sábado, fevereiro 23, 2019

As musas


Nem sempre as musas alastram
Nas sombras dos bosques
Onde o silêncio se queda
Nas teias de luz
Que fugazmente me acariciam.

Mas as palavras soltam-se
Como pássaros em redor dos ninhos
E, por instantes, o luar
Irrompe como um espelho
E reflete no abraço da noite
A limpidez das estrelas.




18.08.2013
Reedição revista
Ailime
Imagem Google


terça-feira, fevereiro 12, 2019

Na brevidade do tempo


Na brevidade do tempo 
As palavras escasseiam 
E detêm-se nas memórias 
Que um dia foram raíz. 

O silêncio sussurra  
Como a água límpida do rio 
Que levemente desliza 
Nos umbrais da saudade. 

Os pássaros entoam cânticos 
Por entre nuvens azuis 
A sublimar os vestígios 
Da ausência que fere.



Ailime
12.02.2019 
Imagem Google 

quarta-feira, janeiro 30, 2019

A beleza dum dia de chuva


Leonid Afremov


A beleza dum dia de chuva 
está nas gotas de orvalho  
que salpicam as memórias 
que a minha alma guarda 

A beleza dum dia de chuva 
escoa pelas vidraças  
da janela onde a saudade 
há muito se tornou rio 

A beleza dum dia de chuva 
está nas flores que ao relento 
ficam ainda mais belas 
quando a chuva as beija de mansinho 

A beleza dum dia de chuva 
está naquele arco-íris 
que observo da minha janela 
e me colora o olhar. 

A beleza dum dia de chuva 
está quando entre um pingo e outro 
atravessamos de mãos dadas 
o chão molhado do amor. 

Texto
Ailime
Imagem Google
30.01.2019

terça-feira, janeiro 15, 2019

As palavras


A língua prende-se na voz
e  tolhe as parcas palavras
que, silenciosas, se recolhem
como búzios em maré vaza.

As sílabas que tento soletrar
estão reféns como barcos,
que encalhados nos cais,
há muito perderam os mastros.

Um pássaro em pleno voo
resgata-me desta indolência.

Colada às suas asas
vagueio pelo firmamento
até que um sopro de vento
me liberte e devolva as palavras.



Texto
Ailime
15.01.2019
Imagem Google


sexta-feira, janeiro 04, 2019

A aurora esculpe-se no horizonte



A aurora esculpe-se no horizonte. 
A meus pés uma fonte jorra infinitos. 
Nos meus ombros um arco-íris sorri. 
Com os olhos cativo orvalhos. 
Das minhas mãos voam pássaros. 
  
Olho mais além 
e nada está previsto. 
Apenas os muros 
albergam os musgos 
que atapetaram a terra 
de choros improváveis.



Texto e foto
Ailime
04.01.2019

sexta-feira, dezembro 28, 2018

Feliz Ano Novo!

Este foi o meu texto que obteve mais visualizações em 2018!
Aproveito para, desta forma, agradecer as vossas visitas e generosos comentários.
Para todos feliz Ano Novo!


Nas linhas do horizonte
enxergo o teu céu
a rasar as marés.
*
Na berma da estrada
um homem sucumbe
sob o alforge vazio.
*
Não há limites
quando o sonho
te convida a voar.
*
No escuro da noite
uma estrela brilha
e afaga-te o olhar. 
*
No silêncio do mar
apenas um búzio
te fala baixinho.
*
Entre o nascer 
e  o pôr do sol
cantam os pássaros.
*
No rosto do tempo
deixa que os frutos
maturem na árvore. 



Texto
Ailime
Imagem Google
01.10.2018

quinta-feira, dezembro 20, 2018

Talvez


Talvez ainda tenha tempo de ter tempo.
Talvez as luzes não me ceguem
na vertigem dos dias que, velozes,
me tiram o tempo.
Talvez um mendigo me estenda a mão
na noite escura. 
Talvez eu passe em frente, fingindo não o ver.
Talvez eu lhe dê uma simples moeda ou
talvez o convide para a minha ceia.
Talvez o tempo não me tire a lucidez
de enxergar as névoas da noite.
Talvez ainda tenha tempo de colher uma estrela.
Talvez ainda tenha tempo de fazer um presépio.


Texto e foto
Ailime
20.12.2018

Boas festas para todos

segunda-feira, dezembro 17, 2018

Retenho as palavras


Retenho as palavras com o olhar
e desfio-as como finos fios de seda
a resvalar dos casulos
protegidos pelas teias
do orvalho da noite.
Resguardo-as em silêncio
como se não me pertencessem.
Não quero que os rumores sombrios
as maculem na transparência da luz.



Texto
Ailime
Reposição
Imagem Google

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Um véu de claridade


Agarro um raio de luz
recolho-o numa folha de outono
e aguardo que o chão lhe seja fértil.
*
Na penumbra dos olhares
escasseiam os gestos
a iluminar os rostos
sedentos de liberdade.
*
Nas asas dos pássaros
relâmpagos faíscam
as cores do amor.
*
Um arco-íris
soletra nas margens
a canção do rio.
*
Ao amanhecer
a poesia das cores
mergulha na Terra
um véu de claridade.



Foto e texto
Ailime
06.12.2018


domingo, novembro 25, 2018

No meu silêncio



No meu silêncio 
guardo palavras doridas 
pelas ruas descalças 
gastas pela solidão,  
que afloram os olhares de espanto 
pelo nascer ou pôr do sol 
a iluminar as tezes macilentas 
no relento das noites,  
onde jazem sonhos inacabados 
enrolados em folhas húmidas
dum outono precoce. 

No meu silêncio guardo 
toda a minha inércia, 
a minha pressa 
a minha indiferença 
pelo mundo marginal 
que me passa ao lado 
que não quero ver, 
que recuso enxergar 
porque me falta amor. 

Até quando a minha alma vazia 
deixará que o amor se expanda em liberdade 
num abraço à solidão?



Texto e foto
Ailime
25.11.2018