quinta-feira, julho 28, 2011

Para os meus amigos...

...porque os amigos dão um sabor especial à nossa vida, partilho o aroma colorido das flores que povoaram os jardins da minha infância e que ainda hoje gosto de percorrer  em momentos de descontracção e lazer, abraçando a aragem fresca das manhãs, envolta em tímidos raios de sol como prenúncio de dias resplandecentes de Luz.

Com a minha amizade.
Até breve.

Ailime
28.07.2011

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domingo, julho 24, 2011

"Cada lugar teu"....Mafalda Veiga

Hoje partilho com todos vós este vídeo de Mafalda Veiga de que gosto bastante e com o qual pretendo rememorar um momento especial e marcante da minha vida. Já lá vão tantos anos....mas é uma bênção celebrar. Desejo que também apreciem. Muito obrigada pelo vosso carinho.

 
Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar.

Mafalda Veiga

Ailime
24.07.2011

domingo, julho 17, 2011

Ouço o murmúrio do mar


Aqui no canto - meu

Ouço o murmúrio do mar

Como em dia de temporal

No enigmático bulício do vento

Que sacode com furor

Os troncos frondosos dos plátanos,

Donde se desprendem folhas

Exuberantes de tanta seiva

Que vão matizando aqui e ali

A terra que as acolhe

Como se as enlaçasse.




Ailime
17.07.2011
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quarta-feira, julho 13, 2011

Um sorriso

Ontem como hoje
Vi no brilho do teu olhar
A singeleza de ti
Como se fitasses
As mais altas montanhas
E nelas se revelasse
O que de mais sublime
Habita no âmago do teu ser

Emocionei-me
Com a transparência
Emanada do sorriso
Que emergiu da luz
Que te afagou o rosto
E deixou transparecer
A alegria discreta
De uma manhã vencida.
 
Ailime
13.07.2011
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sábado, julho 09, 2011

Felicidade


Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.

Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.

Se achar que precisa voltar, volte!

Se perceber que precisa seguir, siga!

Se estiver tudo errado, comece novamente.

Se estiver tudo certo, continue.

Se sentir saudades, mate-a.

Se perder um amor, não se perca!

Se o achar, segure-o!


Fernando Pessoa

Ailime
09.07.2011
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domingo, julho 03, 2011

Fixo um sinal no horizonte


Fixo um sinal no horizonte

E arrasto-me nas masmorras do tempo

Na busca incessante da novidade

Para aclarar o meu tempo;

Mas as transparências expiram

E apenas rostos esculpidos

Pelos mares de sal derramados

Me evocam o amanhã

Do futuro que esbocei hoje.



Ailime
03.07.2011
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sexta-feira, junho 24, 2011

Silêncios



As palavras que invento
São rimas imperfeitas
De silêncios consumidos
Importados das maresias
Oriundas de oceanos remotos

Na areia fria da praia
Por entre a espuma das vagas
Aguardam que o poeta
As aprisione e as transforme
Num belo poema de amor.



Ailime
24.06.2011
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domingo, junho 19, 2011

Insónia


Em vigílias de sossego
Oiço o vento glacial,
Que em rajadas
Fortes e perturbadoras
Atordoa os meus sentidos
E torna agreste
A alva instalada em mim.

Deixo-me envolver
Nas palavras que enredo
E descortino o silêncio
Na quietude refeita
Do alvor anunciado.

Rabisco em palavras
Deixadas pelo vento
Este sentir sonâmbulo
Na aridez do poema
Que arrisquei delinear.
Ailime
19.06.2011
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segunda-feira, junho 13, 2011

Fernando Pessoa


Retrato de Fernando Pessoa por Almada Negreiros
 A minha homenagem ao Grande Poeta de Língua Portuguesa, Fernando Pessoa, nascido no dia de Santo António ( 13.06.1888) recordando um  dos seus poemas de que mais gosto.

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e nao estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.
 
Ricardo Reis (Heterónimo de Fernando Pessoa)


Ailime
13.06.2011
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domingo, junho 12, 2011

Clarice Lispecter

Sou como você me vê,
posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando,
e como você me vê passar.

Ando de um lado para outro, dentro de mim.

Estou bastante acostumada a estar só,
Mesmo junto dos outros.

O que eu sinto eu não ajo.
O que ajo não penso.
O que penso não sinto.
Do que sei sou ignorante.
Do que sinto não ignoro.
Não me entendo e ajo como se entendesse.

"a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.
Quem sou?
Bem, isso já é demais...."

Clarice Lispecter
Biografia de Clarice Lispecter
Ailime
12.06.2011
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