domingo, maio 15, 2016

O lago


Hoje o tempo estagnou naquele lago onde nas manhãs primaveris ouvia o teu suspirar, como as águas profundas do regato que borbulhavam ao cair da nascente formando bolhas de espuma branca a contornar raízes de árvores ancestrais e silvas ainda sem amoras e algumas agulhas de pinheiro que tentavam impedir-lhe o percurso. Persistente ia deslizando com águas cada vez mais cristalinas e o pequeno areal que se ia formando prenunciava que o lago estaria próximo. O fio de água cada vez mais volumoso mergulhava no lago suavemente como num beijo profundo e as aves esvoaçavam alegremente em redor. O céu reflectido no lago completava o cenário paradisíaco e retardava o entardecer.

Texto e foto
Ailime
15.05.2016

quarta-feira, maio 04, 2016

O meu rio

Rio Tejo
Este é o rio que desde a infância me corre nas veias.
Rio azul debruado por nuvens de algodão
encrustadas nas planícies verdejantes,
onde o meu olhar se detém.
Este é o rio de onde emergi para a vida
quando o sol nascente reluzia nas suas águas
um despertar precoce.
Este é o rio que ecoa nas suas margens
os ecos dos meus afectos, que persistirão no tempo.
Este é um rio intemporal que, no silêncio da noite,
guarda prantos e segredos sob o olhar das estrelas.

Texto e foto
Ailime
04.05.2016

segunda-feira, abril 25, 2016

Sonhei-te


Sonhei-te como pólen no chão adormecido
E abriguei-te no meu peito aberto ao vento
Qual noite a emergir na madrugada
Do silêncio a luz se fez espanto.

Como um véu abriste-te em amor
E deste-te em abraços e harmonias
Num só voo ainda entoamos
Alvorada em flor até ser dia.


Texto (reposição)
Ailime
25.04.2015
Imagem Google

segunda-feira, abril 18, 2016

Nas escarpas do tempo


Nas escarpas do tempo
perdi-te o rasto.
As manhãs não brilham
como naquela madrugada
em que o céu te gravou no rosto
um sorriso de esperança.

O chão que agora pisas
parece já não ser teu
e resvalas como se no teu corpo
o sorriso te pesasse nos gestos.

Querias resgatar das sombras
o sopro emudecido do alvorecer
mas as aves partiram em bandos
e na praia, deserta, apenas os búzios
entoam o hino das flores.



Texto Ailime
Foto Google
18.04.2016

domingo, abril 03, 2016

No meu silêncio


No meu silêncio
acolho penumbras e barcos
a resvalar
nas marés
das tardes
quando o vento
me açoita 
o rosto gelado
debruçado na escarpa
e as flores 
penduradas nos galhos
baloiçam
como  ondas
a desenhar na areia
o rumo das aves. 

Texto e foto
Ailime
03.04.2016

terça-feira, março 29, 2016

No oceano da vida


No oceano da vida concebo os meus sonhos
Na esperança da luz que incendeia o horizonte
E deslumbro-me com a beleza exuberante do ocaso.

Mas na claridade da manhã abarco a alegria da aurora
No sol, nas flores e no barco aportado
Que abriga a outra margem de mim.

Abraço nas flores o vento em rebelião,
Sigo as linhas do rio que corre placidamente
E me devolve a aragem da existência
Que outrora era nascente e agora poente.

Na vertigem que me desinstala
Percorro horizontes de mil tons
Como se o vento, as flores e o rio
Me devolvessem o remoto madrugar.

Texto e foto
Ailime
29.09.2013
Reposição)



terça-feira, março 15, 2016

Pudera eu


Pudera eu devolver-te a leveza dos pássaros
para que voasses nas margens do rio
o sorriso que, desperto, em teu olhar
te ilumina o entardecer.
Pudera eu retirar todos os limos
que te resvalam nos gestos
a fragilidade do chão, escorregadio
sob os teus pés vacilantes.
Pudera eu devolver-te num raio de sol
a seiva a pulsar, qual primavera em apogeu
a cingir-te nos braços, o rio ao amanhecer.
Pudera eu atrasar os ponteiros do relógio
para te retardar no rosto os teus olhos cor de rio.

Texto
Ailime
Imagem Google
15.03.2016

domingo, fevereiro 28, 2016

Esvoaço numa asa de vento


Esvoaço numa asa de vento
e deixo que os meus cabelos
se transfigurem
como ondas a beijar a praia
quando o silêncio das marés
esboça ao pôr do sol
a imagem do anoitecer.
Por entre os meus dedos vacilantes
deixo que a espuma das águas
escorra a claridade das nuvens
que esculpem no  infinito
a finitude dos mares.

Texto
Ailime
Imagem Google
28.02.2016

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Nas telas invisíveis do tempo


Nas telas invisíveis do tempo
descortino palavras abrasadas
como papoulas a balouçar
os  silêncios do entardecer
em  campos de trigo maduro.

Aves em voo desenfreado
transportam nas asas do vento
prenúncios de madrugadas
suspensas em nuvens de orvalho.

No chão repousa o cansaço das memórias.

Texto e foto
Ailime
15.02.2016

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Em silêncio


Em silêncio acolho as palavras
tolhidas por gestos
tantas vezes neblinas
tantas vezes incertezas
a toldarem-me o olhar
a inventarem segredos
que nem o vento ousa desvendar.

No rumorejo das marés
pressinto-as no entardecer
abrigadas num velho barco
largado na penumbra do cais.

04.02.2016
Ailime
Foto Google