sábado, março 14, 2026

Os meus olhos vagueiam perdidos


Edvard Munch

Os meus olhos vagueiam perdidos
na penumbra dos dias em que
a claridade se ausenta
de mentes que não enxergam horizontes
de justiça, lealdade e amor.


Nas águas do mar embrenho-me
para dissimular o sal
que me escorre do rosto,
numa mistura límpida,
purificando os ruídos que me perturbam
os sentidos e a razão.


Um silêncio inquietante 
roça-me os passos
e a voz atrofia-se 
num gesto desumano.
Quando irromperá a luz
no coração de quem ignora
os caminhos da paz?


Texto
Emília Simões
14.03.2026


18 comentários:

  1. Linda poesia e a pergunta final que gostaríamos de ver respondida! Até quando esperaremos? beijos, ótimo fds! chica

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  2. Nossos olhos vagueiam nesta ausencia da luz, que irradie sobre as mentes daqueles que fomentam a guerra, que desprezam a paz, que ceifam vidas. Nossos olhos perdidos estão amiga.
    Belo canto com critica perfeita, que é um belo trabalho da poesia, dar voz aos inocentes, aos oprimidos.
    Um bom domingo de feliz fim de semana.
    Bjs de paz amiga.

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  3. Um apelo à paz🕊️ ... 👏👏👏😘

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  4. Boa tarde Emília
    Um poema de forte densidade reflexiva, onde a inquietação individual se transforma numa interrogação moral dirigida ao mundo.
    Entre a sombra e o desejo de luz, o eu poético procura purificar a dor nas águas do mar e questiona, com sensível lucidez, quando a humanidade aprenderá finalmente os caminhos da justiça e da paz.
    Muito reflexivo e cheio de sensibilidade.
    Continuação de bom Domingo.
    Deixo um beijo
    :)

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  5. Amiga Emília, boa tardinha de domingo!
    Nosso olhar deve repercurtir um pouco da beleza do lugar ou do cena a a contempar.
    Você faz isso divinamente.
    Tenha dias abençoados!
    Beijinhos fraternos

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  6. Boa noite Emília.
    Vivemos tempos complexos, sombrios, onde a morte é apresentada como uma peça de teatro, pelos nossos olhos dentro.
    É muito triste o que se está a passar no mundo, à frente dos nossos olhos, sem que nada possamos fazer.

    Intenso e profundo poema, que muito gostei de ler.

    Deixo os votos de uma ótima semana, com tudo de bom.

    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  7. Mais um bonito poema que vim cá conhecer!
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  8. Sergio3/16/2026

    O poema termina com uma pergunta intemporal - a dificuldade de responder a esta pergunta deve-se a, quem entra em conflito - sejam países, grupos ou indivíduos - não conseguir parar para pensar porque crê que já sabe a resposta. E normalmente a resposta é nublada pela própria mente porque a mente já a respondeu mesmo antes de a perguntar. Estas certezas que resultam não de reflexão ou inquisição sobre certas posições - argumentos e contra-argumentos que fariam cair de imediato posições irredutíveis- são o que causam guerras. Quase sempre estão em conflito duas coisas: o interesse do próprio versus o coletivo. E são quase sempre questões de justiça - a própria versus a alheia. Não há razão nem raciocínio - apenas impulso. A única maneira de parar é: parar, inquirir sobre a nossa posição e justiça sobre o bem coletivo. Beijinhos!!

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  9. Os dias estão realmente muito inquietantes...
    Um poema belo, expressivo e bastante pertinente.
    Um grande abraço, Poetisa Amigs.
    Boa semana. Beijinhos
    -------------

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  10. Que magnífico poema.
    E que termina com chave de ouro, uma pergunta muito pertinente.
    Parabéns pelo talento poético que as suas palavras revelam.
    Boa semana querida amiga. 🌼
    Beijinhos.

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  11. A tela "O Grito" emoldura perfeitamente o teu belo poema, Emília! E a prgunta é pertinente: até que ponto as angústias que criamos nos impedirão de enxergar a simplicidade e a beleza da vida?! Meu abraço, amiga; boa semana.

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  12. Além da beleza do poema, amiga, é fascinante a propriedade do tema: por que o homem insiste em criar sofrimento para si e para os outros? Boa semana, meu abraço.

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  13. Mais um bonito poema. Parabéns pelo seu talento!
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  14. Poema maravilhoso, querida Emília, o que estamos vendo e sentindo
    é muito inquietante, nos deixa "pra baixo", nada podemos fazer nessa vida tão triste que vemos irmãos passarem. Cruel demais! Essa é a vida que pediram? Por que uns tem de ter tudo, felicidade constante e outros nada, perdendo suas famílias?
    Muito difícil olharmos todo esse inferno que está acontecendo.
    Beijinho, amiga, muita paz, se possível...

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  15. Boa noite Emília.
    Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com tudo de bom.

    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  16. Estimada Poetisa amiga.
    Venha celebrar comigo o Dia Mundial da Poesia.
    Tenha um excelente fim de semana e uma primavera
    feliz e inspiradora...
    Um abraço grande, no tempo das camélias.
    🍀🪻🍀🌹🍀🌼🍀🌸
    ~~~

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  17. O silêncio é inquietante só atravessado pelo ruído das armas que os fanáticos da violência teimam em usar. Um poema muito profundo e reflexivo.
    Tudo de bom minha Amiga. Um bom dia da Poesia, minha querida Poeta.
    Um beijo.

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  18. Um belo clamor; Poema que traz muitas reflexões . Momento difícil que nos inquieta. Bjsss
    Bom final de semana

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«Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar».C.L.