sábado, dezembro 27, 2025

Percorro os caminhos

 


Percorro os caminhos de outrora

cobertos de geada.

Nos escombros dos muros, o musgo

escorre a fria madrugada,

que acolhe os pássaros feridos 

de mais uma noite ao relento.

Sobre o rio, neblinas

vertem o orvalho da manhã,

que cava no teu rosto

as cicatrizes da noite,

que te embalam no silêncio

onde mergulhas a voz.

A luz tarda, mas já se anuncia

na cor purpúrea do amanhecer.

Texto 
Emília Simões
10.12.2022
Imagem Google
(Reedição revista)

*Desejo a todos um feliz e abençoado
Ano de 2026, com muita saúde, paz e amor,
extensivo a vossos familiares.

sábado, dezembro 20, 2025

O Natal

Freepik


O Natal  de Jesus aproxima-se!
Será mais um Natal ou simplesmente
um desfile de pessoas pelas ruas das cidades,
em correria ofuscada pelas luzes,
em busca de tudo e de nada.

Numa viela escura e suja, alguém

com frio estende a mão.
Ninguém para, ninguém enxerga.

Mesas cheias, lareiras a crepitar,
alegria vibrante.
Numa casa sem luz nem pão
alguém chora, pede auxílio...
Mas onde está o verdadeiro
espírito de Natal?
Será que o Deus Menino
ali fez a sua morada?

Ao longe ressoam os estrondos da guerra.
Onde está a paz? Onde habita?
As crianças, Senhor, passam fome,
sem brinquedos, sem coisa alguma,
chorando enquanto as suas mães
derramam lágrimas de dor.

Senhor, vem depressa 
ajudar o teu povo desgovernado e aflito,
suavizando a sua fome e sede,
com o teu Amor e a tua paz!

Texto
Emília Simões
20.12.2025

Aproveito para desejar a todos os amigos
e suas famílias, 
um bom Natal, com saúde, amor e paz!

Boas Festas e que 2026
seja um ano melhor para todos nós.

sábado, dezembro 13, 2025

No teu colo

Pixabay


Uma cozinha pequena,
uma lareira grande
e uma fogueira
de chamas a crepitar.

As varas com os enchidos,
na enorme chaminé,
lembravam a matança do porco,
ritual antigo do inverno.

Lá fora, geada e vento.
Tão frio era o inverno.
Era dezembro, mês de Natal.

A tua casa era modesta, mas ampla.
Nela morava o meu aconchego
nos longos serões de inverno,
até adormecer
no calor da lareira.

No teu colo, pela rua iluminada
pelos pirilampos que a ladeavam,
percorríamos o caminho de volta
à minha casa, um pouco acima.

Quando acordava de manhã,
ainda sentia o calor
do teu colo
e da lareira acesa.

Emília Simões
13.12.2025

sábado, dezembro 06, 2025

Tertúlia de Amor nº 5

  Participo na 5ª Tertúlia de Amor da nossa Amiga Rosélia, proposta no seu Blogue Amor Azul.

Grata, Amiga, pelo seu honroso convite.


Desprendidos do mundo
voamos ao sabor do vento,
num mar de papoilas vermelhas
que se abre à nossa passagem.

Como etéreas borboletas 
dançamos sobre o tempo;
o mundo inteiro é nosso,
livre de sombras, pleno de fulgor.

Somos livres para pensar, para amar,
para rir como crianças,
para festejar o nosso enlace,
para celebrar a vida.

De mãos dadas, cruzaremos horizontes,
o amor guia-nos, suave e constante.
Com doce cumplicidade 
construiremos pontes
entre o amor e a felicidade.

Texto
Emília Simões
03.12.2025



sábado, novembro 29, 2025

Um banco solitário

Pixabay

O outono revela-se nas pequenas coisas

que os meus olhos enxergam com pasmo.

No silêncio do vento, o outono guarda

folhas secas com segredos de vidas passadas.

Às vezes, nomes gravados revelam

amores antigos que por ali passaram, 

no parque, onde um banco solitário

imerso num mar de folhas,

parece lamentar as ausências,

antes tão presentes e comuns.

Hoje, ninguém tem tempo

para descansar no velho parque

e escutar os silêncios e o sussurrar do vento,

nas cirandas das folhas em rodopio.

Ainda é tempo para redescobrir os silêncios

e os segredos que aguardam uma nova vida.

Texto
Emília Simões
29.11.2025


sábado, novembro 22, 2025

Quando caminho


Quando caminho e sinto o vazio

do mundo nas folhas que o vento dispersa,

paro a contemplar a luz que brota

das flores, ainda sem nome.


Existo sem pressa no mundo hostil,

onde a virtude é palavra vã;

no meu silêncio acolho o murmúrio

dos voos rasantes das aves feridas.


Nas sombras do crepúsculo

vislumbro utopias ainda por desvendar;

debruçada sobre as brisas,

ouço o rugido distante do mar.


Texto e foto
Emília Simões
22.11.2025

 



sábado, novembro 15, 2025

Um poema

Pixabay


Um poema nem sempre segue o raciocínio do poeta.

Entra em ziguezague para a direita e para a esquerda

buscando num labirinto de memórias

imagens presentes e passadas

de pessoas, de paisagens, de cidades,

de amores e desamores, de luzes e cores.


Na insatisfação do que escreve, o poeta

continua obstinadamente o seu esforço

num procura infrutífera, que insiste

em negar-lhe a razão de um poema 

que o satisfaça.


Não desiste e continua teimosamente.

Mistura palavras com e sem nexo.

Até que cansado, pousa a caneta

sobre o caderno, abre a janela e

deixa o vento entrar!


Talvez daqui a pouco se faça luz

e o pensamento se liberte,

para que, finalmente, o poema germine.


Texto 
Emília Simões
15.11.2025



sábado, novembro 08, 2025

Morreste-me, minha mãe.

Uma rosa do teu quintal

Morreste-me, minha mãe.
Amanhã faz um ano que partiste.
Quem diria que, aquele engasgo traiçoeiro,
te tiraria a vida!
Ainda te estou a ver... Deitada, 
serena, como se esboçasses um sorriso.
Uma imagem que me acompanha
e que guardo escondida no meu coração.
Assim, como os últimos beijos que
trocámos.
Como eram carinhosos os teus afagos.
Tardaram, mas senti-os, porque únicos.
Como tu, que também eras única!
Eras uma pessoa muito especial.
Tardei em conhecer-te e 
foi breve o nosso tempo, mas
estava guardado o melhor para o fim.
É que a vida não é como desejamos,
mas conforme a vontade de Deus.
Descansa em paz, minha mãe!
Tua filha que sempre te amou.

Para a minha mãe.
5/8/1931-9/11/2024

Texto
Emília Simões
08.11.2025

sábado, novembro 01, 2025

Tertúlia de Amor (4)

 Por convite da nossa Amiga Rosélia, no seu Blogue Amor Azul, participo da 4ª edição da Tertúlia do Amor, tendo como inspiração a imagem abaixo.

Obrigada, amiga, pelo convite.


Tornei-me bailarina do amor.
O pôr do sol atrai-nos
para uma dança, que não tem fim.
Seguro a tua mão
e deixo que o vento
me embale nesta aventura
em que adentrei pela vida
contigo a meu lado.
Serás sempre o meu amado.
Contigo danço e flutuo
como se fosse uma folha
leve, muito leve,
a esvoaçar ao vento.
Seduzes-me a cada segundo
e um ligeiro toque teu 
faz-me sentir uma mulher plena.
Continuemos a dançar,
a sonhar e a acreditar
que só o amor vale a pena.


Texto 
Emília Simões
01.11.2025



sábado, outubro 25, 2025

Caminhamos pela vida

Pixabay



Caminhamos pela vida
nem sempre por caminhos retos.
Muitas vezes descalços, com os pés feridos,
a sangrar diante das contrariedades
que perturbam a nossa existência.

Longe de nós, mas tão próximos,
somos confrontados por imagens
que nos invadem através de pequenos ecrãs,
ferindo os olhos e o espírito.

Como é possível que o mundo
onde o consumismo domina de forma desenfreada
a destruir, quase sem nos percebermos,
nos coloque diante de guerras injustas,
em que a morte, a doença, a destruição
e a fome se tornaram o nosso quotidiano?

Que medidas tomamos para evitar tais horrores?
Acordos e mais acordos de paz,
mas onde? Em que locais? Em que países? 

Estamos encurralados num beco sem saída?
Perdeu-se o Norte na condição do Homem?
Por mais que inventemos, ou que a tecnologia avançada
seja implementada nos serviços e tente manipular a
vida humana, o retrocesso é praticamente inevitável!

Como será o futuro das próximas gerações?
Que podemos fazer agora para parar a tempo,
para impedir que o planeta termine de forma triste
e sombria?

Texto
Emília Simões
25.10.2025