sábado, novembro 07, 2026

Poema de inverno em novembro





Tarde sombria, outono no auge.
Folhas caídas, dia escuro e triste.

Em Novembro
sente-se o inverno na alma
e as ruas da aldeia
já não são as mesmas.

Não há crianças a brincar e a  saltar;
nem mulheres a conversar junto à fonte.

As flores do campo perderam as cores
e os frutos de outono,
não têm sabor.

Tudo transpira saudade 
que se acumula
na neblina que cobre o rio,
que deixou de ser azul.

As casas apalaçadas, vazias,
fechadas por muros e portões,
são agora casas de férias,
mas cheiram a mofo.

Ali onde nasci, vivi e  cresci
é agora uma ilha isolada,
sem cor, sem sabor, sem cheiros.

Nas antigas casas velhas
que resistem no fundo da rua,
ainda palpitam dois corações,
que jamais se apartarão de mim.

Em Novembro, vos escrevo:
queridas mãe e avó,
com todo o meu amor.

E saudade.


Texto e foto
Emília Simões
07.11.2026