quarta-feira, agosto 22, 2018

Palavras à solta


Na candura da tua voz
as melodias soltam-se
na liberdade dos pássaros.
*
O silêncio das estrelas
é um caminho que percorre
as sombras de Marte.
*
Nas linhas do horizonte
os meus olhos incendeiam-se
nas chispas do pôr-do-sol.
*
É à noite que vigio,
nas sombras que me envolvem,
o luar que sorri ao gesto.
*
A palavra é a poesia
com que o poeta transmuta
o pensamento da alma.



Textos
Ailime
22.08.2018
Imagem Google

domingo, agosto 12, 2018

Seguia-te os passos

Desconheço o autor

Seguia-te os passos pesados
e ria a saltar de árvore em árvore
o desassossego da inocência
que não repreendias nas palavras
que o teu silêncio guardava.

As águas corriam plácidas, no rio,
nas margens palpitavam cardumes
que te brilhavam no olhar
como sóis a lampejar nos barcos
a maré vazia de limos.


Texto
Ailime
Agosto 2018

segunda-feira, agosto 06, 2018

A insónia


E tão incompreensível a insónia
quando o mar sussurra na noite
um cântico límpido e melódico
como a maré baixa ao cair da tarde
a ondular no areal a volúpia das espumas.
Num vaivém, como barco a baloiçar
a vigília irrompe insidiosa
e estremece  amedrontada sob a lua
a espreitar o dia que, entretanto,
já clareia o horizonte.


Texto e foto
Ailime
Julho 20118

segunda-feira, julho 02, 2018

Nos olhos da noite também há luz.



Nos olhos da noite
sentia-te o silêncio mudo
que te escavava no rosto
a angústia, que te dilacerava
no peito a ausência da luz.

Dias tortuosos, sombras
que te trespassavam o olhar
pálido como paredes brancas
onde o luar se queda
em noite de quarto crescente.

Mas nem sempre o inverno
obscurece os mares que navegas.
Timidamente uma vigia abriu-se
e de rompante dissiparam-se as trevas.
A luz reacendeu-te no olhar, a vida
que na praia te aguardava a sorrir.

É que nos olhos da noite também há luz.


Reedição

Texto e foto
Ailime
13.09.2016

(Vou estar ausente durante 
algum tempo.
Até breve).

sábado, junho 23, 2018

Ainda há dias era natal



Ainda há dias era natal
e o frio tolhia-me os movimentos,
calava-me a voz, que um grito libertou.
O teu olhar, pai, quedou-se nesse instante
em que já não me enxergavas
e eu não queria entender
que a tua vida se extinguia,
que o teu torpor era real.
Era natal, pai,
e tanto que ainda me dói
a evasão do teu olhar
onde o rio ....havia brilhado de tanto azul.
O tempo parou nesse instante
e aprisionou-me os sentidos, a minha vida.
Nunca mais vou poder ver, pai,
o rio a sorrir-te nos olhos.


Texto e foto
Ailime
19.06.2018




domingo, junho 17, 2018

No meu chão


No meu chão escasso em palavras
ausculto o vento que me segreda
a poesia escrita nas folhas
dependuradas das árvores
neste estio que me atordoa
como se amanhecesse tardiamente
e a luz se escoasse por entre os meus dedos
nas sombras ávidas de silêncio.
 ...
Neste meu murmúrio inaudível
apenas as aves me acenam o amanhã.  


Texto
Ailime
30.05.2017
Imagem Google

(Reedição)

sábado, junho 02, 2018

Ainda há pouco a madrugada



Ainda há pouco a madrugada
me nascia nos olhos as cores do sol-nado.
O rio, límpido, como hoje não é
sorria nas margens o silêncio das águas
que, profundas, corriam ao sabor do vento
que as ondeava como searas a balouçar
na lezíria, ainda adormecida pelo orvalho da noite.
Ao entardecer, que surgia de mansinho,
o meu rosto, baço, como vidro cendrado
aquietava-se, como se a beleza do sol-posto
fosse apenas uma quimera.



Poema
Ailime
02.05.2018
Imagem Google

domingo, maio 20, 2018

É nos momentos



É nos momentos em que tudo parece volátil
que ouço a canção que nos seduz
que se entranha num estranho silêncio
na cumplicidade que nos prende à vida e ao amor,
às pequenas coisas que fazem parte de nós,
que nos deslumbram ou entristecem
como se o amanhecer fosse um constante sol-posto
a navegar nas ilusões que nos transfiguram
e nos tragam como quimeras a navegar sobre as marés.
Mas o sopro do universo sobrepõe-se a todas as mutações
e transfigura-nos como a seiva que sustenta as árvores  
ou como uma luz incandescente que nos escorre dos lábios.

Texto
Ailime
20.05.2018

segunda-feira, maio 07, 2018

Rasgo o tempo


Rasgo o tempo com o olhar
e aprisiono as palavras
nos ponteiros do relógio,
que no silêncio da noite
marcam o compasso das horas.
Lentamente a insónia
apodera-se dos minutos, dos segundos,
e os meus pensamentos
em turbilhão
a perderem-se na imensidão da noite
a tolherem-me os movimentos
na cegueira que me envolve.
Acordo em sobressalto.
Um sonho, um pesadelo?
Apenas um novo dia,
um novo olhar,
uma nova esperança
na claridade da manhã
a resplandecer  no horizonte.

Texto: Ailime
Imagem Google
17.08.2016
(Reedição)

quarta-feira, abril 25, 2018

Em Abril


Em Abril sonhei-te como pólen no chão adormecido
E abriguei-te no meu peito aberto ao vento
Qual noite a emergir na madrugada
Do silêncio a luz se fez espanto.

Como um véu abriste-te em amor
E deste-te em abraços e harmonias
Num só voo ainda entoo
Alvorada em flor até ser dia.




Texto  (reedição revista)
Ailime
25.04.2015
Imagens Google