«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, outubro 28, 2023
No silêncio da tarde
sábado, outubro 21, 2023
Tens na voz o embargo
Tens na voz o embargo
de quem navega ao relento
nas esquinas da cidade
onde tudo falta e tudo sobra.
Corpos molhados, faces enrugadas,
olhos baços de tantas súplicas
que ninguém ouve, ninguém vê.
Apenas sombras...
Do outro lado da rua choros e gritos
sob estrondos atroadores
numa tristeza letal.
Chove nos meus olhos
a tua sede, a tua fome, o teu martírio.
No meu silêncio guardo tudo
e num arrastar de folhas
peço ao vento benevolência.
Texto e foto
Ailime
21.10.2023
sábado, outubro 14, 2023
Ouve a voz da razão
Quando o teu coração sangrar
ouve a voz da razão e atravessa a ponte.
Haverá sempre algo de novo do outro lado
que te fará sorrir e te apontará novos caminhos.
O sol brilhará sempre, mesmo que dos teus olhos
se soltem lágrimas amargas.
O teu rosto será o espelho da esperança,
o renascer em cada esquina da vida.
Não temas, porque nada é em vão.
Debruça-te nos silêncios da noite
e ouve a voz da razão.
Na tua quietude sentirás paz.
Ailime
14.10.2023
domingo, outubro 08, 2023
Descobres nos ninhos
Descobres nos ninhos
a vocação dos pássaros
quando vazios
as asas se estendem
no voo em liberdade
até se confundirem
com a natureza.
Depois outro ninho
outras vidas
novos cantos de folha em folha.
A natureza
renova-se no relento da noite;
o dia renasce,
num pássaro a voar.
Ailime
08.10.2023
sábado, setembro 30, 2023
Desato as sandálias
Desato as sandálias e caminho descalça pelas dunas;
os meus pés pisam areias secas e por momentos
recuo e torno a calçar-me. O chão escalda.
O deserto é penoso, mas desafiante.
Nele me reencontro, sempre que durmo ao relento
nas noites infindáveis, quando mergulho em sono profundo.
Pela manhã o sol acorda-me e uma flor sorri.
É o recomeço da travessia; por instantes, sonho.
Ailime
30.09.2023
Image Google
sábado, setembro 23, 2023
Cedo ao tempo
Cedo ao tempo em silêncio
e escrevo palavras à toa
nas horas incertas,
quando os ponteiros do relógio
se detêm nos ecos
insondáveis dos minutos
e os segundos, suspensos,
como num compasso,
me prendem os sentidos.
Vagueio sem saber das horas
e nelas me reencontro sempre
que me reconheço
na voragem dos dias.
Ailime
Set/2023
Imagem Google
sábado, agosto 26, 2023
Nas asas do vento
Nas asas do vento descansava
das provações da vida.
O seu coração ficava leve, leve
como pássaros a esvoaçar
em redor da sua cintura.
Decidira não mais se penalizar
por todos os absurdos com que se cruzara.
Era um caminho árduo, silencioso
que lhe ardia sob os pés cansados,
onde não queria voltar.
Como um inseto saltitava
sobre as flores secas e sem cheiro
e redimia-se num casulo de silêncio
numa escarpa junto ao mar.
Ailime
2022
Imagem Google
sábado, agosto 19, 2023
Há que redescobrir silêncios
As tarefas rotineiras são cansativas,
como são cansativos os dias sem luz.
Por vezes as palavras colam-se à língua
e não desatam os versos que
que habitam o silêncio
no mais recôndito de nós.
Torna-se necessário novas primaveras
que nos devolvam os pássaros
com seus cantos maviosos
que nos ensinem outras canções.
Há que redescobrir silêncios
que nos ajudem a atravessar
novos caminhos, novas pontes,
novos jardins, com flores sem nome.
Há que soltar as palavras
nos rodopios do vento;
há que reiventar as canções
nas escarpas do amor.
Ailime
Imagem Google
sábado, agosto 12, 2023
Tinha na pele o cheiro das flores
Tinha na pele o cheiro das flores
e rasgava as searas com os sentidos
na alvura da manhã bebia o orvalho
antes que o sol lhe queimasse o corpo.
Inebriados pelo frescor do amanhecer
os pássaros voejavam de mansinho
entoando cantos maviosos da aurora.
Ao lado, o rio, sabia-lhe de cor o nome
e sorria-lhe, cúmplice, na maré cheia
nos acordes da vida a renascer.
Era o espanto que a revigorava
nas primeiras horas do dia
trazidas pela lezíria
como barcos a respirar.
Ailime
sábado, agosto 05, 2023
Pássaros em bandos
Pássaros em bandos
voam em liberdade, serenamente,
mensageiros da paz e do bem.
É tempo de abrir o coração
à palavra e ao amor.
É tempo de encontro
e de reencontros
tempo de perdão, de alegria,
de fraternidade e igualdade.
Todos juntos e são muitos
cantam o amor e escutam.
Sabem escutar
e enxergam com brilho nos olhos
o voo mais Alto
para um mundo melhor
construir e pacificar.
É tempo de ter esperança!
foto (via TV)
Ailime
