sábado, junho 20, 2026

Passo à tua porta


Passo à tua porta.

Subo, pedra a pedra, os anos

e já não vislumbro

o teu rosto,

que sorria para mim

assomando ao postigo

quando, aos saltos,

corria para o teu colo.

Tu, sempre, de braços estendidos.

A rua já não tem pedras.

Vestiu-se de negro.

À noite os pirilampos

já não a bordejam

como outrora, quando

me alumiavam o caminho.

O progresso passou por ali

e tu, já não estás!


Texto e foto
Emília Simões
20.06.2026
Imagem Google

15 comentários:

  1. Revi-me no seu poema! É como se fechar uma porta de vez... Ficam as estórias ...
    -
    O SONHO ....
    -
    Beijos e um bom Domingo.

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  2. Amiga Emilia, boa noite de Paz!
    Adentro já não está quem mais amamos.
    Muito desolador... mas bonito.
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos fraternos

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  3. Olá, amiga Emilia, um poema sentido, saudoso, mas
    muito belo, com arte e sentimentos.
    Um beijo e votos de uma boa semana.

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  4. Gosto do olhar!
    Essa alteração para melhor pode despertar um mar de emoções! 👏😘

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  5. Um misto de saudade e ausência ao ler este poema.
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  6. Vão partindo todos...
    Magnífico poema, gostei muito.
    Boa semana minha amiga.
    Beijinhos.

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  7. Sergio6/22/2026

    A estrada vestiu-se de preto (alcatrão) e já não lá estás. As relações humanas seja em que fase da vida, ainda mais na infância, são o que mais importante temos. Porque esses sorrisos e abraços nos validavam e davam segurança. Talvez até refúgio. O tempo passa e todos enfrentamos um fim - esse é o medo que nos aterroriza. Mas se fomos portadores de bondade com outros, assim seremos lembrados. Tal como quem já não está é relembrado neste poema, assim podemos perpetuar com ações quem foi bom sendo nós bons também. Aceitar o passar do tempo com tranquilidade: sim, ficam as estórias como diz o primeiro comentário, mas também aceitar que somos parte de um universo em mudança constante. Onde também deixamos a nossa marca, que se mede pelo bem que fizemos e recebemos. Se as memórias não se podem materializar, devemos ter sempre um objectivo, um projecto, um propósito que nos propele para diante. Algo que nunca tenhamos atingido. O continuar a atingir propósitos bons todos os dias também conta, já que cada dia é um novo dia. E que seja para o bem comum. Assim criamos memórias como as descritas neste poema, mas em outras pessoas. E continuamos o ciclo.

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  8. Lindo poema. Me gusto mucho. Te mando un beso.

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  9. Beleza de poema, tão pleno de saudade! Meu abraço, Emília; boa semana.

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  10. Olá, Emília
    O seu poema, tão sentido, traz-me recordações do tempo em que as distâncias da casa da minha avó eram tão longas... Hoje quando lá vou, tudo parece perto e fico a ver e a imaginar também onde ficaria a casa dos meus pais e amigos.
    O progresso devora tudo, até as pedras das calçadas.
    Beijinhos
    Olinfa

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  11. Boa tarde Emília.
    Poema belo e sentido. Onde a saudade e a nostalgia do passado, estão bem presentes neste excelente poema.

    Gostei bastante.

    Votos de boa semana, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  12. Boa tarde Amiga Emília
    Um poema tocante, onde a memória sobe, pedra a pedra, os degraus da infância até encontrar a ausência.
    A simplicidade das imagens, o postigo, os braços abertos, os pirilampos contrasta com a dureza do progresso e da perda, criando uma atmosfera de saudade profunda.
    Um belo retrato de como os lugares mudam, mas as lembranças permanecem vivas no coração.
    Até comove. pois revi-me neste poema.
    Boa semana com saúde.
    Deixo um beijo
    :)

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  13. Um poema de intensa ternura e saudade, onde a memória ilumina um passado já transformado pelo tempo.
    A delicadeza das recordações contrasta com a ausência, deixando no leitor uma emoção serena e duradoura.
    Gostei especialmente da imagem dos pirilampos a alumiarem o caminho; é um detalhe muito simples e, ao mesmo tempo, cheio de luz poética...

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  14. Linda poesia que surge da saudade dos entes queridos que se vão no seguir a existência e as transformações. Bjsss

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  15. Boa tarde Emília.
    Passando por aqui, para desejar um feliz fim de semana, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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«Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar».C.L.