as margens longínquas do tempo
que te cerceiam os gestos
e onde o teu olhar repousa
como se não houvesse amanhã.

Os dias claros percorrem-te o olhar
desfazendo as névoas da incerteza,
que em silêncio resgatas à luz.

O rio, sempre o rio...

A sulcar na lonjura das marés
a clarividência do teu sorrir.




Ailime
31.10.2016
(Reposição)

segunda-feira, novembro 20, 2017

Abro a minha alma


Abro a minha alma ao teu clamor
Como se fosses uma criança
A implorar a Lua.
Mas é tão difícil alcançá-la…
E as estrelas
Que nos observam atónitas
Tão longe dos nossos olhos
Tão longe das nossas mãos
Que se entrelaçam enregeladas
Como se o inverno nos rasgasse a pele  
Com os musgos e as geadas da manhã
Ainda antes do sol nascer.
Um silêncio gélido entorpece-me.
Na ausência de movimentos
A minha voz emudece
Nas gotas de orvalho
Que me escorrem pela garganta.



Texto
Ailime
20.11.2017
Imagem Google


sábado, novembro 11, 2017

Em silêncio


Em silêncio os pássaros
rasgam o vento
sobrevoando
mares encapotados
por neblinas à deriva,
como barcos a sucumbir
nos areais gélidos
de praias imaginárias
dispersas pelos sonhos
inacabados
dos náufragos.

Em veloz apatia
cardumes flutuam
como foguetes
a cintilar nas águas
as faíscas dos relâmpagos.



Texto 
Ailime
Imagem Google
30.05.2016
(Reposição)

sábado, outubro 28, 2017

Há no silêncio das águas


Há no silêncio das águas
um outro planeta
a carpir o chão queimado.
E na ausência das marés
a terra implora
que as gaivotas regressem
para libertar os barcos
esquecidos nos portos.
No meu olhar ressequido
há muito que as cinzas
não me deixam ver claro.

Texto
Ailime
28.10.2017
Imagem Google

quarta-feira, outubro 18, 2017

Quando no meu regaço vazio

Imagem Google


Quando no meu regaço vazio
Abrigo o silêncio dos búzios
É como se o mar recuasse
Em perseguição do sol-posto.

Estendo o olhar ao infinito
E perscruto nas asas dos pássaros
O regresso das águas
Envoltas em manhãs de coral.

A luz antecipa-se às marés
E esboça nas velas dos barcos
Tons rasgados de aurora
A raiar o céu verde de espanto.


TextoAilime
 08.07.2015
(Reposição)

segunda-feira, setembro 25, 2017

Nas folhas de outono


Há nas folhas de outono o encanto do pôr do sol.
Os seus dourados e vermelhos lembram o astro rei
quando ao entardecer parece aninhar-se no horizonte
num leito feito de luz que nos extasia o olhar.

A Terra parece respirar silêncio e serenidade
e as gaivotas bailam sobre as marés 
a magia desse momento que atordoa os sentidos,
como se o crepúsculo reacendesse em nós
o anseio de um novo alvorecer.



Texto e foto
Ailime
25.09.2017

quinta-feira, setembro 14, 2017

Nos olhos da noite também há luz.



Nos olhos da noite
sentia-te o silêncio mudo
que te escavava no rosto
a angústia, que te dilacerava
no peito a ausência da luz.

Dias tortuosos, sombras
que te trespassavam o olhar
pálido como paredes brancas
onde o luar se queda
em noite de quarto crescente.

Mas nem sempre o inverno
obscurece os mares que navegas.
Timidamente uma vigia abriu-se
e de rompante dissiparam-se as trevas.
A luz reacendeu-te no olhar, a vida
que na praia te aguardava a sorrir.

É que nos olhos da noite também há luz.



Texto e foto
Ailime
13.09.2016
(Reposição)

quinta-feira, agosto 31, 2017

Há como que um relógio


Salvador Dali


Há como que um relógio
suspenso nas paredes do tempo
onde os ponteiros das horas
esvoaçam como pássaros
a rasar a manhã
em voos rápidos e intermitentes,
que desnorteiam as folhas
que vão tombando
neste outono precoce.
Quisera deter o ímpeto dos pássaros
e a queda das folhas
abraçando o entardecer
como se não houvesse amanhã.



Texto Ailime                                                                     
Imagem Google
31.08.2017

sábado, agosto 12, 2017

Buscas as palavras


Buscas as palavras.
Em frente de ti o mar,
sob um céu matizado de azul.
As sombras evadiram-se.
A luminosidade é agora
tua cúmplice e sorris.
O mar tem esse encanto
de penetrar os ramos dos pinheiros
e induzir a luz nos teus olhos.
As palavras brotam-te dos dedos
como seiva a despontar no lenho.
O mar recua e o vento
acena-te a liberdade.
                                                   
                                                         

Texto e foto
Ailime
08.08..2017