Hoje o tempo estagnou naquele lago onde nas manhãs primaveris
ouvia o teu suspirar, como as águas profundas do regato que borbulhavam ao cair
da nascente formando bolhas de espuma branca a contornar raízes de árvores
ancestrais e silvas ainda sem amoras e algumas agulhas de pinheiro que tentavam
impedir-lhe o percurso. Persistente ia deslizando com águas cada vez mais cristalinas
e o pequeno areal que se ia formando prenunciava que o lago estaria próximo. O
fio de água cada vez mais volumoso mergulhava no lago suavemente como num beijo
profundo e as aves esvoaçavam alegremente em redor. O céu reflectido no lago
completava o cenário paradisíaco e retardava o entardecer.
Texto e foto
Ailime
15.05.2016









