Apazigua o espírito e liberta o pensamento.
«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
quinta-feira, setembro 25, 2025
Simples palavras
Apazigua o espírito e liberta o pensamento.
sábado, setembro 20, 2025
Verão, quase outono
Tempo em brasa,
dias curtos
que ensombram a vida.
Nos olhos a solidão
das folhas que, aqui e ali,
pintam o chão de amarelo.
A minha alma veste-se
de melancolia.
O tempo, implacável,
continua desafiando
a contemplação,
a serenidade,
na esperança
do retorno aos dias,
em que as horas se prolongam na luz.
É quase outono.
Uma folha amarelecida,
trémula, ressequida,
desprende-se de mim.
domingo, agosto 31, 2025
Vestígios de mar
ainda disforme.
Nos dedos submersos
e distorcidos
navegaram ondas e marés,
na erosão perfeita da arte.
A sua voz, atravessou a noite
num grito heroico.
sábado, agosto 23, 2025
Nos momentos em que o silêncio
ouço a voz do vento
que arrasta no tempo
as primeiras folhas de outono
que, sob o meu corpo,
estremecem de tanta secura.
Ainda é cedo, mas o outono
insinua-se e as horas encurtam
os dias, que os ponteiros
dos relógios, já gastos,
vão empurrando com espanto.
as flores continuem a brotar,
nos campos áridos,
junto à minha porta.
sábado, agosto 16, 2025
Nas margens do meu rio
Nas margens do meu rio
há uma enorme angústia,
uma sede intensa.
Tudo arde, até o leito do rio
emana labaredas
que queimam os peixes.
Do teu rosto
soltam-se gotas de suor
e o sal cava-te rugas profundas
nas entranhas,
que choram
o calor da terra, do mundo.
Um deserto aproxima-se.
Perdi a noção do meu espaço.
Tudo se transforma.
Fico imóvel como pedra.
Ao meu redor apenas silêncio
e o chão em brasa.
Emília Simões
16.08.2025
sábado, agosto 09, 2025
Neste mar imenso
Neste mar imenso mergulho o meu olhar,
a minha sede, os meus sonhos, o meu silêncio.
A brisa marinha envolve-me, cálida, mas serena.
Sentada numa escarpa,
atenta ao vaivém das ondas
que, em espirais, rodopiam agitadas,
como numa dança, numa linguagem,
que desconheço,
sinto como que um convite a meditar,
nas minhas escolhas, nas minhas imperfeições.
No horizonte, o sol já há muito adormeceu.
Fico mais uns instantes,
até que um pássaro voa rasgando o céu nublado,
deixando-me só, a cismar.
Neste momento renuncio ao silêncio.
Apenas a voz do mar continua
entranhada em mim.
Emília Simões
09.08.2025
sábado, agosto 02, 2025
Pobre mundo
Foto: Hosny Salah - Pixabay
corroído pela avareza, pelas tribulações,
pelas vaidades, pelos excessos,
pela corrupção.
As guerras, a fome, o abandono
de tantos à beira dos caminhos,
estendendo as mãos carentes de tudo.
Rostos dilacerados pela dor,
pela indiferença, pela miséria.
Impávidos e serenos, somos testemunhas
numa inação que fere a alma.
O que poderemos fazer para amenizar
tanta angústia, tantas doenças,
Existirá um caminho, uma solução
para aliviar os seres humanos
lutando com todas as nossas forças,
para que a claridade possa brilhar
Emília Simões
02.08.2025
sábado, julho 26, 2025
Na imensidão do silêncio profundo
Na imensidão do silêncio profundo,
que me paralisa o pensamento
e me impede de ver o dia claro,
ouço a tua voz
que me liberta desta penumbra
e auxilia na libertação das palavras,
presas dentro de mim.
Um pássaro levanta voo
e corta o horizonte com um sopro,
anunciando a chegada do amanhecer.
26.07.2025
sábado, julho 19, 2025
Sentada sobre o passado
sábado, julho 12, 2025
Hoje não escrevo
Hoje não escrevo.
Não me apetece.
Passeio ao ar livre e fresco
e deixo que as palavras
se escoem no tempo
e se enleiem nas folhas
e no canto dos pássaros.
À margem de mim,
à margem dos meus sentidos,
dos meus sonhos.
Nas margens do meu rio.
Emília Simões
10.07.2025
