sábado, outubro 17, 2026

Faz hoje anos...

Vecteezy


Faz hoje anos...em que

o dia se fez outono.

Iniciei a descida das escadas.

Degrau a degrau.

Sorria, sorriam-me.

Vi uma lágrima rolar

num rosto...

Disse até sempre.

Foi difícil o percurso. 

O que pensara ser  liberdade

foi uma prisão dentro de mim.

Senti-me solitária,

vazia de tudo e nada.

Senti falta de tanto e tão pouco.

O mundo ia caindo a meus pés.

Deixara para trás um pequeno mundo

que foi parte integrante de mim,

em que nem sentia a voracidade

do tempo.

Não me dava conta da primavera,

das flores de que tanto gosto,

das folhas douradas do outono,

do chuvoso e frio inverno.

No verão descansava...

E aqui estou....a rabiscar umas palavras

que neste momento já não me fazem sentido.

Tudo tem um tempo.

Tudo tem uma hora.

Faz hoje anos, alguns,

em que a minha liberdade

se chamou arrependimento.


Texto
Emília Simões
17.10.2026

19 comentários:

  1. Boa tarde:- Poema brilhante que aplaudo e elogio.
    .
    Saudações poéticas
    .

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  2. Também comecei a escrever num momento de mais vulnerável. Hoje é bem diferente. Mas cá se continua. Parabéns pelo poema. Gostei!
    -
    É outra vez Outono....
    -
    Beijos, e um bom fim de semana.

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  3. Amiga Emília, boa noite de sábado!
    Há lágrimas, arrependimentos... outros outono e novas possibilidades no ar.
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos fraternos

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  4. Tão linda poesia, palavras sentidas e cheias de emoção!
    beijos praianos, ótimo domingo,chica

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  5. Olá, cara Emília
    Tão lindo e, também triste, este poema.
    O tempo passa e vemos que as coisas se vão
    tornando leves e o arrependimento por vezes
    se instala...
    Recordações que nos atingem, datas que nos
    fazem tanta mágoa.
    Desejo-lhe um bom fim de semana.
    Beijinhos
    Olinda

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  6. Amiga Emília
    Um poema de uma sensibilidade imensa, onde a liberdade, tantas vezes sonhada, se revela uma viagem de descoberta, de solidão e de arrependimento.
    Há despedidas que ficam suspensas na memória, escolhas que deixam marcas e caminhos que, só depois de percorridos, nos revelam o verdadeiro peso dos passos dados.
    Entre as estações do ano e as emoções que as acompanham, sente-se a saudade de um tempo em que a vida parecia passar sem que dela nos déssemos conta.
    E, no final, fica a reflexão profunda de que nem toda a liberdade nos liberta e nem toda a escolha nos traz a paz que procurávamos.
    Um poema que nos toca pela sua honestidade e nos convida a pensar nas encruzilhadas da vida, onde o coração nem sempre sabe reconhecer o caminho certo.
    Parabéns por esta partilha tão humana e comovente!
    Continuaçao de bom domingo.
    Semana abençoada com muita saúde e paz.
    Um beijo.
    :)

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  7. Passaram 15 anos! Como é possível? Não sei! A vida vive-se a cada instante, mas temos a mania de a projectar no futuro que não existe. Cada momento presente deve ser vivido como o único que existe. Não o passado, não o futuro. A vida tem todas estas fases, que, se tivermos sorte, devemos passar. Como personagens diferentes de uma mesma história. Não devemos olhar para trás, apenas para diante. Não há espaço para arrependimento porque isso é olhar para trás. O estar-se muito ocupado pode confundir-se com o propósito da vida. Não são a mesma coisa. Aliás, o trabalho todo que tivemos de fazer para nos sustentarmos não é sinónimo da nossa vida. É uma parte dela. Como aprendizes que somos, adaptamo-nos aos nossos outros papéis, exploramos outros vertentes , nossas e externas, prestamos atenção ao que até aí não tínhamos visto. O vento, a abelha que voa, o sol, a calma, o silêncio. A solidão não é uma prisão. Antes, a liberdade interna só pode ser atingida quando todo o barulho do exterior se esvanece. É isso que a maturidade traz. Muitos beijinhos!

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  8. Boa noite Emília.
    Poema muito belo, sentido e carregado de emoção.
    Nem sempre a vida corre como imaginamos. Faz parte do nosso caminho enquanto seres humanos.

    Deixo os votos de uma ótima semana, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  9. Olá Emília,
    Há decisões na nossa vida que depois nos arrependemos.
    Mas toda a gente comete os seus erros, uns maiores outros nem tanto.
    O que descreve neste magnífico poema parece ter sido grave. Mas talvez tudo tenha voltado à normalidade.
    Boa semana minha amiga.
    Beijinhos.

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  10. Melancólico poema. Te mando un beso.

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  11. Quem nuna tomou uma decisão errada.
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  12. Que momento lindo!!! 👏👏👏😘

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  13. Emília querida, quanta emoção e sensibilidade!
    Triste poema, sim, mas não menos belo!
    A vida é assim e assim continuará, arrependimentos, perdas...
    E dentro disso devemos nos "virar" como der, da melhor forma possível.
    Maravilhoso, amiga!
    Vamos em frente...
    Beijinho, paz e saúde sempre.

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  14. La paradoja de la libertad y el arrepentimiento.. Poema introspectivo y confesional de corte existencialista que explora las secuelas psicológicas del aislamiento, el peso de las decisiones pasadas y la dolorosa desconexión con el mundo exterior... SALUDOS

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  15. A imagem é belíssima e o poema a ela se integra, aumentando a beleza de ambos! Às vezes nos arrependemos, sim, do que fazemos com nossa liberdade; mas o que é o arrependimento, senão a melhor forma de aprendizado?! Meu abraço, Emília; bom resto de semana!

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  16. Maravilhosa expressão da passagem do tempo e das consequências que nos fazem despertar para renovação de cada fase do ciclo da vida.
    Bom final de semana. Bjssss
    Atualmente estou com os dois blogs em funcionamento.
    Deixo aqui a nova postagem do pensandoemfamilia.com.br.

    https://pensandoemfamilia.com.br/reflexao-2/a-voz-do-coracao/


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  17. A passar por cá para desejar bom fim de semana!
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  18. Você foi bem certa em se definir como Clarice Lispector; começas-te leve como a brisa, mas finalizas-te como uma ventania e eu amei e também desejo ser leve como aquela brisa suave que acaricia o rosto e também como a uma ventania se preciso for. Só de pensar isso revigora-me! Que delícia! Beijinhos!

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  19. Tão inspirador este poema, tão cheio de emoção e de tanta tristeza que nos comove.
    Tudo de bom.
    Um beijo.

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«Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar».C.L.