segunda-feira, abril 08, 2019

Nos dias avessos à luz


Nos dias avessos à luz 
descubro veredas por entre florestas sombrias 
que me lembram o tempo 
em que caminhavas desamparado 
como se o mundo te renegasse 
o chão, que pesadamente pisavas 
como se não houvesse relâmpagos, 
nem pássaros, nem silêncios, nem palavras  
a rasgar as manhãs, que os teus olhos guardavam. 
Das tuas mãos, em gestos simples, 
as flores desprendiam-se como asas 
que ninguém via que ninguém ouvia. 
Apenas tu lhes conhecias a cor. 


Texto
Ailime 
08.04.2019 
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quinta-feira, março 28, 2019

Não quis rasgar o tempo


Não quis rasgar o tempo
nem contornar os rios
que me saíam do ventre.
Deixei apenas que dos meus lábios
as palavras se desatassem
como asas em pleno voo
no silêncio das manhãs.




Texto
Ailime
29.01.2017
Reedição

quinta-feira, março 14, 2019

Diante do mar o assombro


Diante do mar o assombro 
Aves errantes em sobressalto 
As marés que murmuram baixinho 
O teu nome 
No princípio da tua voz 
O silêncio a embargar os sentidos 

No cimo da arriba 
O farol antecipa a noite 
Quando a claridade do mar 
Se tinge de púrpura 
A Terra adormece tímida. 



Ailime 
14.03.2019 
Imagem
 Google

terça-feira, março 05, 2019

Do chão molhado da tarde


Do chão molhado da tarde 
Aves partem em debandada 
O firmamento acolhe-as  
Com os braços estendidos  
E enlaça-as 
Vagarosamente 
Como se fossem estrelas cadentes 
A cruzar a noite 
Nos umbrais do meu sentir.

Mas a tarde desdobra-se 
Em mil e uma cores. 
Agarro um arco-íris 
E poiso-o nas minhas mãos. 

Os pássaros regressam 
Em voo livre e cadente  
E espargem no chão 
Relâmpagos quase extintos. 


Texto
Ailime
05.03.2019
Imagem Google

sábado, fevereiro 23, 2019

As musas


Nem sempre as musas alastram
Nas sombras dos bosques
Onde o silêncio se queda
Nas teias de luz
Que fugazmente me acariciam.

Mas as palavras soltam-se
Como pássaros em redor dos ninhos
E, por instantes, o luar
Irrompe como um espelho
E reflete no abraço da noite
A limpidez das estrelas.




18.08.2013
Reedição revista
Ailime
Imagem Google


terça-feira, fevereiro 12, 2019

Na brevidade do tempo


Na brevidade do tempo 
As palavras escasseiam 
E detêm-se nas memórias 
Que um dia foram raíz. 

O silêncio sussurra  
Como a água límpida do rio 
Que levemente desliza 
Nos umbrais da saudade. 

Os pássaros entoam cânticos 
Por entre nuvens azuis 
A sublimar os vestígios 
Da ausência que fere.



Ailime
12.02.2019 
Imagem Google