«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sexta-feira, julho 19, 2019
O teu sorriso
Gosto do teu sorriso
quando o barco te aporta
ao início da madrugada
na praia incendiada por pássaros
no rebentar das marés.
Pé ante pé persigo a luz
que desponta suave,
quase inocente
nos gestos das águas
que te aspergem o dia.
Um rasto de corais
move-se contra o vento
que sopra a manhã
que te abraça
com faíscas imperceptíveis.
Texto
Ailime
19.07.2019
Imagem Google
terça-feira, julho 02, 2019
Rasgo o tempo com os sentidos
Rasgo o tempo com os sentidos
e caminho suavemente sobre as marés
como se as águas me impelissem
a abraçar-te
enquanto os búzios entoam
a canção do mar
que nos recorda
que as medusas vêm à tona
sempre que dançamos
sobre a proa do barco
enquanto um pássaro
desenha no firmamento
um bailado só para nós.
Texto
Ailime
02.07.2019
Imagem Google
quarta-feira, junho 19, 2019
A vida não é reta nem plana
tantas vezes curva e oblíqua
aos ziguezagues
que me gravam na pele
as sombras agrestes
e desalinhadas
pelos ventos vulneráveis
de densa escuridão
Nas águas brandas do rio
uma linha de fogo
asperge de esperança
a alma inquieta e sedenta
No meu olhar, sustenho a claridade.
a alma inquieta e sedenta
No meu olhar, sustenho a claridade.
Texto
Ailime
19.06.2019
Imagem Google
sábado, junho 01, 2019
Levanto-me e desprendo-me da noite
mas não sei se já é madrugada
Atrás de mim a inocência
dos passos que dou devagar
O meu olhar abre a janela
A lua, quarto minguante, sorri
Por vezes tropeço nas estrelas
e estendo-lhes as mãos
os braços ...
O vazio no meu colo.
Uma estrela cadente
sopra-me no olhar
uma ténue claridade.
Texto
Ailime
01.06.2019
Imagem Google
terça-feira, maio 21, 2019
Vão longos os dias
Vão longos os dias e o pôr do sol alarga-se
naquele horizonte matizado de púrpura
em que fitamos o olhar nublado de silêncio
com os pássaros a esvoaçarem, testemunhas
de um tempo que nos desconcerta.
Passeamos sós de mãos dadas
como se hoje fosse ontem no teu olhar
as manhãs são mais claras, mais límpidas
quando pisamos chãos improváveis
mesmo que as sombras nos tinjam a noite.
Talvez que, furtivamente, ainda enxerguemos o mundo
embriagados pela luz que emana do inverno.
Texto
Ailime
21.05.2019
Imagem Google
quarta-feira, maio 08, 2019
Nos degraus da casa
em escombros
ouço-te em cada passo
como se o passado
se detivesse nas paredes
caiadas de cinza
onde as andorinhas
ainda fazem os ninhos.
À noite os pirilampos
cintilavam como estrelas
a bordejar os caminhos
desfazendo as trevas
os fantasmas
as sombras
que te sobrevoavam
na escuridão
que preenchia o silêncio
ainda mais espesso que a noite.
Na fugacidade do tempo
ainda hoje não sei distinguir a luz
da escuridão.
Ailime
08.05.2019
Imagem Google
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