quarta-feira, maio 28, 2014

Voos


Os pássaros voam rasantes
Rompendo as marés
No silêncio desnudo
Das águas revoltas.

As asas desfazem-se
Como sonhos irreais
Dependurados nas naus
Ancoradas nas falésias.

No ocaso, o sol mergulha
Em penas marejadas de sal
Soltando lampejos de espanto
Na solidão estéril da praia.



Ailime
28.05.2014
Imagem Google

sexta-feira, maio 16, 2014

Há na ternura das folhas


Há na ternura das folhas
A leveza dos pássaros
Que na limpidez das estrelas
Percorrem o infinito
Em voos matizados de luz.

Na transparência das asas
Movem o viço da seiva
Na maresia das nuvens
Entre aragens e orvalhos
No céu acolchoado de mar.



Texto
Ailime
Imagem Google
16.05.2014



sexta-feira, maio 09, 2014

Entardeces


Entardeces no pranto contido
Que desliza docemente
Na lágrima que escorre
E te humedece o sorriso
Do teu olhar cavado.

Observo-te a inquietude
E como uma folha estremeces
Como quando o vento em corrupio
A desmembra do caule
Arrastando-a pelo infinito.

Há folhas que não deviam esmaecer,
Porque extinguem a beleza das flores
Que um dia juncaram de pétalas
Chãos repletos de amor.

Texto e foto
Ailime
08.05.2014

segunda-feira, abril 28, 2014

Eu era rio e tua eras paz.


Eu era rio e tua eras paz.
Desenhava-te no horizonte
Em círculos azuis como asas
Que o vento apenas traz
Quando as linhas se tocam
Em forma de folhas novas.

Enleamo-nos nas horas
Que só o tempo pode entender
Quando a luz das manhãs
Se prende nas tardes do ocaso
Ali… Diante de nós.

Texto e foto
Ailime
28.04.2014

Ailime

sexta-feira, abril 25, 2014

Abril acordou


Abril acordou sob um céu pintado de flores;
Eram vermelhas como o sol a despontar
Na primavera, que irrompeu sobre a cidade.

Da noite emergira a claridade
E em uníssono todos entoavam
Nas asas dos pássaros a liberdade.

Janelas e portas escancaradas;
O coração do povo ardia em chamas de espanto
Na profusão de sorrisos e abraços.

A cidade acordara do sonho aprisionado
Nos dedos, que agora incitavam a vitória!

Texto
Ailime
25.04.2014
(Imagem Google)

  

segunda-feira, abril 21, 2014

Os teus gestos


De Abril falavam os teus gestos,
No suor que o teu rosto
Pingava nas mãos 
Calejadas pela enxada,
Com que trabalhavas o pão.

Nunca te vi triste
Nem amargurado;
Amavas a terra, mas 
Sabias-te explorado.

Do lagar de azeite, onde
Da azeitona emergia a luz
Que te iluminava o olhar
Guardo o teu enorme labor.

Eras humilde como grandioso
Nos teus gestos de simplicidade
Com que amavas as gentes e a gente.

Em terra inculta, eras culto
E contigo as primeiras letras
E os primeiros livros.
(Da Gulbenkian pois, que lá em baixo
Passava a Biblioteca itinerante)

E lê e olha aquele livro e o outro.
Os teus gestos germinaram,
Em muito amor e carinho,
Por nós, pela tua gente.

Em Abril, recordo-te
Nos teus gestos,
No teu amor,
No brilho esperançoso do teu olhar!

Neste "pote" que me legaste
Continuam bem vivos
Na cor vermelha dos cravos,
Os teus gestos de amor,
em Paz e harmonia.

Obrigada, Avô!

Texto e foto
Ailime
21 Abril de 2014

(Este texto é dedicado
ao meu avô materno falecido
em  Agosto/1997)





terça-feira, abril 15, 2014

Sonhei-te




Sonhei-te por entre searas douradas
Onde as papoilas voltavam a baloiçar
Como cirandas embaladas pelo vento

Sonhei-te em madrugadas de cor
Salpicando de estrelas os jardins
Onde as flores fenecem na secura dos dias

Sonhei-te a cantar nos campos e cidades
Desatando silêncios enclausurados
Nas gargantas rasgadas pelo frio

Sonhei-te, enfim, a esvoaçar
Cruzando o espaço como ave migratória
Que da asa ferida se liberta


Ailime
15.04.2014
Imagem Google

quarta-feira, março 26, 2014

Na ausência das folhas


Na ausência das folhas
Os ventos sopram os dias
Das primaveras serôdias
Suspensas de densas escarpas

Os musgos escoam nas asas
Alvoraçadas dos pássaros
Sombras de nuvens azuis
Na obscuridade dos muros

Nas veredas estreitas
De labirintos insondáveis
A luz detém no horizonte
A plenitude do olhar

Texto e foto
Ailime
26.03.2014

sexta-feira, março 14, 2014

Da noite emergiu a alvorada


Da noite emergiu a alvorada
Que me cingia a cintura, ainda estreita,
Num campo submerso de flores.

Não sei quantos me cercavam
Eram muitos, mais que mil,
Porque num grito todos eram.

Hoje já não sei quantos são,
Porque dispersos no tempo
Em campos de restolho seco
E pétalas de flor mirradas.

 Ailime
14.03.2014

terça-feira, março 11, 2014

Na ausência da luz


Na ausência da luz
Mergulho no deserto
E as trevas instalam-se
Como sombras que o vento
Me impele a romper

Sob o sol escaldante
A sede assola-me o vazio
E rasga-me o âmago
Na travessia infindável

No silêncio das dunas
Uma aragem cálida
Sussurra-me a fonte
Do tempo que urge

Vislumbro o oásis
Na miragem que cega
A escuridão dissipa-se
No fulgor da manhã.

11.03.2014

Ailime
Imagem Google